
Líria Nogueira
antonialiria@uol.com.brPena Aberta
Publicado na Edição Número 0755 - Ano II
Interino: Antônio Alvino da Silva FilhoTeje preso!Esta semana também comecei invocado. Ao contrário daquele articulista da revista Veja, não pretendo vociferar contra o presidente da República. Meu objetivo é outro.
Desejo incitar o povo a efetuar a prisão de vários criminosos pelo país afora. Não precisamente a prisão dos delinqüentes comuns, embora violentos, como os latrocidas e assassinos, atribuição das polícias Civil e Militar. O alvo é outro: criminosos indiretos, em regra autoridades públicas, que cometem crimes sutis, mas igualmente danosos. São pessoas que podem - aliás, devem - agir e não agem.
Nos crimes comuns estampados nas páginas policiais, em regra o resultado decorre da ação direta de um elemento, como furtar, assaltar e matar. Alguém, diretamente, atinge um bem ou a integridade física de outrem, e assim comete ato de reprovação social. A lei e os agentes públicos, então, os alcançam e os punem, quando se empenham.
Como disse, trata-se aqui de encampar cruzada para encarcerar outro tipo de criminoso: aquele que com sua inércia leva a perda de vidas, ou a lesões pessoais, ou ainda a perdas patrimoniais. Diferentemente dos comuns, este tipo de crime tem caráter permanente e seus agentes são do conhecimento geral; mas sua detenção exige empenho superior.
A idéia é convidar o cidadão comum a prender em flagrante delito certas autoridades e agentes privados responsáveis pela ocorrência de fatos danosos que poderiam evitar. Esses agentes, responsáveis indiretos por uma série de lesões aos cidadãos, seguem impunes, em que pese a clareza prejudicial de sua inação. Quem são eles e seus atos? Ou melhor, quem são eles e suas respectivas omissões? Vamos a alguns exemplos - provisórios e incompletos que sejam.
Trata-se do diretor do hospital que não disponibiliza neurocirurgião e traumatologista para o plantão, ou mesmo este profissional que, uma vez em escala, encontra-se ausente da unidade hospitalar. Pela omissão de um ou de outro, pessoas sucessivamente vêm falecendo nos frios corredores dos hospitais. Rogo aos paramédicos, que diuturnamente presenciam tais fatos, que prendam em flagrante delito diretor ou médico por semelhante omissão criminosa - e os encaminhem ao presídio mais próximo.
Também matam indiretamente pessoas os diretores, chefes ou responsáveis pelas rodovias federais, estaduais e ruas do município. As crateras existentes nessas vias são armadilhas que impõem aos dirigentes do DNIT, DER ou secretaria municipal eliminá-las. Enquanto não o fazem, qualquer do povo pode - e os policiais de trânsito devem - prendê-los desde logo, pois praticam crime continuado contra o cidadão.
Especialmente nos finais de semana, aumentam os delinqüentes, de um lado pelo afrouxamento da fiscalização de trânsito, e de outro, pela renúncia dos pais. Falamos dos adolescentes e de seus carros mortais. Bebendo ao volante, pegando "racha" ou cruzando semáforos vermelhos, estendem às outras pessoas o perigo decorrente de sua irresponsabilidade. Não basta recolhê-los e suas máquinas, há que flagrar seus pais, inertes, diante dos domingões e dos Fla-Flu.
De se perguntar se pode o cidadão, em tais circunstâncias, efetuar a prisão do diretor, médico, burocrata e pai, todos negligentes. É evidente que pode. A lei permite, a moral exige e o povo clama. Enquanto as polícias concentram-se nos criminosos diretos e o valoroso Ministério Público vacila, o cidadão toma para si não a função de punir, própria do Estado, mas o direito de prender.
Tristes temposDois tempos, o mesmo espetacular entretenimento: a carnificina como pano de fundo. Na Roma Antiga, o povo acorria ao Coliseu para, em delírio, assistir ao espetáculo trágico da morte de gladiadores. Nos tempos tecnológicos atuais, o telespectador acorre ao sofá para acompanhar, por horas a fio, o drama e a morte de adolescentes. Tristes tempos, o de dois mil anos e o de hoje.
Leitura Para Dar de PresenteA filha mais nova de Mackenzie Allen Philip foi raptada durante as férias em família e há evidências de que ela foi brutalmente assassinada e abandonada numa cabana. Quatro anos mais tarde, Mack recebe uma nota suspeita, aparentemente vinda de Deus, convidando-o para voltar àquela cabana e passar o fim de semana. Ignorando alertas de que poderia ser uma cilada, ele segue numa tarde de inverno e volta ao cenário de seu pior pesadelo. O que encontra lá muda sua vida para sempre.
Título: A cabana
Autor: William P. Young (tradução: Alves Calado)
Editora: Sextante Ficção
Número de páginas: 240
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