Edição Número 0743 - Ano II - Natal e Mossoró, Terça-feira, 07 de Outubro de 2008.
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Materialismo e avareza, vantagem ou loucura?

Públio José
Jornalista

Desde os tempos mais remotos os homens se batem entre essas duas realidades: a da existência apenas da matéria e a da existência de algo insondável, inexplicável, misterioso, impalpável. De um lado, aqueles que rebatem haver qualquer lógica na possibilidade da ocorrência de algo que não seja a matéria. De outro, os que pretendem transpor a fronteira do visível para alcançar um mundo que é explicado apenas no terreno da fé. A questão que se coloca aqui é a tendência generalizada do materialista em se tornar uma pessoa egoísta. E porque isso acontece? Por que o materialista tem a necessidade de levar grande parte do tempo negando. Negando a existência de algo que não vê, de um mundo que não conhece - e não quer conhecer, negando a vida após a morte, negando a validade da fé, negando uma escala de valores nascida e instituída por Deus. Negando, negando, negando.
Esse hábito de negar, de desacreditar, de não se informar a respeito das coisas que não conhece, faz do materialista um ser azedo, seco, árido. Propenso a uma crítica feroz a tudo aquilo que a sua lógica não alcança e detentor de uma postura que, por sua vez, redunda em pobreza intelectual e espiritual, além de ocasionar a manifestação de um olímpico desprezo pelos que não concordam com suas convicções. O que se conclui é que o mundo material não necessita de explicação nenhuma. Ele está aí, ele existe - e ponto final. Já o mundo imaterial, ou espiritual, ao qual se tem acesso pelo cultivo da fé, é de difícil explicação, pois sua existência foge à lógica do conhecimento humano e dos dogmas científicos. Seu alcance, portanto, é algo bem mais complexo, bem mais intrincado, de encaminhamento mental mais aprofundado, fato que vem exigir das pessoas, inclusive, maior esforço intelectual.
Jesus Cristo certa vez afirmou que "o homem fala do que está cheio o coração". Com base nessa colocação, como fica o materialista? Aliás, como ele explica a existência do coração como "máquina espiritual" se ele não aceita nada mais que não seja a matéria? Por ter o coração cheio de desprezo, de complexo de superioridade em relação aos que crêem, o materialista fecha a janela da inteligência a outros conhecimentos e se abstrai totalmente da delícia que representa o exercício da fé. De voar para outros horizontes, de exceder os limites do possível, de enxergar alternativas onde a razão pura e simples é impedida de enxergar. Com o coração assim, o materialista investe num discurso dito racional, porém ácido, exclusivista, seco, desprovido, portanto, de palavras e sentimentos que tornam a vida mais leve, mais prazerosa, mais apta ao enfrentamento das dificuldades do dia a dia.
O homem que se torna materialista acredita em três premissas básicas: cada pessoa é dona do que possui; a vida do homem consiste na abundância de bens que possui; e o homem pode dispor a seu modo de tudo que possui. Como se vê, enunciados que aproximam, perigosamente, o materialista da liça da avareza, da cobiça, da insensibilidade social, sentimentos que retratam uma incontida preocupação pelos bens materiais, sua posse e aquisição, supondo que isso é o essencial da vida - em detrimento da vida espiritual. O materialismo transformado em avareza carrega o homem para um terreno extremamente escorregadio, onde viceja o desejo desordenado de possuir coisas e riquezas com o fim, específico, de satisfazer exigências egoísticas individuais, tornando-o duro e insensível para com os seus semelhantes. A conseqüência inevitável é transformá-lo em escravo do dinheiro.
Mas, apesar disso tudo, haverá saída para o materialista, para o avarento? Há. Primeiramente se ele quiser. Em segundo lugar se estiver disposto a abrir a mente para uma visão mais larga da vida, procurando descobrir novos horizontes do conhecimento, ultrapassando a fronteira do dogmatismo, do hermetismo, do estreitamente intelectual. Abrindo a janela da inteligência e se permitindo alcançar uma nova escala de valores, passando, com isso, a flutuar em um novo patamar espiritual. Por sinal, Jesus, em determinada ocasião, certamente falando para essas pessoas, disse: "Tomai cuidado com qualquer tipo de avareza, porque a vida de um homem, embora ele esteja na fartura, não depende das suas riquezas". Depende, na verdade, de um bom relacionamento com Deus e, por conseqüência, com o próximo. Vamos abrir?

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