Edição Número 0900 - Ano II - Natal e Mossoró, Quinta-feira, 08 de Janeiro de 2009.
Capa Colunistas Líria Nogueira

Líria Nogueira

antonialiria@uol.com.br

Pena Aberta

Publicado na Edição Número 0721 - Ano II
Realidade

- Psiu! Ei, coisa feia...!
Não olhei para não dar o cabimento de saber de imediato que era comigo. "Ora, a rua está cheia de gente feia..."
- Ei, mulher, digaí, coisa feia...!!
Ouvi os passos aproximando-se como se alguém quisesse me alcançar. Continuei andando... Retomei aos pensamentos. Deixa ver, pagar luz, água - que esse mês botou para quebrar, o telefone, cadernos para o menino...

Pela pancada no chão, os pés de quem corria em minha direção eram bem grandes. Coisa feia, ora. Coisa feia não. Me chame de outro apelido, mas esse atestado eu não dou de jeito nenhum! Sim, mas como estava repassando a agenda... Na volta tenho que passar em dona Taninha, que mandei bordar os panos de prato, tem que passar na livraria, olhe os cadernos de menino! Hum, hun, na livraria posso logo pegar umas canetas, se der tempo faço depilação, que ando uma ursa de tanto pêlo no corpo. Andando e pensando, andando e pensando,andando e...!
- Peguei você!!!
Senti uma mão quente a me abarcar todo o ombro direito. Virei-me. Estreitei os olhos buscando reconhecimento de minha interlocutora.
- Lembra de mim? A mulher maravilha?
Então imediatamente o sorriso de minha frente se transportou para vinte e cinco anos atrás. Havíamos estudado juntas no Jardim de Infância Modelo, alunas de Tia Heliete.
-Aberlúcia Francisca!
- Eu mesma, dê cá um abraço!
E nos abraçamos sincera e demoradamente, no meio daquele rouge, rouge de gente que passa na calçada do extinto cinema Pax. Na verdade abraçávamos muito mais nossas lembranças de infância, nossos cheiros de meninas, do que o corpo adulto uma da outra.
Aberlúcia sempre fora maior do que eu em tudo. No tamanho, na criatividade, na sensatez. Quando não tínhamos brinquedo de verdade, ela logo se transformava na Mulher Maravilha, que tendo tudo invisível, era a mais abastada entre nós. Naquele momento dei-me conta olhando para o resto de mim mesma: sobrava pouco da menina de cinco anos. Três empregos, casada, com filho, nunca mais enxergara a mim mesma como um vivente. Vivia ocupada cuidando de meus pacientes, de meu marido, de meu filho, do papagaio, do periquito, do cachorro (olhei para o relógio), puxa! Vivia ocupada do raio que se partisse que agora já não dá mais tempo a nada:
- Aberlúcia tudo bem, foi ótimo te ver, você não mudou nada mesmo hein? Mas tenho que ir. - E fui saindo.
Não sabia mais conversar, perdi o rumo da amizade. Dei um beijinho mole no rosto dela e saí puxando minha bermuda jeans surrada, minha camiseta de propaganda política e minha chinelinha japonesa.
Ninguém merecia aquele meu visual, nem eu. Especialmente eu, diria.
Talvez um pente no cabelo, um pouco de batom, menos pressa nas pernas tivessem me deixado mais próxima da menina do jardim de infâcia, que todos nós fomos um dia...

A fábrica de cerâmica e o superatakado

Seria muito bom que a equipe do superatakado que recentemente abriu em Mossoró, viesse dar um curso de como se abre uma empresa. O cliente é uma fábrica de cerâmica que, pelo tempo de espera, vai precisar de manutenção no dia de sua abertura.

Raimunda Germano e Rubem Alves


É através da paixão pela educação que Rubem Alves descreve as cenas da beleza da aprendizagem; o sentido poético do sonhar; a importância do apreender; a valorização do homem no mundo do saber viver; a importância de se gostar do mundo, valorizando o que é belo. O autor coloca como missão não só a cientificidade da aprendizagem mas, a importância de se ver o mundo através dos olhos da beleza. Leitura para dar de presente a professores, mestres, alunos, a quem se quer bem. Foi-me indicada pela Dra. Raimundinha Germano, e sou-lhe tão grata, foi como se o sol despontasse na janela.
Título: Entre a Ciência
e a Sapiência
Autor: Rubem Alves
Editora: Edições Loyola
Edição: 18 edição
Número de páginas: 148

 




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