 Ingresso 'salgado' e horário inconveniente afugentam o torcedor
O papel da imprensa é o de informar ao torcedor e de (porque não!?) incentivá-lo à comparecer ao estádio em dia de jogos para incentivar o seu time de coração. Mas, a diretoria dos clubes deve cooperar e fazer a sua parte. Infelizmente, em Natal, isso não vem acontecendo. O ABC, por exemplo, poderia muito bem ter realizado uma promoção para os dois jogos seguidos - amanhã e sábado - do time de Ferdinando Teixeira, no Frasqueirão. Não fez. O resultado pode ser sentido no bolso, do clube. E ainda tem um agravante: a partida contra o Bragantino, nesta terça-feira, começa às 21h45. Quem mora na Zona Norte da cidade tem que ser muito apaixonado pelo clube para sair tarde da noite de casa, arriscando não ter como retornar ao seu lar. É que o jogo termina por volta da meia noite e neste horário raramente tem ônibus circulando pelas ruas de Natal, salvo se o clube solicitar uma frota extra e exclusiva para o jogo. Sem falar que sábado tem jogo de novo. São no mínimo R$ 40,00, só de ingresso, para quem não compra a preço de estudante ou de idoso. E aqui vale ressaltar o grande número de pessoas, inclusive, adultos, que compram ingresso de estudante. 'Digno' de se registrar no Ministério da Educação. Como em Natal tem gente estudando...
Bilheteria = Receita
Quando será que os clubes do futebol brasileiro, em especial das regiões Norte e Nordeste, vão deixar de ter as bilheterias como sua principal fonte de renda. Isso não cabe mais no futebol moderno. Guardada as devidas proporções, claro, os dirigentes deveriam se espelhar em quem faz bem feito, neste caso, os europeus. O marketing, por exemplo, precisa ganhar um espaço bem maior na estrutura diretiva e no planejamento. Há uma necessidade enorme de prospectar novas fontes de recursos. As bilheterias deveriam ser apenas um 'extra' na conta dos clubes. O torcedor não é bôbo e com os jogos sendo transmitidos pela TV a galera tem preferido gastar o dinheiro do ingresso num barzinho com os amigos ou em casa (para quem comprou o 'pacote' de jogos da Série B - ou A - do Campeonato Brasileiro). A prova está na acentuada queda nas rendas dos jogos em Natal, mais no Machadão, até pela má campanha do América na competição.
Frasqueira elitezada (?)
A torcida do ABC não é mais a mesma. Depois da inauguração do estádio Frasqueirão, aos poucos, foi diminuindo o número de torcedores mais humildes que formavam a imensa maioria 'Frasqueira'. Com ingressos pela hora da morte, para quem ganha um salário mínimo (e às vezes nem isso), e a falta de transporte para se chegar ao estádio, o povão deixou de ir aos jogos do ABC. A Frasqueira se "elitizou". E isso é muito fácil de observar nos dias de jogos no Frasqueirão. A galera da antiga geral do Castelão sumiu, abrindo espaço para a turma que dispõem de um poder aquisitivo bem maior. É comum ver nas arquibancadas do Frasqueirão mauricinhos e patricinhas torcendo pela ABC. Nada contra a turma do dinheiro, claro. Só sinto pena do torcedor mais humilde que tinha no futebol, talvez, a única forma de lazer e entretenimento.
América não cai
Se continuar no embalo do jogo contra o Marília, esquecendo os primeiros 20 minutos, é claro, o América não cai. O time do técnico Ruy Scarpino, que assistiu ao jogo das cabines de imprensa do Machadão ao lado do dirigente Ricardo Bezerra, cumprindo a punição (30 dias) imposta pelo STJD, não sentiu a ausência de Souza e de mais quatro virtuais titulares - Emerson, Anderson Bill, Jéferson e Saulo - e, por muito pouco, não aplicou uma goleada histórica no fraco time do Marília/SP. A prova de fogo, no entanto, será nas duas próximas partidas fora de casa, contra Santo André e CRB. A torcida não agüenta mais ouvir a expressão "Zona de Rebaixamento", que assombra a vida do Alvirrubo nas competições nacionais desde o ano passado.
"Uma vitória maiúscula. Uma vitória para dar moral"
Do lateral Aloísio, do América, que estreou na meia no lugar de Souza, punido
"16"
Mil atletas vão passar pela Vila Olímpica durante os Jogos Olímpicos de Pequim, na China
URL :: http://www.correiodatarde.com.br/colunistas/george_fernandes-32371
|