Edição Número 0900 - Ano II - Natal e Mossoró, Quinta-feira, 08 de Janeiro de 2009.
Capa Colunistas Líria Nogueira

Líria Nogueira

antonialiria@uol.com.br

Pena Aberta

Publicado na Edição Número 0703 - Ano II
O telhado do vidro do ciúme

O ciúme é uma doença, forte, de cabeça, e na grande maioria dos casos incurável. Bem dosado, pode ser benefício para o casal.
Ele está nas agendas antigas.
Está nas dedicações dos discos de vinil ganhos na oitava série.
Está nos antigos vizinhos.
Está nos olhos da pessoa amada. E nos olhos das outras pessoas também.
O ciúme não anda, permeia.
Não vê, espreita.
Não toca, confere.
E as mulheres, todas, lhe somos próximas. Sentimos mais ciúme do que os homens, e agimos mais em seu nome do que eles. Porque a cabeça feminina é doce e fértil e porque ela precisa estar muitíssimo ocupada para não senti-lo. E estando assim, muitíssimo ocupada ela, já não terá tempo de agir como uma mulher e, agindo como homem verá o mundo com os olhos dos cifrões.
Quando porém, ela sente ciúmes, ela cuida. E deixará de cuidar assim que não tiver mais tempo. E o tempo se faz da maneira que se quer, logo nem alimente nem queira aniquilar o ciúme que sua mulher tem por você. Deixe. Provoque até, mesmo que não tenha fundamento nem seja verdade. Mulheres apreciam homens desejados. Todas. Metade concorda comigo e metade mente.
Desconfie, porém, se ela só tiver olhos para você. O tempo a tornará enfadonha e previsível e se ela não for ciumenta então, é uma rotina total. A mulher ciumenta, na medida inteligível, é graciosamente apimentada, e lhe quer de coração e corpo. E afinal é só isso que tem um para o outro, ou não? O que além do mais profundo sentimento de parceria, cumplicidade e sexo com soninho às duas da manhã tem-se para oferecer? Mensalidade escolar, pensão para a ex, a empregada que não veio justamente no dia de lavar roupa?
Ora, por favor, sejamos francos!
O dia-a-dia passa, os filhos crescem, vocês só terão um ao outro e é bom que sejam os mesmos no final das contas. Depois de certa altura da vida o mundo cobra coerência das pessoas. É fácil mostrar isso estando bem acompanhado.
De preferência com a mulher com quem se casou há dez anos...

Cielo de interior

Ainda tomada pela emoção que demonstrou Cézar Cielo em sua vitória de ouro, lamento não me ocorrer no momento, nenhum espaço esportivo formador de campeões pelo interior do estado. Tudo por aqui é "escolinha" e a maioria delas especializada em ocupar a criança só com brincadeiras. Por que não oportunizar nossas crianças com a capacidade que elas têm de se tornarem atletas e levar o negócio bem a sério? Chega de forró!

Leitura Para Dar de Presente

O livro conta a história de Macondo, uma cidade mítica, e a dos descendentes de seu fundador, José Arcadio Buendía, durante um século. Usando recursos do realismo mágico, estilo que ajudaria a difundir a partir de seu lançamento, em 1967, o livro mescla revoluções e fantasmas, incesto, corrupção e loucura, tudo tratado com naturalidade. A história começa quando as coisas não tinham nome e vai até a chegada do telefone. Uma leitura densa, valorosa, excitante, como só poderia ser a escrita de um Nobel da Literatura. Um presente para a vida toda. Na Poty você procura o Itamir ou a Cinara.
Título: Cem Anos de Solidão
Autor: Gabriel Garcia Màrquez
Editora: Record
Edição: 45
Número de páginas: 394



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