Correio da Tarde

Vivendo a Austrália

24/07/2008 15h59

Hugo Galvão
Filósofo

Belo dia para começar a escrever sobre a Austrália. Bem verdade não ser mais dia, a noite já chegou, o frio está presente a ponto de se ter a necessidade de ir à cama, colocar o cobertor, ligar o "electric blanket" (seria mais ou menos como uma forra de colchão elétrico) e aproveitando aquele calor nada comum, cair nos braços de morfeu. Até digitar essas palavras é dificil devido as mãos desnudas para poder teclar. O que fazer? Claro! Após duas semanas na Austrália eu tenho mais que obrigação de escrever para o Brasil, o Rio Grande do Norte, Mossoró e Natal especificamente… Tão distante e ao mesmo tempo tão próximo, presente em um lugar mais que unido, expressamente e profundamente incluído em meu coração.
A Austrália não parece ser muito distante do Brasil quando lembramos dos entes queridos que estão 19 horas de vôo além-mar. O oceano pacífico parece um pequeno braço de rio quando sem querer mas querendo, volvemos nossas atenções para o outro lado do mundo (agora não é mais a Oceania que está distante, mas todo o Continente americano). Realidades outras, estilo, culturas e língua diferente, o que mais a Austrália e expecificamente Sydney tem de semelhante com o Brasil é a diversidade de raças. Mas o Brasil é melhor! Sem dúvida, mesmo diante dos males que são enfrentados em nosso País, mesmo diante dos problemas, das necessidades, de tudo, o povo brasileiro é uma "espécie" única e fora do comum.
De qualquer forma e diante de tudo, vamos ao que mais interessa: Austrália! O que é este país tão continental quanto o Brasil? Sei lá!!! - Poderia respondar sem pensar… Mal conheço Sydney!! - Era a desculpa mais aparente. Contudo, o pouco que já conheci e o muito que ja andei `caminhando` (o transporte coletivo aqui custa em média três dolares australianos, por isso não dá para sair por aí toda hora pegando ônibus ou metrô), posso dizer ser uma região que ainda continua a ser desbravada, agora, nos dias contemporâneos, precisamente pelos asiáticos. Não sabemos ainda distinguir, mas o que tem de japonês, chinês e sei lá quantos de olhinhos puchados, estava fora de nossa compreenção e entendimento sobre Sydney. Imaginávamos uma cidade tipicamente fundada por britânicos e na realidade fora. Mas ela foi no último século invadida por imigrantes europeus, depois nas últimas décadas, pelos asiáticos.
E dizem que brasileiros tem muitos por aqui, aos milhares. Vimos poucos ainda. Mas de qualquer forma, nesses dias que se aproximam da Jornada Mundial da Juventude iremos ver gente de toda a parte do mundo. Eu mesmo ja puxei conversa com tailandês, escocês e paquistanês, sem contar com os portugueses ja naturalizados na Austrália. Por fala neles, outro dia jantei com uma família portuguesa. Prato principal: polvo! Como se não bastasse uma comida exótica, eis que eles estavam fritos, tostados, bem assadinhos. Um pouco sem sabor, mas o óleo de dendê, o azeite de oliva português realssava o gosto.
Assim vão passando as experiências vividas no presente, inserindo-se as lembranças adquiridas do passado e a perspectiva de novidades no futuro. Passam-se os dias, falando um inglês em partes, escutando-o sem entender quase nada, realizando o que é possível diante de tudo o mais que é diferente e nem por isso ruim. Pelo contrário, aprendido e apreendido, para ser entendido e por vezes assimilado. Entre eles, o fato de não pegar nas coisas achadas na rua. Todavia, se tiver que fazer isso, colocar o objeto em tal lugar que possa ser melhor visto por quem perdeu. Eu mesmo já achei uma moeda de dez centavos, saquinho fechado de batata frita, uma chave de fenda pequena. Hoje até moedas de um dolar encontrei na casa de outros portugueses. Por falar novamente neles… Como falam os portugueses! Parece ser cultural. Não podia imaginar que português falasse tanto sobre tudo! E tão cordiais são quanto falam.
Diante disso tudo, só nos resta contemplar a realidade presente, melhorar o nosso conhecimento antes aparente do mundo, de outros povos e culturas diferentes e deveras distante da nossa. Em um `outro mundo`, por ser distinto do nosso, a verdadeira intenção de vir para cá ainda está para ser saciada. A presença do Papa aqui é esperada, não com tanto interesse religioso como no Brasil, nem por isso menos querida e desejada pelo mundo inteiro. Esse povo, neste cantinho do mundo, já muito secularizado, necessita da presença do Santo Padre, assim como o resto do mundo, ou melhor, de todo o mundo que veio para Austrália, está aqui presente e aberto para que o Espírito Santo encha a todos de Seu poder, soprando o amor presente no Evangelho, se espandindo mais por toda o globo terrestre.

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