Correio da Tarde

Coações irresistíveis

22/07/2008 14h46

Valério Mesquita
Escritor

01) Em Angicos, o fazendeiro Manoel Guilherme, carinhosamente chamado de seu Mineca, entrava na feira da cidade, montado em seu alazão, e, depois das obrigações sempre ingeria várias lapadas de cana. Num dia desses, um compadre o chamou para passear no seu "automóve" - Ford 26. Prosando e bebericando, aconteceu que o veículo caiu num buraco, numa das ruas de acesso a feira. O prefeito Pedro Moura, que só andava à pé, de paletó e gravata borboleta, foi passando, e comentou: "Tire esse troço do meio da rua!". O velho Mineca não gostou. "Troço é você, seu prefeitinho de bosta! Olhe que eu sou padrinho de Aluízio que é governador, "fio" de meu "cumpade" Nezinho. Por que você não tapou esse buraco no meio da rua, heim?". E saindo do carro completou: "Saia da minha frente, senão, eu vou tomar uma de cana e tirar o gosto com essa gravata borboleta! Chispa daqui!". O prefeito entendeu a ameaça e saiu ciscando.
02) Antonio Severino, um gari são-gonçalense, é pouco conhecido por esse nome. Agora, se chamado "Cabeça", toda cidade sabe de quem se trata. Irreverente ao máximo, "Cabeça" sabe tudo e mexe com todo mundo. Recém eleito, o deputado Poti Júnior estacionou o carro na praça Dinarte Mariz, e, foi agradecer o voto de vários conterrâneos ali reunidos. Logo se viu cercado de amigos. Poti distribuía uma "ajudinha" aqui e outra acolá. "Cabeça" de longe, gritava: "Poti, cadê o meu? Poti, quero tomar uma "cana"?". Como o parlamentar não respondia, rodeado que estava, "Cabeça" mudou o discurso. "Poti você num se lembra de mim não? Quando "nós era" menino, jogando bola, e correndo atrás das burras prá montar, não se lembra? Joga aí uma nota prá mim!". Poti, habilmente, amassou uma nota de R$ 10,00 e jogou para o gari, antes que ele "lembrasse" de mais besteiras.
03) Em Mossoró, Chico Lucas é um proprietário rural. O plantio de trigo e arroz estava lindo. Lucas Júnior, seu filho, era o pastorador. Trata-se de um garoto de quinze anos, no pico da puberdade. Certo dia, a caminho do roçado, onde espantaria os passarinhos, "Papa arroz", "Jaçanã", etc., assistiu uma cena que marcou sua mente. A cabocla Luzinete, trocava de roupa, depois de tomar banho no açude. Júnior não se conteve e partiu para a briga desigual de "cinco contra um", e, usou a munheca. Mais tarde, repetiu a dose. O pai que se aproximava da roça começou a chamar: "Juninho, Juninhôô". O adolescente já "nas últimas" balbuciou baixinho: "Xô Jaçanã... xô, xô, já..ça..nã..xô, çanã...".

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