
Erasmo Carlos
erasmocarlos@correiotarde.com.brColorau News
OS ESQUECIDOS, NO BRASIL E EM MOSSORÓA desigualdade social é um dos maiores problemas brasileiros. A divisão do "bolo" no país penaliza sobremaneira os 40 milhões de brasileiros que passam fome e beneficia exageradamente 131 mil compatriotas que possuem mais de US$ 1 milhão em caixa. Aqui em Mossoró, 55,28% das pessoas são pobres (dados do IBGE), muitas delas saem de casa sem tomar café da manhã e não sabem se terão o que comer no almoço. Ao andar pela zona rural e favelas da cidade, não raro nos deparamos com situações extremamente comoventes. São crianças com barrigas deformadas pela incidência de germes, famílias almoçando farinha e açúcar, doentes morrendo a míngua e idosos sofrendo sem qualquer assistência médica ou social. São pessoas que a sociedade finge não existir, mas que elas existem, apenas não possuem voz. Estão lá, esquecidas, até que alguma delas furte uma lata de leite para saciar a fome do filho que não para de chorar. Não me recordo de ter lido na imprensa local, pelo menos recentemente, nenhuma matéria sobre a fome em nossa cidade, fazendo uma ampla abordagem trazendo causas, conseqüências e possíveis soluções. Nos jornais, apenas rotineiras matérias sobre construção de aeroporto, cobrança de taxa de estacionamento no shopping, qualidade da malha viária e, o mais inquietante, conchavos políticos. Ou seja, assuntos que interessam quem está no topo da pirâmide alimentar. Precisamos abrir os olhos para nossos irmãos que não possuem dinheiro para comprar o mínimo necessário para matar a fome. Pessoas que desconhecem qualquer tipo de lazer, vivendo apenas para comprar o básico do básico.
~Tente não se tornar um homem de
sucesso, mas um homem de valor.~ (Albert Einstein)
COLUNISMO SOCIAL
Ser colunista social em Mossoró é uma atividade bastante monótona e enfadonha. Sem muitas alternativas, o cotidiano destes seres é de uma incrível pobreza de opções. Pela manhã, vão para o Liberdade Shopping, onde transitam em todas as lojas a fim de pescar um brinde. Raramente compram algo e, quando o fazem, é dividindo em quantas vezes o cartão de crédito autorizar. O almoço é invariavelmente no Maison Buffet, ou, quando convidados, no Moinhos. Frise-se que eles só vão para o Moinhos quando convidados por terceiros, geralmente em lançamentos, pois lá não rola esta do "é dando que se recebe", o norte supra e absoluto dos colunistas sociais.
COLUNISMO SOCIAL 2
O que eles fazem entre as 14h e 16h é um grande mistério. Ninguém nunca vê um colunista social neste intervalo de tempo, assim como ninguém vê coruja durante o dia. Às 16h eles começam a aparecer em salões de beleza, livrarias (fingindo-se intelectuais), ateliês e academias de ginástica. Alguns voltam para o Liberdade Shopping, onde novamente dão a "sugesta" para que algum lojista lhes dê uma peça de roupa e ganhe uma notinha na coluna do dia ou da semana seguinte.
COLUNISMO SOCIAL 3
No finzinho da tarde, depois de pegarem os filhos no CCAA, eles passam no Maison Café, vizinho ao fórum, onde degustam salgados e refrigerantes numa lentidão impressionante, na esperança de que pinte por lá algum juiz ou advogado e diga a tão esperada frase: "moça, eu pago a conta ali". Já perceberam que depois do Maison Café advogados e juízes passaram a ser figurinhas constantes nas colunas sociais? Tai o segredo.
COLUNISMO SOCIAL 4
Entre 19h30 e 22h eles dão uma nova sumida, voltando para o mesmo local misterioso em que ficam entre às 14h e 16h. Às 22h eles surgem, já em alguma festa, com carga máxima, trazendo um carregamento de sorriso falso e uma sacola de frases fúteis. Ficam ali pela festa preparando o que farão depois dela. Uns enchem o bucho e vão embora satisfeitos. Outros saem das festas e vão para locais reservados fazerem coisas que até o cão duvida. Vez por outra nos chega relatos de algumas aventuras exóticas deste povo. São presepadas de deixar Ronaldo Fenômeno e Adriano boquiabertos.
COLUNISMO SOCIAL 5
No sábado à tarde a turma ou vai para o Cândidu's ou para o Mossoró West Shopping. No domingo, como fora combinado numa das presepadas durante a semana, seguem para uma praia próxima. Na noite do domingo, ou Pitts Burg ou Xerife's. Na segunda começa tudo novamente, Liberdade Shopping...
SARNEY
Senadores e setores da mídia cobram a saída do maranhense José Sarney (PMDB-AP) da presidência do Senado Federal. Ora, o problema da corrupção em nosso país não é isolado nem pessoal, mas sistêmico. Caso Sarney saia, assume Marconi Perillo, que também é um perigo, como são quase todos que ocupam o Congresso Nacional. Deputados e senadores representam fielmente a essência do povo brasileiro, louco por uma prebenda e um jeitinho.
TRIBUNAL DE CONTAS
Diariamente os jornais locais publicam manchetes informando que este ou aquele ex-prefeito foi condenado a devolver dinheiro aos cofres públicos. Há mais de dez anos vejo este tipo de manchete, o que não vejo, e ansiosamente aguardo, é uma manchete anunciando que este ou aquele ex-prefeito efetivamente devolveu o dinheiro. A impressão que se dá é que condenação do Tribunal de Contas e nada é a mesma coisa.
Anos 80
Vou jantar CREMOGEMA e depois brincar com meus PINOS MÁGICOS para ver se eu esqueço.
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