Correio da Tarde

Traiçoeiras e corruptas

19/07/2008 12h42

José Carlos L. Poroca
Adviogado, executivo do segmento shopping centers

Ia começar este texto dizendo que, 'nos tempos de hoje, coisa e tal'. Se tivesse seguido a seta, entrando por este caminho, chegaria ao terreno da repetição - o primeiro engano; o segundo, porque não tenho a plena convicção de que o 'mal' é fruto da modernidade, se vem da Idade Média ou se já existia na época do descobrimento da roda. Estou me referindo, ainda que de forma subliminar, às variações e mudanças de pensamento, de personalidade, de partido - todos começando pela letra pê. Os três pês, há não sei quanto tempo, se comportam como as marés: vêm e vão, vão e vem.
Também não posso afirmar se essas mudanças têm relação com as fases da lua, com o movimento de rotação da terra ou se existe algo relacionado com os planetas descobertos pelos 'espias' do universo. Os mais antenados poderão confirmar o que estou dizendo e, se for o caso, atuar na condição de testemunhas em qualquer processo de acusação de exagero que possa vir contra mim. E não é invencionice, não. A cada dia, divulgam a descoberta de novas luas do nosso irmão-planeta Júpiter. Deram nomes dos mais variados: Adastréia, Amaltéia, Tebe, Iocaste, Ananque, Arche, Pasite, Chaldene, Isonoe, Aitne, Taigete, Carme e mais umas duas a três dúzias. Também descobriram luas em Netuno, em Saturno e no rebaixado Plutão.
Só a título de esclarecimento, informo que o meu conhecimento sobre os astros é bem primário; primário, não, pré-primário, quase um analfabeto. Não digo 'analfabeto', porque sei que a lua é o satélite da terra, que o sol é uma estrela localizada na Via Láctea, etc. E para que também não digam que estou inventando, informo que os nomes dessas luas foram copiados de uma dessas revistas que editam temas sobre o universo. Aliás, tenho o maior respeito pelas pessoas que pesquisam os mundos estelares; tenho também a maior admiração pelos astronautas que passam semanas e meses naquelas estações flutuantes no espaço e acho os nossos pilotos brasileiros - os que comandam os 'bichos' que voam a mais de 800 Km e a uma altura de mais de 10 mil metros, em relação ao solo - uns heróis.
A lua é linda, o céu é belo e as nuvens são - como direi? - engraçadas e misteriosas. Se quiser me estender pela área, direi também que o ar - aquele espaço por onde passam os 'bichos' - também é misterioso e gosta de pregar peças, como brincar de criar áreas de instabilidade, as que obrigam quem está 'avoando' a ficar sentadinho, fingindo que lê, fingindo que dorme, fingindo que conversa. Querem saber como a gente descobre o grau (alto ou baixo) de fingimento? - Experimentem jogar algo que produza barulho no chão do 'bicho'. Em segundos, o 'engraçadinho' terá uns 200 olhos sobre si, acompanhados de algum xingamento ou de expressões impublicáveis. Se somarmos ao estágio de aprimoramento na administração do espaço aéreo dos aeroportos brasileiros, podemos dizer, sem medo de errar, que estamos no céu - no sentido mais amplo e sob qualquer versão.
Por isso, cada vez mais adoro o solo onde piso. Tenho profunda admiração pela terra, de preferência com verde em volta, sem buzinas e sem faróis inconvenientes atravessando o ambiente. Cheguei a imaginar que, em outras vidas, vivi a experiência de ser um réptil (uma lagartixa, vá lá) ou de um daqueles animais que gostam de ficar escondidos sob a terra. Se alguém pensou no 'tatu', acertou em parte. Desisti da idéia quando descobri que estes mamíferos desdentados reproduzem-se por poliembimonia. A partir de então, fui anotando os animais que não têm asas, não voam e que gostam do chão. Fui eliminando uns, pela ausência de afinidade; outros, pelo aspecto. Sobraram as formigas.
Confesso que, a priori, não vi muita semelhança com esses insetos: traseiro grande, forte cheiro de ácido fórmico, fêmeas dimórficas e prognatas. Os machos, coitados, só servem para trabalhar, namoram uma vez na vida e morrem a seguir. Não foi só. Quase desisti quando soube que elas, as formigas, são traiçoeiras e corruptas. Nos formigueiros, há muito conflito e muita tapeação. Passei, então, a estudar sobrea possibilidade da nossa ascendência está mais atrelada às formigas e menos aos macacos. Sorry, Darwin. As mudanças continuam...

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