Correio da Tarde

Pena Aberta - Líria Nogueira


Nó cego em laço de seda

Como todo mundo, conheço casais que viveram muitos anos sem enjoarem um da cara do outro. Se a cola para isso foi o amor ou o ódio, eu diria que foi justamente a mistura dos dois que os fez unidos tanto tempo assim.
Seria muito sacal viver tudo certinho, sem o inesperado, sem uma magoazinha que seja para ter que fazer as pazes depois, para ter o que admirar em nós mesmos descobrindo o quão podemos ser compreensivos, quando queremos.
O amor é a cara da pessoa que se ama. Como se a gente dissesse:
- Olha, Márcia, esse vestido é a sua cara!
Amar é meio assim, a cara da gente. Por isso mesmo que amamos desiguais, nem melhor, nem pior, diferente. Uns amam apressadinhos com medo do bem acabar, outros já acham que tem que moooorrer para poder amar direito, tem daqueles que para se certificarem de que amam quem dizem, testam o próprio amor em outras pessoas, sabe como é, né? É para ter certeza... Também tem os amantes fechosos, cheios de purpurina e confete, existem amantes violentos, que se batem, amantes que mentem e amantes que acreditam.
Deveríamos ter uma identificação amorosa como temos uma na carteira de identidade para facilitar as coisas e diminuirmos as possibilidades das decepções amorosas. No verso do documento viriam informações cruciais, como: AMANTE TOLERANTE - BOM NÍVEL DE ACEITAÇÃO PARA CENAS DE CIÚME, ou AMANTE INVETERADO - DIFÍCIL ADAPTAÇÃO À PARCEIRAS JOVENS, ou ainda AMANTE DUVIDOS - CAROÇO EMBAIXO DO ANGÚ, ou também AMANTE SINDRÔMICO - ASSIMILA TODAS DESDE ÉDIPO. Simples assim, em um cantinho na carteira de identidade.
Já que indispomos disso, vamos amando como dá. Ou vamos dando à medida que amamos, talvez fique melhor. O equilíbrio é que é difícil, o desprendimento é complicado e o amor, às vezes é atropelado por grosserias. Os casais esquecem de como ele era amarelinho no começo da relação e com o passar de alguns anos ficam roxos de raiva diante do menor conta-senso.
Não ensinam na escola a manter um casamento. Nem os pais dizem para a gente como fizeram para levar o deles. Não revelam que a gente, em um casamento, tem que amar os defeitos do outro, talvez principalmente os defeitos porque o ser humano não consegue ser cem por cento bom o tempo inteiro.
A gente não escolhe os pais, escolhe o marido, a esposa... Comparo o casamento com uma fita de seda, bem macia, que a gente vai escorregando os dedos indicados e polegar por sobre ela sentindo a maciez do tecido. Aqui ou ali podem ser encontrados uns nozinhos onde os dedos vão topar, mas eles não tiram a beleza do laço.
Aproveitem o São João bem juntinhos e até terça que vem.

Prêmio Cosern de Literatura na Feira do Livro de Mossoró

Abertas até o dia 11 de Julho de 2008 com o tema "O que um livro pode fazer por você?", o Prêmio Cosern de Literatura é destinado aos estudantes do ensino fundamental e médio. Os interessados em participar podem fazer sua inscrição pelo site: www.feiradolivrodemossoro.com. É possível, neste endereço, ler o regulamento e imprimir a ficha de inscrição.

Leitura Para Dar de Presente

Katharina Gurgel me fez a indicação desse livro e meia hora depois iniciei sua ótima leitura. Sabe aquela amiga de trinta e poucos anos (ou até quarenta e poucos) que você adoraria lhe dar umas sacudidas? É o que Elizabeth Gilbert faz com sua escrita engraçada, irônica e inteligente - acorda mulheres quietas. Durante um ano ela aproveita, medita, namora e nos convida a seguirmos um rumo mais leve e depreendido na vida. Excelente opção para presente, sua amiga vai adorar.
Título: Comer, rezar e amar
Autor: Elizabeth Gilbert
Editora: Objetiva
Edição: 01
Número de páginas: 342

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