Evolução da vida
11/07/2008 19h26
Rinaldo Barros
Professor da UERN
A partir de hoje, vou tentar produzir uma série de artigos sobre a evolução histórica da vida em nosso planeta, tendo como objetivo cumprir um roteiro de estudos aprovado pelo Programa de Pós-doutorado da Universidad Autónoma de Zacatecas, no México, o qual muito me honrou com um convite para integrar sua rede de pesquisas. O projeto aprovado estudará as políticas públicas de incentivo as Nanotecnologias, no Brasil.
Vamos começar bem do comecinho.
Como vocês se lembram, após bilhões de anos do inacreditável Big-Bang, um planeta sem nada de especial chamado Terra foi formado. Alimentados pela energia do Sol, os elementos naturais formaram moléculas cada vez mais complexas.
Dois bilhões de anos depois, a vida começou. Em linguagem mais técnica, padrões de matéria e energia que podiam se perpetuar e sobreviver, se perpetuaram e sobreviveram.
Com lento passar do tempo, os padrões tornaram-se mais complexos do que meras cadeias de moléculas, e surgiram as sociedades de moléculas com funções distintas.
Após mais 3 bilhões de anos, os primeiros organismos vivos terrestres (haverá vida em outros planetas?) emergiram: os procariotas (unicelulares e anaeróbicos), os quais não precisavam de oxigênio para viver. Água e Carbono está na origem da vida.
As primeiras inovações fizeram surgir um sistema genético simples. A habilidade de nadar e a fotossíntese montaram o cenário para os organismos mais avançados, consumidores de oxigênio. Os agregados de moléculas, chamados células, se organizaram em sociedades de células com a aparência das primeiras plantas e animais multicelulares por volta de 700 milhões de anos atrás.
Somente 130 milhões depois, os primeiros projetos de corpos básicos dos animais vieram à luz, baseados na coluna vertebral, o que forneceu aos primeiros peixes um eficiente mecanismo de natação. O leitor já percebeu que a vida surgiu no mar, pois não?
Desde então o ritmo acelerou. Enquanto a evolução levou bilhões de anos para fazer surgir as primeiras células, em apenas alguns milhões de anos surgiram os primeiros animais
Quando alguma calamidade (um choque com um asteróide?), há 65 milhões de anos, acabou com os dinossauros, os mamíferos herdaram a Terra (embora os insetos discordem disso).
Com a emergência dos primatas, o progresso passou a ser medido em meras dezenas de milhões de anos. Os humanóides surgiram há apenas 15 milhões de anos.
Com cérebros maiores, nossa própria espécie, Homo Sapiens, emergiu há - mais ou menos - 500 mil anos. Para decepção de leitor, Homo Sapiens não somos diferentes de outros primatas, em termos de herança genética. O DNA deles é 98,6 por cento idêntico ao nosso.
O Homo Sapiens se distingue por ter criado a tecnologia e a cultura.
Nossa história está marcada agora em dezenas de milhares de anos.
Uma curiosidade: existiram, pelos menos, duas subespécies do Homo Sapiens. O Homo Sapiens neanderthalensis emergiu por volta de 100 mil anos atrás, na Europa e no Oriente Médio, e depois desapareceu misteriosamente entre 35 e 40 mil anos atrás.
Não temos certeza do que ocorreu com os nossos primos, mas tudo indica que eles entraram em conflito mortal com os nossos próprios ancestrais imediatos, e se deram mal. Nós, Homo sapiens sapiens, fomos capazes de sobreviver, provavelmente, por termos sido mais violentos e utilizarmos melhor a tecnologia para dominar e matar, já naquela época.
É importante observar que a tecnologia, assim como a evolução das formas de vida que lhe deram origem, é inerentemente um processo de aceleração. O progresso da tecnologia no século XIX, por exemplo, excedeu enormemente o dos séculos anteriores. O crescimento exponencial contínuo da tecnologia, nas primeiras duas décadas do século XX, foi igual ou maior ao de todo o século XIX.
Atualmente, temos grandes transformações apenas em alguns meses.
Com o advento da Nanotecnologia (átomos), capaz de modificar a estrutura da matéria, aliada à Tecnologia da Informação (bits), à Biotecnologia (genes), à Neurociência Cognitiva (neurônios) e à Internet, os seres humanos estamos inaugurando uma nova era, quiçá, ao ponto de estender o controle humano a todos os objetos, a vida, ao conhecimento, ao transcendente.
Ah! Esqueci de dizer que um Nano equivale a 1 bilionésimo do metro, que é a largura de 5 átomos de carbono. E que as pesquisas em Nanotecnologia já movimentam dezenas de bilhões de dólares por ano, em curva crescente.
Resta saber o que isso tudo significa em termos de impactos sociais, políticos e ambientais para a sociedade que vivemos.
Deixo a reflexão com o leitor.
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