A vida natural e a vida pensamental
Flávio RezendeEscritor e JornalistaApesar de nossa espécie já estar no planeta há bastante tempo e de termos evoluído muito no aspecto material, ainda repetimos comportamentos diversos tanto do passado histórico, como do alvorecer da idade, alternando momentos em que pensamos ter amadurecido, com outros em que nos flagramos como verdadeiras crianças e/ou adolescentes.
Tem sido assim com idosos que voltam a ser crianças e, com crianças que às vezes se comportam como adultos. A vida toda é de alternância de posições, posturas, comportamentos, com alguns poucos conseguindo manter certa constância, quando atingem alguns patamares no desenrolar de uma vida normal.
Dentro deste mutante cenário, atuam os profissionais da psicologia, oferecendo respostas para alguns personagens do universo humano, explicando assim comportamentos vários, explicando-os a luz de peitos não mamados, infâncias carentes ou pais ausentes, embalados em teorias freudianas, lacanianas e muitas outras mais, todas sérias e que merecem todo o nosso respeito.
Cada dia amo mais a vida e tenho buscado incessantemente perceber em suas entrelinhas, as suas doces possibilidades, vivendo em harmonia com a natureza, procurando a via da paz e tentando a convivência amorosa com todos que me cercam.
Como sou sociável e aprecio muito dividir tudo com os outros, cruzo frequentemente com pessoas, algumas das quais, pacientes dessas ciências que mergulham fundo no ser, o que resulta, infelizmente, em algumas trombadas - no bom sentido, pelo modus vivendi de um e, de outro, aflorando no consciente verbal, papos às vezes desagradáveis e acusações diversas.
Explicitando mais, fui acusado numa dessas conversas de ser infantil e de precisar amadurecer mais. Procurei na relação específica com aquele ser algo que pudesse justificar isso e não encontrei nada. Depois a impaciente figura me imputou a acusação de eu não ser verdadeiro. Novamente busquei e não consegui entender esse julgamento. A psicologada me fulminou finalmente com a possibilidade de eu estar precisando de uma mãe, visto que nas minhas relações com mulheres, busco carinho e amor constantes.
Hoje caminhando, fiquei pensando em tudo isso e sorri. Levo uma vida evitando ao máximo pensar muito. Procuro evitar psicologias para que não pire de vez. Meu olhar tem sido de amar o mundo e as pessoas. Como sou muito carinhoso, até pelo fato de ser canceriano, gosto também de receber amor e carinho.
Às vezes determinadas atitudes que tomamos, podem ser vistas sob ângulos comprometidos com certos momentos de nossa vida comum, como imaturas, mas que foram tomadas sem segundas intenções.
Muitas pessoas tornam a vida muito psicológica, buscam explicações para nossos gestos, atitudes, falas e até a posição da língua no beijo pode conter um trauma infantil ou uma disfarçada timidez.
Quando um ser muito psicologado cruza com um como eu, as coisas ficam complicadas. Dizem que sou zen, não ligo nada para muitas coisas que incomodam multidões por ai. Minha busca é pela felicidade. Pensar muito é problema sim. Os mestres orientais, aos quais devoto atenção, mandam a todo custo fugir, correr dos pensamentos constantes.
Meu foco é na alegria, na observação da natureza e no amor mais puro. Se para viver bem eu precisar não dizer certas coisas, eu não digo. Se para ser feliz com minha parceira, eu precisar mudar, eu mudo.
Vou vivendo naturalmente, não sou de pensar muito as coisas nestes aspectos. Muitas vezes sou surpreendido com essas definições em torno de algumas coisas que faço. Se busco uma mãe nas mulheres, espero que encontre logo. Se for errado mudar para que possa conviver melhor, vou continuar errando, para mim o que importa é o amor, é a felicidade, é o se sentir bem, afinal crianças às vezes são mais velhas que os velhos, que às vezes são mais crianças que as crianças e, assim, seguimos todos, em busca de paz, luz, amor e alegria interior.
