Esses mal-entendidos...
18/06/2008 16h15
Valério Mesquita
Escritor
01) Nos anos oitentas, eu era presidente da Fundação José Augusto, quando fui procurado pelo então prefeito de Parazinho, cidadezinha no Mato Grande que comemorava a festa do padroeiro local. Pedia-me que incluísse na programação a ida do Circo da Cultura. Solicitei que falasse com o professor Evilásio Leão de Moura, diretor administrativo para os acertos. E lá se foi o amatutado prefeito. Evilásio, com o seu palavreado domingueiro, atendeu ao "intelectual" edil afirmando que a funcionária Aparecida daria o feed-back depois. O prefeito, sem entender bulhufas, voltou à minha sala para dizer que "não desejava nada daquela moça. Só queria o Circo da Cultura em Parazinho". Foi difícil explicar que feed-back não era nada do que ele estava pensando.
02) Também com João Teixeira, meu motorista, bronco e desconfiado, aconteceu um fato semelhante. Teixeira chegara de Macaíba, e tomava comigo o café da manhã em Natal, quando lhe perguntei, sequioso de notícias da terrinha: "João, quais são as novidades do front?". Em cima da bucha, Teixeira desconversou: "Nham. No meu front mesmo nunca teve novidades".
03) Não posso deixar de reconhecer a "sabedoria" de alguns eleitores que, para se mostrarem espertos, cometem ingenuidades dignas de registro. Certa vez, eu estava em meu gabinete da Assembléia sentado à parte, e na cadeira parlamentar, o então vereador macaibense Chico Cobra, quando entra uma senhora residente na Zona Norte, em Natal. Dirigiu-se logo ao vereador chamando-o de deputado, convencida de que era eu. Chico com naturalidade assumiu a circunstância. A mulher, na avidez de pedir, não prestava atenção a nada, pois só queria ser atendida. E o Chico, cobra criada, apontando para a minha foto grande na parede, perguntou a eleitora: "Parece comigo mesmo?". "É todinho o senhor deputado. Lá em casa tem dez desses!", respondeu a mulher para agradar logo e obter o intento. Quando me levantei e procurei desfazer o equívoco, ela não se deu por vencida. Olhou para Chico Cobra e ainda perguntou: "E esse, apontando para mim, não é o seu irmão deputado?". Chico respondeu: "É. Irmão gêmeo".
04) A vereadora Iraci Cavalcante, esposa do ex-prefeito Poti Cavalcante, presidia mais uma sonolenta sessão na Câmara Municipal de São Gonçalo. Em dado momento, o primeiro secretário da mesa reclamou da falta da almofada para carimbar o expediente. Sem formalidade, D. Iraci pediu a uma mocinha conhecida, que se sentara à frente, que fosse até sua casa, vizinha à Câmara, e trouxesse uma almofada. Não precisa dizer que D. Iraci era tabeliã pública e num cartório o que não faltam são os carimbos e as almofadas. Eis que surge, no plenário, em plena sessão, a jovem prestativa com uma imensa almofada de sofá à cabeça, para a surpresa e o riso dos presentes.
05) Pedro Luiz de Araújo, o famoso Mestre Pedro das tiradas espirituosas e jocosas, comparece hoje com mais uma estória do seu rico folclore. No período eleitoral, a política macaibense fica densa, tensa e intensa. Nos idos de 1970, Mestre Pedro era vereador e desenvolvia oposição cerrada ao então prefeito. Discursando na Câmara contra os gastos excessivos da prefeitura e procurando atingir o prefeito e o tesoureiro, Mestre Pedro saiu-se, na tribuna, com esta frase lapidar: "Dois piriquitos numa quenga não tem mio que chegue!!!".
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