
Líria Nogueira
antonialiria@uol.com.brPena Aberta
Publicado na Edição Número 0749 - Ano II
Interino: Antônio Alvino da Silva FilhoMal necessárioVereador existe para representar o povo. Representar é estar no lugar de, fazer às vezes do povo. Trocando em miúdos, vereador é eleito para fiscalizar as ações do prefeito e elaborar as leis municipais. Existem outras tarefas, mas estas são as duas principais funções do parlamentar municipal.
Os vereadores de Mossoró e Natal estão elaborando as leis e controlando os atos dos prefeitos e dos seus auxiliares? Fazendo algumas leis, talvez sim. Fiscalizando os prefeitos, certamente não. Se não estão cumprindo com a missão para o qual foram eleitos, o que fazer deles? Numa sondagem de opinião, duas correntes se destacaram.
Uma defende o conserto da "casa do povo". Fazer com que os vereadores voltem a funcionar a contendo. Mediante atuação firme e constante,o Ministério Público e os cidadãos fariam o papel de fiscalizar os fiscais. Ocorre que há um descompasso de tempo entre a atuação dos vereadores e dos seus fiscais, evidenciado na última eleição. Enquanto as investigações dos promotores duram dois, três anos - e o voto do eleitor, quatro -, os vereadores fazem barganha política e desvio de dinheiro numa freqüência diária. Tartarugas tentando alcançar lebres.
A outra corrente mostra-se radical. Melhor, extremista. Defende o fim do legislativo municipal, sob o argumento de que se a missão não é cumprida não há razão para manter a comitiva. É uma posição temerária, de golpe mesmo, a lembrar o negro tempo da ditadura. Se no campo prático é desaconselhada a extinção das câmaras de vereadores, no terreno da reflexão a idéia não deixa de ser salutar. É o que ora se passa na cabeça do cidadão comum, que no seu cotidiano só se dispõe a pagar pelo que funciona.
Apenas por especular, como seria a vida municipal sem os vereadores? Segue-se o sonho: ocorreria o fim das longas e inúteis sessões plenárias; cessaria o nepotismo da vereança; uma multidão de assessores largaria o emprego e iria arranjar trabalho; a expressão "verba de gabinete" cairia em desuso; os recursos economizados poderiam migrar para a saúde e educação.
Mas, tal especulação tem limite e é bom que se pare por aqui: já as garras dos prefeitos começam a crescer. A par da morte das Câmaras, ditadores se agitariam no interior do executivo e ameaçariam sair das sombras.
Assim, resta ao povo suportar a lástima da câmara para evitar a tirania do executivo. Melhor manter a indignação com os vereadores do que o susto com o prefeito. A câmara é um mal necessário.
Duplo golpe no capitalismoO capitalismo não será o mesmo após a atual crise financeira mundial. Sofre duplo golpe. Primeiro: de uma hora pra outra a riqueza vira água: os bancos só dispõem de um dólar para cada vinte dos correntistas. Segundo: os países ricos e liberais, constrangidos, intervêm na economia e socorrem as casas bancárias, ferindo de morte dogmas da economia de mercado.
Leitura Para Dar de PresenteNeste tempo de crises e eleições, salutar é ter a companhia do poeta. Publicado originalmente em 1986, o livro engloba um conjunto de entrevistas de Carlos Drummond de Andrade concedidas a Lya Cavalcanti (1901-1998), em oito domingos consecutivos na Rádio MEC, em 1954. Nestas entrevistas, o leitor irá conhecer um pouco mais da vida de Drummond e de seu processo de criação literária.
Título: Tempo Vida Poesia
Autor: Carlos Drummond de Andrade
Editora: Record
Número de páginas: 128
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