Edição Número 0711 - Ano II - Natal e Mossoró, Quinta-feira, 28 de Agosto de 2008.
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As velhas raposas

Valério Mesquita
Escritor

01) Lauro Arruda integrava ao lado do Major Theodorico Bezerra, Israel Nunes, Alfredo Mesquita, Túlio Fernandes entre outros, o partido majoritário, o rolo compressor que dominou por quase quinze anos a vida política e administrativa do Estado. Lauro foi o homem do seu tempo. Da sua região, de Nova Cruz. Foi o parlamentar telúrico e emocional do tipo que exprimia o perfil ou a cara do seu município ou de sua gente. As brigas de alta voltagem da política de Nova Cruz entre Lauro Arruda e Zé Peixoto Mariano tornaram-se memoráveis em todo o Agreste. Certa vez, numa campanha inflamada, Alípio Barbosa, amigo incondicional de Lauro, confidenciou-lhe com mil pedidos de sigilo e reserva, para não comprometê-lo, que soubera em Caiçara/PB, que o pai do seu arqui-adversário era fichado lá como ladrão. Lauro guardou a confidência do amigo até o quanto a sua paciência suportou os insultos vindos de lá. Depois, não contou história. Num dia de feira, largou a "boca no trombone" e contou tudo, tintim por tintim, citando inclusive a fonte para ser mais verdadeira. Alípio Barbosa que lhe segredou o assunto passou um mês sem sair de casa.
02) Absalão foi prefeito de Pendências. Para ele, dinheiro não tinha valor nenhum e o que era seu, era também do povo pendensense. Já dizia o padre Zé Luiz, que em Pendências foi pároco: "Absalão era único, modelável, absoluto, mistura de boêmio e filósofo". Pois bem, certa vez, fez um empréstimo agrícola no Banco do Brasil de Assu e Chico Queiroz, seu comprade e amigo, foi o avalista da operação bancária. Após o vencimento, Chico começou a receber as constrangedoras cartinhas de cobrança e pressão da gerencia para quitar o débito. Foi então procurar Absalão a fim de comunicá-lo e consequentemente resolver a questão. "Compadre Absalão, o empréstimo que você fez no banco e que eu sou o avalista, encontra-se vencido a bastante tempo". Sem perder a "esportiva", respondeu Absalão: "Mas, compadre, você é muito irresponsável! Vá pagar o banco!".
03) Quem não conheceu o grande Francisco Cabral, ex-prefeito de São Paulo do Potengi, fundador e prefeito do município de São Pedro? Inteligente, espirituoso, boêmio, Chico Cabral teve a graça divina de atravessar praticamente o século vinte vivendo exatos cem anos. O seu anedotário político e social é imenso. O seu filho Edmundo contou-me de uma festa em São Paulo do Potengi onde o Velho Chico "tava espritado". Não perdia uma dança com as moças da festa. Hábil dançarino, Cabral se perdia no meio do amplo salão. No décimo quinto regresso a mesa onde estava a sua esposa D. Carminha, super-chateada com os seus excessos, e, tentando convencê-la que era político e essas coisas são assim mesmo, recebeu dela uma sentença inapelável: "Porque você é sem vergonha mesmo!!".

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