Edição Número 0779 - Ano II - Natal e Mossoró, Quinta-feira, 20 de Novembro de 2008.
Capa Colunistas George Fernandes

George Fernandes

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Extra Campo

Publicado na Edição Número 0744 - Ano II
Seleção Brasileira: bons tempos que não voltam mais...

Como era bom assistir ao telejornal da Globo à noite ou o Globo Esporte na hora do almoço para assistir ao que aconteceu de melhor nos treinos da Seleção Brasileira às vésperas de uma Eliminatória de Copa do Mundo ou até mesmo nas semanas que antecediam o maior evento esportivo do mundo. Lembro-me de minha infância, início da década de 1980. Como era bom, que orgulho dava ver Falcão, Sócrates, Zico, Leandro, Oscar, Batista, Reinaldo, Roberto Dinamite... Até Serginho "Chulapa", goleador na época, tenho saudades. Infelizmente ou felizmente, sou um saudosista. Hoje em dia somos obrigados a assistir os treinos da querida seleção canarinho na luxuosa Granja Comary, em Teresópolis/RJ, da riquíssima CBF, com jogadores 'meia boca', que se acham as 'estrelas' de uma constelação que não existe faz tempo. Quem poderíamos até dar o 'braço a torcer', dando um voto de confiança, chamando-o de craque, sequer foi convocado. Falo de Ronaldinho Gaúcho. Sobrou quem? Robinho? Kaká? Bons jogadores, sim, nada mais. Estão longe de 'amarrar as chuteiras' de um Zico. Bons tempos que não voltam mais! Será que o país parou de produzir artistas da bola? Será que este seria outro motivo para afastar o torcedor da Seleção (o principal é a distância dos jogadores da torcida brasileira... Todos jogam na Europa)? Resultado: ninguém sente mais prazer em sentar na frente da TV para ver a 'Amarelinha' em campo...

Clássico vazio

Mais uma vez o torcedor natalense é obrigado a assistir 'de camarote' as 'picuinhas' de bastidores entre os dirigentes de ABC e América, que beira o amadorismo. A rivalidade no futebol é saudável quando é feita com racionalidade, sem ultrapassar os limites da paixão. Mas, quando o assunto é ABC e América, os cartolas, representantes dos dois clubes, viram torcedores e colocam tudo à perder... A decisão da diretoria rubra em reservar apenas 10% do espaço de arquibancada - e ainda no setor inferior, embaixo do placar - para a torcida rival no clássico do próximo sábado, no Machadão, só vai ter um resultado: o esvaziamento de público e, em conseqüência, a redução na arrecadação. Quem está de fora percebe que ABC e América estão 'montados' na grana. Só pode ser isso! Porque são atitudes como estas que afastam o torcedor do estádio. Depois vem dirigente conclamar a presença da torcida. E, agora, com os jogos passando pela TV...

Tragédia anunciada

Tomara Deus que as decisões tomadas entre os cartolas de ABC e América, principalmente do América, que é o mandante do jogo, não provoquem uma tragédia, até aqui anunciada. Tomara Deus, que a Polícia Militar e o Ministério Público possam intervir para dar um rumo, o menos inconseqüente possível.

Correria pelo ingresso

A negativa dos dirigentes alvinegros em receber a carga de ingresso (10%) destinada ao visitante e a abertura da Central de Bilheteria do Machadão provocaram uma correria da torcida do ABC, que já comprou boa parte dos ingressos. Está pintando uma confusão anunciada, que começou com a diretoria do ABC, no clássico do Frasqueirão, e pode ter conseqüência maior ainda sábado, no Machadão, graças a diretoria do América.

Cartolagem amadora

A crítica aos cartolas-torcedores serve também para o jogo de ida, realizado no Frasqueirão, quando os dirigentes alvinegros reservaram um espaço mínimo à torcida rival. Nada mais justo que, agora, o América faça o mesmo. Mas, diante deste quadro, todo mundo sai perdendo. Os clubes, que deixam de arrecadar, e o torcedor, que deixa de ir ao estádio para assistir ao jogo no barzinho com os amigos ou no conforto do seu lar. Responda-me, caro leitor: quem em sã consciência vai sair de casa, pagar R$ 20,00 num ingresso, para ficar imprensado numa arquibancada, correndo o risco de se machucar?

Insegurança e medo

Sem falar na insegurança, quando se trata de clássico em Natal, promovido por duas facções de torcidas organizadas rivais, uma do ABC e outra do América, que só vão ao jogo em busca de confusão e baderna, sequer assistem ao jogo. Diante do desentendimento da cartolagem e da insegurança provocada pelas torcida organizadas, não há outra alternativa senão assistir ao jogo de um barzinho ou de casa mesmo. Uma pena!

Líder da barca

A diretoria do ABC dispensou ontem o zagueiro Paulo César por deficiência técnica, alegando que o jogador teve uma queda acentuada de produção. Mas, há quem diga que o zagueiro foi embora por liderar uma ‘barca’, como se diz na gíria do futebol. Será? Ele era um dos críticos de Ferdinando. No América, foram dispensados, o zagueiro Emerson e o meia Thiago Carpini.
"155"
Vitórias o América têm na história dos clássicos. Quatro a menos do que o rival





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