
George Fernandes
george@correiodatarde.com.brExtra Campo
Publicado na Edição Número 0708 - Ano II
Está na hora desse país "bronzeado" mostrar seu valorTodo fim de Olimpíada é a mesma coisa. A gente lamenta, acha um absurdo, critica a falta ou quase nenhum investimento do país no esporte e só. Bastam duas semanas para este tema cair no esquecimento do já sem memória povo brasileiro. E os atletas, aclamados como heróis pela "grande imprensa", voltam à triste realidade: sem dinheiro, sem estrutura de treinamentos para um atleta de alto rendimento, sem os holofotes da mídia, que 'abandonam' os 'heróis de outrora. O futebol feminino simboliza o retrato em preto e branco do desporto nacional. No embalo da medalha de ouro dos Jogos Pan-americanos do Rio no ano passado, a CBF, instituição privada, criou um Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino, que se sabe lá se vai haver este ano de novo. Os atletas das modalidades de menor apelo de mídia, como taekwondo, que até chegou a conquistar uma medalha de bronze em Pequim com Natália Falavignia, caem no esquecimento total. O governo, principal responsável por mais uma frustrante participação brasileira em Jogos Olímpicos - 15 medalhas, sendo apenas três de ouro, quatro de prata e oito de bronze -, fica quieto, na sua, fingindo-se de morto. Como se não fosse com ele. No nível federal, o governo iniciou um tímido investimento no esporte via estatais, como Banco do Brasil (vôlei), Correios (natação e futsal) e Caixa Econômica (atletismo); no nível estadual, ainda tem a Caern, que investe no atletismo. Mas, ainda é muito, muito pouco mesmo. São dois os principais problemas do esporte no Brasil: ausência de gestão e falta de credibilidade dos dirigentes. Até quando vamos viver apenas da boa vontade e do heroísmo, em muitos casos, dos atletas?
Saúde e educação
Alguns mais preocupados com a situação social do país poderiam dizer que há mais com quê se preocupar como investir mais e melhor em saúde e educação, setores que continuam na sarjeta. Concordo. Mas, na medida certa, o esporte é uma ferramenta barata e incontestável de inclusão social, além de poder andar de mãos dadas com a saúde e a educação. Aliás, um está intimamente ligado ao outro, educação, saúde e esporte. O esporte é o melhor remédio... E educa, disciplina.
Mau exemplo I
Em Natal, as aulas de educação física, a base das bases do esporte nas escolas públicas foram reduzidas para uma hora apenas por semana. E ainda: a estrutura é precária nas instituições de ensino, os ginásios públicos que existem são subutilizados quando estão em condições de uso, etc. Uma situação real de descaso dos gestores públicos.
Mau exemplo II
Como se não bastasse as condições precárias de estrutura, os professores de educação física ganham uma miséria no setor público e no privado vivem sobre pressão, com a intensa e descabida cobrança dos donos das instituições - não são todas, é claro - que exigem resultados positivos nos JERN's, sob pena de demissão. Muitos professores já me denunciaram tal prática, mas por motivos óbvios não tiveram a coragem de tornar público tais denúncias. Estamos de olho!
Patrocínios ou "esmolas"
E assim vamos caminhando para as Olimpíadas de Londres, em 2012, com os atletas tendo que se virar para se manter num nível de excelência que o esporte de alto rendimento exige. A correria, agora, é para tentar prospectar patrocínios privados. No RN, atletas e equipes, acompanhados ou não de seus professores/técnicos ou pais, saem desordenadamente pedindo 'esmolas', literalmente, em busca de recursos para, pelo menos, pagar as passagens de ônibus ou avião necessárias para o deslocamento pelo país ou fora dele, mantendo assim o tal intercâmbio com outras praças. Esta troca de experiência, segundo os especialistas é muito importante para o amadurecimento do atleta no esporte. Está na hora da classe desportista se organizar mais e parar de pedir 'esmolas'. Tem que se buscar alternativas inteligentes de prospecção de recursos na iniciativa privada, que sempre quer algo em troca, como exposição de sua marca na mídia, via atleta ou equipe. Algumas empresas ainda exigem os direitos de imagem do atleta patrocinado. Nada mais justo, contanto que o investimento traga retorno também para o atleta. Esta troca precisa ser bem gerenciada e boa para ambas as partes.
"Nós seremos melhores que Pequim"
De Backham, sobre as Olimpíadas de Londres, em 2012
"100"
Milhões o COB pediu ao governo federal para viabilizar a candidatura do RJ às Olimpíadas de 2016
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