Edição Número 0900 - Ano II - Natal e Mossoró, Quinta-feira, 08 de Janeiro de 2009.
Capa Colunistas Líria Nogueira

Líria Nogueira

antonialiria@uol.com.br

Pena Aberta

Publicado na Edição Número 0715 - Ano II
Charlatanismo e fé

Há tempos a religião me perdeu. Dei-me para o mundo e, em contrapartida, ele tem me preservado sem um arranhão. Quase sempre os conflitos entre mim e a vida mundana se constituem em opções erradas feitas por minha própria pessoa. O que se mantém firme é a minha fé. Em tudo, e talvez por isso as coisas sempre dão certo.

Estive com tempo de sobra no mês de agosto para, entre outras coisas, praticar besteirol. Encontrando nas férias ocasião justa para fazer o que não se deve, assisti televisão, pior, assisti os programas evangélicos.

Sou enfermeira desde que abri os olhos e, em rápida retrospectiva poderia citar pelo menos uns dez colegas médicos que ao longo dos quinze anos que tenho de profissão foram execrados por um ou outro procedimento inadequado. A justiça tem sido corretamente implacável com profissionais que usam da má-fé e extorquem dinheiro com promessas de curas impossíveis, barrigas lisinhas ou um nariz bem-feito. Propaganda enganosa, o sujeito pode reclamar no Procon se na sua compreensão o doutor fez alguma coisa errada ou algo que não tenham ficado bem do jeito que gostaria. Correto.

O que me parece desconforme é o que vi na televisão. Os que se intitulam pastores ostensivamente extorquindo a população impondo-lhes crenças absurdas, prometendo-lhes obras miraculosas que, sabemos, não podem cumprir.. E não cumprirão.

Vi homens ludibriando pobres senhoras, incitando-lhes com frases apoteóticas estilo "solte a muleta e ande! ", seguido de um não menos vigoroso "... e faça seu patrocínio pagando o boleto do Senhor." Do Senhor? E desde quando aqueles homens estão qualificados para intermediar ninguém com o Senhor? Desde quando precisamos de intermediários com Deus?

O médico que descumpre seus propósitos para com o paciente, deve receber sua condenação. O charlatão pulverizando falsas esperanças, enriquecendo a olhos vistos às custa de uma comunidade carente e necessitada de acolhimento, um templo. Meu Deus, o que fizemos de nossa fé?

Quem te fortalece não é o pastor, na verdade os seguidores é que estão fortalecendo a conta bancária dele. O que dizer daquele Sílvio Santos dos crentes, de fala mansa, terno bem cortado, olhando para o vídeo e explicando aos fiéis que ele poderá fazer o desconto do boleto da igreja direto, por débito em conta corrente automaticamente. E completa, "irmãos façam isso e façam antes do final do mês, que é quando temos que honrar nosso compromisso com a televisão." Ou seja pagar o aluguel da emissora.

Charlatanismo e falta de fé. Quem tem fé no íntimo de seu coração confia e aguarda, o bem chega. Quem tem fé com força e com a garra de um leão segue tranquilamente pelos prados e campinas enquanto ao seu redor o mundo se esvai. Só porque tem fé e confia que não está sozinho, nunca. Sem intermediários e sem pagar um tostão para ter a atenção de Deus, que aliás isso ele me dá de graça e em abundância.

Ainda bem que minhas férias terminaram, não agüentava mais ter tempo para zapear a televisão.

A pedidos, relançamento de Cameron!

O médico Horácio Medeiros deve estar mesmo satisfeito com o sucesso de seu primeiro livro intitulado Cameron. A convite, fará nova noite de autógrafos na loja de livros do West Shopping próximo dia 12, às 20 horas.

Leitura para dar de presente


John e Jenny eram jovens, apaixonados e estavam começando a sua vida juntos, sem grandes preocupações, até ao momento em que levaram para casa Marley, "um bola de pêlo amarelo em forma de cachorro", que, rapidamente, se transformou num labrador enorme e encorpado de 43 quilos. Era um cão como não havia outro nas redondezas: arrombava portas, esgadanhava paredes, babava nas visitas, comia roupa do varal alheio e abocanhava tudo a que pudesse. Para quem acredita que se trata de uma ode aos cães, não é não viu? É um livro leve, hilário e contagiante. Serve para presentear quem adora e quem odeia cachorros.

Autor: John Grogan
Editora: Prestígio
Ano: 2006
Edição: 1
Número de páginas: 272



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