Erasmo Carlos
erasmocarlos@correiotarde.com.brColorau News
Publicado na Edição Número 1.385 - Ano V
O foco dos colunistas sociaisMaria Michelle, formada no Curso de Ciências Econômicas do Campus da UERN em Pau dos Ferros, levou o prêmio regional de melhor monografia de graduação, concedido pelo Conselho Regional de Economia da 19ª região. Assuntos como este mereceriam notas em colunas sociais, mas nenhum dos nossos trocentos colunistas mencionaram a conquista. A turma prefere elogiar a filhinha de Fulano, que ganhou um carro de presente do pai; ou a adolescente tal, que beijou horrores na festa da banda num-sei-o-quê do Forró; ou "madama" Beltrana, que estava com um look assinado pelo hair stylist do momento, e por ai vai. Uma explosão de futilidades e asneiras. A maioria das colunas sociais publicadas nos jornais de Mossoró são repugnantes e atentam contra tudo que é razoável e são. O toma-lá-dá-cá salta aos olhos. Prova disso é que os colunáveis são sempre pessoas que têm algo a oferecer. O casal mais chique da festa sempre é aquele que tem uma butiquezinha; o homem mais bonito é aquele médico amigo; o casal mais simpático é aquele do supermercado tal; o melhor vestido é o da mulher do homem da escola de idiomas, e o sorriso mais contagiante é o da dona do salão de beleza. Claro que há muitos que adoram e fazem de tudo para aparecer numa coluna social, mas nesse assunto não posso me aprofundar, até porque sou formado em Direito, não em Psiquiatria.
O niver da mãeDia desses, um colunista social resolver fazer o aniversário da mãe e então saiu por ai distribuindo os convites. Um empresário recebeu o colunista em sua sala, deu os R$ 1 mil solicitados para "ajudar" na festa, e então se despediram harmoniosamente. Logo em seguida um empregado entra na sala do patrão e este sapeca, curto e grosso: "Só este ano, é a terceira vez que a mãe desse rapaz faz aniversário". Depois caíram na risada. Realmente, só mesmo na pilhéria esta turma deve ser tratada.
As fotosTempos atrás, um fotógrafo da cidade foi convidado por uma colunista social para fazer a cobertura de sua festa. Convite aceito, o profissional passou a noite cumprindo sua tarefa. Como sempre ocorre, foi acordado que o fotógrafo depois venderia o material para quem tivesse interesse. Ocorre que a esperta colunista, logo após a festa, pediu que todas as fotos tiradas lhe fossem enviadas, pois ela queria colocá-las na coluna etc. Inocentemente, o fotógrafo passou as fotos.
As fotos 2Dias depois, o profissional revelou as fotos e, como de costume, procurou os fotografados para vender-lhes o material. Contudo, para sua surpresa, não conseguiu vender nada, pois a dona da festa já havia passado antes e distribuído as fotos. Ocorreu que a colunista, para fazer média com os colunáveis, revelou o material e entregou a todos (para receber um brinde em troca, é claro). Para não chegar às lojas etc. com as mãos vazias, usou as fotos como desdobro. Ao final, quem saiu perdendo foi o profissional, que além de não ter tido lucro, ainda ficou no "preju", vez que gastou com a revelação.
O golpe da caridadeVez por outra, uma conhecida mãe socialite de nossa cidade organiza pequenas festas para seus filhos. Em todas as ocasiões, pede aos convidados que levem uma lata de leite ou tantos quilos de alimentos não perecíveis. Deixando subentendido então que os gêneros alimentícios serão doados para alguma entidade filantrópica, ou mesmo distribuídos na periferia, mas não é bem isso que ocorre. Os alimentos seguem direto para a dispensa da socialite e de lá só saem para sua mesa. Já houve quem dissesse diretamente à socialite que aquilo não era correto, mas ela se defendeu dizendo que em nenhum momento disse que os alimentos seriam doados. Ah, tá...
InteriorTem de tudo nestas colunas sociais que cobrem os eventos nas cidades vizinhas. De festa de inauguração de lava jato em Alexandria à reunião de socialites para o chá da tarde em Caraúbas, de tudo se vê nestes espaços reservados para os colunistas sociais das cidades da região. Uma comédia.
Os sériosVale Frisar que há colunistas sociais sérios, que buscam escrever notas interessantes e edificantes, tudo sem "extorsão". Inclusive sou amigo e conheço alguns deles. Apenas os que agem na base do troca-troca se irritam e rebatem o que escrevo. Vestem a carapuça, se entregam. Eu não generalizo. Uso sempre os termos "alguns", "a maioria" etc. Nunca escrevo que todos agem assim, até porque sei, como já frisei, que há os sérios.
Leia os artigos das outras edições...