Correio da Tarde

O Nordeste é solução

02/07/2008 16h26

Rinaldo Barros
Professor da UERN

O Nordeste é uma região com 1.548.672 km2, três vezes o tamanho da França, mais ou menos do tamanho do México, equivale a 18,2% do território brasileiro, onde vivem 30% da população, cerca de 50 milhões de habitantes. Esta população é igual às da Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai, somadas.

Poucas pessoas possuem clareza sobre a dimensão do Nordeste. Menos ainda sabem de sua potencialidade econômica, do que nossa gente seria capaz, desde que tivesse efetivo apoio governamental, assistência técnica, crédito e condições para produzir.

O Nordeste não é problema, é solução para o Brasil.
Basta que se inverta a tendência da política econômica que foi imposta à região nas últimas décadas. Ao invés de ter o monetarismo como base, apostar no desenvolvimentismo.

Ao invés de investir em indústrias urbanas de alta tecnologia, importando capitais, geralmente, multinacionais, que não geram grande número de empregos e, ainda por cima, remetem seus lucros para fora da região, o governo deve gerar incentivos para fortalecer as pequenas e médias empresas, proporcionando-lhes infra-estrutura, crédito e assistência técnica, com ênfase para as agroindústrias produtoras de alimentos básicos.

As pequenas e médias empresas ocupam 86% da força de trabalho. Apoiada e incentivada, a pequena e média empresa, ao lado da construção civil, poderiam ser a linha mestra da alavancagem para o desenvolvimento da nação nordestina.

O artesanato e a manufatura, absorvedoras de grandes contingentes de trabalhadores, devem ser prioridade, para combater o efeito destruidor de empregos que teve a grande indústria intensiva de tecnologia avançada. Lembremo-nos da indústria salineira e sua desastrosa mecanização, que teve como conseqüência o desemprego para 15 mil trabalhadores, todos despreparados para outros setores da economia regional.
Quem ganhou com a mecanização da indústria salineira, no Rio Grande do Norte?

A região está relativamente mais pobre, mais da metade da população encontra-se na indigência nas grandes cidades, e as tensões sociais revelam índices semelhantes ao do continente africano. Sem falar no crescimento da violência.

O efeito da concentração industrial no litoral é devastador e vem provocando o desequilíbrio da economia da região. Os investidores de grandes capitais são descompromissados e buscam apenas a obtenção do lucro máximo, usufruindo das isenções fiscais e dos financiamentos. A melhoria da qualidade de vida e o futuro do Nordeste não estão na pauta das preocupações desses forasteiros.

A meu ver, se há uma lição a aprender com a experiência da industrialização do Nordeste nos últimos 25 anos, é a que ensina que o caminho não é esse.

Na maioria dos casos, a orgia dos financiamentos via SUDENE resultou num verdadeiro "cemitério de sucatas industriais", onde repousam os cadáveres de projetos aprovados na euforia, mas que somente produziram desolação e miséria.

A megalomania dos planejadores tecnocratas produziu um número impressionante de "elefantes brancos" que devoraram valores incalculáveis de recursos públicos subsidiados. Recursos esses que poderiam ter transformado o Nordeste brasileiro num celeiro maravilhoso, capaz não apenas de atender adequadamente à população, mas também exportar o excedente, gerando divisas para a região.

A atual falta de alimentos no mundo acentua esse papel econômico do Nordeste.

Os novos governos municipais nordestinos, os governos estaduais e o Governo central terão de implementar, de imediato, o fortalecimento da infra-estrutura intermodal de transportes e uma nova política econômica direcionada para o pequeno e médio produtor.

A verdadeira aceleração do crescimento, com prosperidade, virá por gravidade.

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