Edição Número 1.253 - Ano IV - Natal e Mossoró, Sábado, 20 de Março de 2010.
Capa Colunistas Erasmo Carlos

Erasmo Carlos

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Colorau News

Publicado na Edição Número 1168 - Ano IV
AS TENDÊNCIAS DA MÍDIA

Desde a segunda metade dos anos 90 a imprensa mundial vem passando por uma grande fase se transição, só equiparada a sua própria criação, por Gutenberg, em 1499. Televisões, jornais e rádios estão tendo que se adaptarem a esta nova era - da universalização da comunicação - proporcionada pela internet. Atualmente, a informação não é mais exclusiva de um meio de comunicação. Quem quiser pode se posicionar em frente a um computador e passar informações para milhares de pessoas. Tal possibilidade, contudo, não significa dizer que a forma antiga de fazer mídia está com os dias contados. Há até quem diga isso, mas discordo frontalmente. Há espaço para tevês, jornais, rádios, revistas, sites e blogs, basta cada um saber se posicionar dentro do mundo midiático. A chamada Cultura da Convergência mostra que um mesmo fato pode repercutir em diversas mídias, cada uma trazendo a porção que lhe seja mais afim. O fato é um gênero que pode ser dividido em tantas espécies quanto forem os órgãos de comunicação. Tais órgãos não devem brigar por uma mesma espécie, mas descobrir a sua e explorá-la. Na coluna de hoje tratarei de cada meio de comunicação, tentando mostrar suas características e quais devem ser seus focos.

TELEVISÃO

A grande audiência destes canais continua sendo no período noturno, sobretudo com os noticiários, mas há uma nítida tendência de queda no número de telespectadores. Atualmente, eles representam apenas 41% do que foi há três décadas. A maioria destes telespectadores tem mais de 55 anos de idade e são alheias aos recursos de informação disponibilizados na internet. Os produtores do programa Fantástico (Globo), por exemplo, não atentaram para este fato e perderam muita audiência quando começaram a exibir matérias sobre o comportamento dos adolescentes. Ora, o senhor que assiste ao programa está se lixando para coisas como primeiro beijo, primeira transa etc. No caso da televisão, ela deve voltar sua programação para a pessoa adulta que desconhece sites, blogs, Twitter e e-mails.

TEVÊ POR ASSINATURA

Neste caso, é difícil medir o índice de audiência. Entre 20h e 21h, por exemplo, o Jornal Nacional tem uma audiência bem superior ao canal Band News. Por outro lado, é difícil quantificar o número de pessoas que se informam por este canal noutros horários do dia e que não assistem ao Jornal Nacional. Eu, por exemplo, me informo mais pelo canal Band News do que pelo Jornal Nacional. A audiência da tevê por assinatura é diluída durante a programação. Assim, os canais devem reprisar seus programas várias vezes, em diferentes dias e horários.

TEVÊ A CABO

Nas últimas semanas tenho conversado com muitas pessoas que assinam a TV Cabo Mossoró (TCM). Destas conversas extraí que o canal local, o 10, é mais assistido por mulheres casadas e adultas. Os jovens preferem os canais de filme e séries, enquanto os homens adultos preferem os canais de esporte e de documentários. No geral, constatei que o canal local é bem menos assistido que os demais canais oferecidos pelo pacote. Poucas pessoas demonstraram conhecer a programação local, quem o fazia apontava apenas o programa policial e o jornal do início da noite. Percebi que o horário rígido da programação local não se adapta ao horário flexível do telespectador. Para dar visibilidade aos seus programas e apresentadores, o canal local deveria apresentar várias reprises, no entanto, seus diretores de programação vêm, erroneamente, ocupando os espaços em branco com shows musicais. Quem danado vai ficar parado em frente a um televisor para assistir a um show escolhido por outra pessoa? É ilógico.

RÁDIOS AM

É a forma de mídia que passa mais confiabilidade. Os programas noticiosos são fonte de informação para inúmeras pessoas, do grande empresário ao homem campesino. O equívoco é colocar programas de opinião durante a programação. Poucas pessoas sintonizam rádios para ouvir opiniões, mas para saber as últimas notícias. Além do mais, alguns programas tendenciosos abalam o pilar mestre desta mídia, que, como já disse, é a confiabilidade. As rádios AM devem continuar veiculando seus programas de notícias, sempre entrevistando autoridades, trazendo dados oficiais etc.

JORNAIS

É fato que todos os jornais mundiais perderam muitos leitores nos últimos anos, mas isso não representa o fim desta forma de mídia. Os jornais devem aproveitar ao máximo a estrutura que possuem (repórteres, viaturas, fotógrafos, estrutura física etc). Quando uma grande autoridade visita Mossoró, por exemplo, os jornais têm possibilidade de fazer uma ampla cobertura, trazendo os mínimos detalhes da visita. Os impressos devem alimentar suas matérias com muitos dados, gráficos, imagens e entrevistas. A pessoa compra um jornal para ver determinado fato tratado com maiores detalhes. Esse deve ser o foco.

BLOGS

Usados basicamente para expressar opiniões e trazer furos jornalísticos. Nesta mídia de um homem só nem sempre há recursos para trazer entrevistas, gráficos e imagens. O bom blogueiro é aquele que faz boas análises e que possui várias fontes. A informação do blog deve ser reduzida e acompanhada de uma análise. Quem se dedica mais, trazendo mais informações e boas análises, tende a ser mais acessado. O estilo também contribui para o sucesso do blog. Se o webleitor gostou da opinião do blogueiro Fulano sobre a visita de Ahmadinejad ao Brasil, ele voltará a acessar o blog para ler a opinião do blogueiro sobre o mensalão do DEM. Assim, os blogueiros precisam cada vez mais explorar suas características.

Anos 80

Vou ler a revista VISÃO e depois ouvir o programa de SÍLVIO FILHO para ver se eu esqueço.

"Acima de todas as liberdades, dê-me a de saber, de me expressar, de debater com autonomia, de acordo com minha consciência. "
John Milton




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