
Líria Nogueira
antonialiria@uol.com.brPena Aberta
Publicado na Edição Número 0709 - Ano II
A riquezaPercebi logo que era um liso. Um homem acostumado com dinheiro não anda com carteira cheia, deixa só o essencial para um dia, ou dois. Mas esse fez de tudo para que eu percebesse o amontoado em seu bolso.
Disse logo que compraria um relógio, e disse ainda que seria à vista. Depois tirou novecentos reais do bolso traseiro direito, fez esforço para tirá-lo dali, percebi. A calça devia ser nova também para estar desacostumada com a carteira desse jeito. Andar com novecentos reais? Para quê? Fiz diagnósticos: era doido, era leso, queria ser roubado, queria aparecer, ou era um liso. Era um liso mesmo. Liso no amplo sentido da palavra, liso indo e voltando: liso de marré. E explico-me: o dinheiro aqui é o que de menos importa.
O homem pode ser liso de sentimentos, de sensibilidade, de sabedoria, de inteligência, liso de "semancol", liso de gentilezas. Conheci um fulano liso de dar pena, porque não tinha nem sequer resquícios de ter tido uma aproximação que fosse com outro gênero musical que ultrapassasse as barreiras do forró.
Um homem pode ser simples sem ser desleixado, ele pode se destacar de todo mundo vestindo um jeans comprado na pedra do mercado em dia de promoção. Ninguém vai saber mesmo...! E além disso, a maneira como se comporta é que faz toda a diferença.
A riqueza do homem são suas atitudes, suas semelhanças com as coisas naturais. Nada de brutalidades, de dizeres tipo "quem manda aqui..", hum, hum, essa época passou. As mulheres primamos por homens finos, não delicados - que agarrar com força um braço relutante e o puxar para a cama nunca saiu de moda, primamos por homens ternos, mas não doces demais, e primamos por homens completamente seguros de si, que, cá para nós, só queremos ser mães de nossos filhos e já está de bom tamanho. A riqueza do homem nunca esteve na carteira e se ele sabe disso impreterivelmente ela vai estar lá.
Tem valor o homem bom. O homem que não permite que mulher nenhuma converse com ele pela janela do carro, porque ele se antecipa a isso, desce e conversa por igual. O homem que valoriza as mulheres.
E ninguém vê isso, não?Não escapou nenhum dos lados. Nem situação nem oposição. Nas manifestações de meu partido observo, nos partidos opostos me confidenciam, mas nunca em tempos de Lei Seca eu esperaria que se ingerisse tanta bebida alcoólica durante as carreatas. Ando estarrecida com a liberdade de motoristas embriagados, motoqueiros idem, e todos pelas ruas de Mossoró. Dentro da cidade e em carreata, pode? Fica livre de morrer ou de atropelar?
Leitura para dar de presente
Um homem desconhecido tenta salvar da morte um suicida. Ninguém sabe sua origem, seu nome sua história. Proclama aos quatro ventos que a sociedades modernas se converteram num hospício Global. Com uma eloqüência cativante, começa a chamar seguidores para vender sonhos. Ao mesmo tempo em que arrebata as pessoas e as liberta do cárcere da rotina, arruma muitos inimigos. Será ele um sábio ou um louco? Uma obra que serve a qualquer um de nós. Boa leitura!
Título: O Vendedor de Sonhos
Editora: Academia
Auor: Augusto Cury
Leia os artigos das outras edições...