Edição Número 0900 - Ano II - Natal e Mossoró, Quinta-feira, 08 de Janeiro de 2009.
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George Fernandes

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Extra Campo

Publicado na Edição Número 0779 - Ano II
Planejamento e boa gestão são os novos craques do futebol brasileiro

Com a nova 'ordem' do futebol nacional, determinada pela CBF, que reestruturou o Campeonato Brasileiro, agora, com quatro Séries, não tem mais jeito. Ou os clubes se adaptam ou entram no 'corredor da morte'. Diante desta situação, o planejamento e a boa gestão se transformaram nos craques em qualquer clube, independente do tamanho. Claro, que os clubes de menor porte, a freqüente falta de dinheiro desmonta qualquer planejamento. É aí que entra a criatividade e o departamento de marketing, setor que tem (e deve) ganhar notoriedade, até com o mesmo 'peso' do departamento de futebol. Aliás, um sustenta o outro. Se um o outro não sobrevive e vice-versa. Planejar bem, em curto, médio e longo prazo torneou-se imperativo. A boa gestão é conseqüência.

"Grandes" aprenderam a lição

Apesar de alguns deslizes iniciais, os 12 maiores clubes do país apanharam, demoraram a entender, mas parecem bem mais maduros neste aspecto. Tanto que no modelo de pontos corridos tem sido muito difícil um time de médio porte chegar no topo da tabela na hora do 'vamos ver'. Ano que vem, com o retorno do Corinthians, bom exemplo de má gestão em 2007, o "G-12" está de volta: Flamengo, Vasco, Fluminense, Botafogo, Santos, Palmeiras, Corinthians, São Paulo, Internacional, Grêmio, Atlético/MG e Cruzeiro.

"Pequenos" têm que se adaptar

A falta de dinheiro e de estrutura são os problemas (ou desculpas) mais corriqueiros, principalmente, entre os "pequenos" do futebol canarinho. Àqueles que oscilam entre as Séries B e C do Brasileirão e que, vez por outra, desfilam na almejada passarela da 'elite' do futebol nacional. No Rio Grande do Norte, infelizmente, a maioria dos clubes são semi-profissionais, sazonais e sobrevivem de minguadas ajudas do poder público. E do jeito que as coisas andam, a tendência - e acho que este é o objetivo da CBF - é que muito em breve estas equipes semi-profissionais e sazonais fechem as portas.

No rumo certo

Os quatro clubes das duas principais cidades do Estado - e mais robustas economicamente falando -, ABC e América, de Natal, Potiguar e Baraúnas, de Mossoró, dentro de suas realidades e guardada as devidas proporções, são os que ainda conseguem sobreviver, mesmo sem o apoio do poder público. Nestas equipes, pelo menos, ainda vislumbra-se um futuro. Longa a vida a eles!

ABC do futuro

Na minha avaliação, o ABC parece ser o clube mais organizado (não só pela otimização de sua estrutura - aliás, é um dos poucos clubes do Nordeste que possui estádio próprio) e com boas perspectivas pela frente. Mas, ainda peca em alguns aspectos importantes, como na prospecção de recursos junto à iniciativa privada, muita culpa da falta de uma boa gestão de marketing, que, aliás, praticamente inexiste em ABC e América.

América indefinido

No América, a situação é mais complicada. O clube ainda não soube utilizar como deveria o Centro de Treinamento que possui em Parnamirim e, administrativamente, vive momentos de incertezas. Na última eleição para presidente do clube, sequer teve candidatos. José Rocha, presidente do Conselho Deliberativo, por força do Estatuto, foi obrigado a acumular os cargos. A Sede Social virou um verdadeiro 'elefante branco' e ninguém decide quem, como e quando vai organizar o desorganizado, atitude fundamental para dar início a um planejamento consistente. O resultado disso tudo, geralmente, é refletido dentro de campo: o time profissional sofre com freqüentes baixas desde meados de 2007 e ainda corre sério risco de voltar para a terceira divisão do Campeonato Brasileiro, depois de ter alcançado o apogeu há apenas dois anos.

Leão mais forte

Em Mossoró, apesar de o Potiguar representar o RN na Copa do Brasil do ano que vem, é o Baraúnas quem estar num caminho mais promissor. O clube parece ter entendido a importância do planejamento e da boa gestão e começou a ensaiar algumas promoções de marketing, ao mesmo tempo em que tenta fortalecer sua marca no mercado. Já é um bom começo.
"89"
Jogadores passaram por ABC e América nestes Brasileirão, sendo 49 alvinegros e 40 alvirrubros.





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