Lígia Limeira
ligialimeira@digizap.com.brIpsis Litteris
Publicado na Edição Número 1.350 - Ano V
Gato por LebreO processo eleitoral deste ano traz uma grande novidade: a Internet como ferramenta de divulgação de propaganda eleitoral e de arrecadação de recursos de campanha. A boa nova, concebida pelo legislador da Lei nº 12.034/2009, bem aos moldes da revolucionária campanha de Barack Obama, cujas doações captadas pela rede mundial de computadores alcançaram o impressionante patamar de 87% da sua receita financeira, vem sendo comemorada por candidatos e partidos, que nela enxergam uma excelente oportunidade para incrementar seu corpo de eleitores e, por via reflexa, de doadores de campanha.
Registre-se que o maior feito do atual presidente dos Estados Unidos, no curso da campanha, foi investir fortemente nas mídias sociais, com vistas à disseminação de suas plataformas políticas e à mobilização de pessoas, a partir de ideias simples e criativas e de um slogan simplesmente arrebatador: Yes, we can! Sim, nós podemos!
A frase de efeito remetia ao sonho e à personificação do ideário americano. A estatística impressiona: foram 3,1 milhões de doadores, sendo que 93% deles contribuíram com valores abaixo de U$ 100,00. Obama cuidou de se inserir nos sites de relacionamento. À época da campanha, contou com 2,3 milhões de membros no Facebook e com 130 mil seguidores no Twitter, com quem interagia diuturnamente; produziu filmetes que viraram febre no YouTube; e criou redes sociais onde os eleitores puderam criar blogs para discutir propostas, organizar eventos, sugerir ações de campanha e tecer as mais variadas críticas. Tudo isso com a sua efetiva participação.
Vê-se que a receita do estrondoso sucesso americano se deve à identificação do candidato com os eleitores, pois que ele, despojando-se da arrogância, das vaidades e do artificialismo que comumente povoam o cenário político-eleitoral, convidou a sociedade para somar e construir o projeto que lhe parecesse mais apropriado para as suas necessidades e aspirações. A ação é singela e eminentemente popular.
Nada poderá surtir mais efeito numa nação do que o seu reconhecimento como agente impulsionador de mudanças. Ao conclamar os eleitores para palpitar, planejar e, juntamente com ele, direcionar a sua campanha, Obama foi alçado à condição de grande líder, aguerrido, destemido e capaz de redefinir a trajetória da democracia americana.
Aqui no Brasil, muito dificilmente isso ocorrerá. Não se trata de uma visão pessimista, mas da constatação de que a nossa realidade cultural está longe de abarcar tantas nuances. A começar pela pífia consciência político-eleitoral, que afasta os eleitores dos projetos de campanha, por pura indolência, o que, evidentemente, subtrai-lhe a capacidade de acompanhar e fiscalizar o maior evento democrático do país.
Além disso, há os políticos, arraigados a condutas vergonhosas que primam pela cooptação de votos a partir da concessão de benesses. Ou seja, o candidato enxerga a campanha, em não raras vezes, como um evento que depende tão somente do seu poderio econômico-financeiro, uma verdadeira anomalia quando o assunto se reveste de interesse público tão relevante como a construção da cidadania de um povo.
Desse modo, afigura-se um ciclo vicioso, de forças opostas, que se volta para interesses individuais, em detrimento do bem-comum e do equilíbrio das relações que chancelam o Estado Democrático de Direito. De toda sorte, o prognóstico, embora inquietante, é mais promissor do que o auferido há dez anos. Aos poucos, vamos avançando, até porque o homem está fadado à evolução. E assim caminha a humanidade...
Voto em TrânsitoQuem quiser participar das eleições para presidente da República e estiver fora do domicílio eleitoral no dia do pleito (1º e 2º turnos) deverá comparecer a qualquer cartório eleitoral, portando título de eleitor e RG, entre 15 de julho e 15 de agosto, para informar à justiça Eleitoral em qual capital estará no dia da votação.
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