
Líria Nogueira
antonialiria@uol.com.brPena Aberta
Publicado na Edição Número 0760 - Ano II
Interino: Antônio Alvino da Silva FilhoSociedade antinaturalA natureza dotou o ser humano de instintos e desejos com o objetivo de fazê-lo alcançar uma vida plena; mas este mesmo ser empreendeu um movimento em sentido contrário, estranhamente negando a mãe natureza. Ao desejar, ou mesmo praticar, relacionamentos vários, o homem age em estrita harmonia com a vida. A atitude inversa é que se revela contrária às leis do mundo.
A maioria dos homens, e das mulheres, em regra concorda e dá vazão aos impulsos humanos, buscando atingir uma vida de bem estar corporal e espiritual. Algumas pessoas, uma minoria, porém, conseguem viver bem negando a própria vida. Ficassem elas restritas às suas vidas, e o comportamento de tais seres seria visto apenas como excêntrico. Não, porém. Resolvem os antinaturais impor seu estúpido modo de viver às demais pessoas, num verdadeiro desserviço à humanidade. Assim, criam toda sorte de proibições, travestidas de virtudes: bom comportamento, casamento, fidelidade, castidade, vida monástica, vida sem pecado.
Ao imporem aos outros esse antinatural estilo de vida, tais pessoas levam doença aos seus semelhantes. De fato, querem transformar a exceção, ou seja, a negação das várias experiências que a vida oferece, em regra geral. Como se sabe, do embate psíquico entre vontade e proibição é que vinga toda sorte de crise mental que acomete grande parte dos indivíduos. Ou seja, a pressão social forma doidos em demasia.
Nos últimos anos, felizmente, o ser humano vem questionando esse excesso de normas. Paulatinamente, vem desregrando o ordenamento social e espiritual: eliminou a designação de filho ilegítimo, permitiu outras formas de uniões que não o casamento, pôs em xeque dogmas castrantes das religiões, dentre outras.
A fidelidade é uma dessas invenções humanas, obra da sociedade, que o homem pouco a pouco vem eliminando, restituindo assim o reino da natureza. Está claro para a maioria que o desejo e a prática mesmo de relacionamentos simultâneos não se constituem, em absoluto, em crime de lesa-sociedade.
Para se adentrar na sociedade, ou para se alcançar o denominado estágio de civilização, não há necessidade de se renunciar aos desejos naturais, cedendo ao mando de uns poucos seres mal-aventurados.
O instinto natural impulsiona a pessoa em direção a relacionamentos vários, não apenas a um único. Esse proceder, só por si, não deve ser caracterizado como certo ou errado. É ato humano, imensamente humano. De outra forma, não se tem paz interior quando se é forçado a viver de limitações, quando a vida é plena de diversidade.
O fiel, como de resto a maioria adaptada, cede à segurança e ao conforto da unanimidade, traindo a sua espécie. Não há que censurá-lo por ser adepto do relacionamento exclusivo; mas não se aceitará que imponha essa injusta conduta aos demais indivíduos.
DesafioCopiando programa do presidente Lula, lançamos "Café com a honestidade". Para sentar à mesa com essa distinta dama, é necessário que o candidato - vereador, prefeito, deputado, senador, governador ou presidente - preencha as seguintes exigências: ter ficha limpa na polícia, no judiciário e no comércio; não ser mentiroso; não ter comprado voto de eleitor nem ter dado dinheiro a cabos eleitorais; ter cumprido todas as promessas de campanha. Enfim, ser idôneo e honesto. Há somente 5 vagas - e há quem duvide de que sejam preenchidas!
Leitura Para Dar de PresenteEm 'O jogo do anjo', o catalão Carlos Ruiz Zafón explora ângulos da cidade onde ambientou 'A sombra do vento'. Enquanto guia seus leitores por cenários familiares, como a pequena livraria Sempere e Filhos e o mágico Cemitério dos Livros, Zafón constrói uma história que mistura o amor pelos livros, a paixão e a amizade. Na Barcelona dos anos 20, David Martín é um jovem escritor fracassado, obcecado por um amor impossível e abatido por uma doença fatal. Até que vê sua sorte mudar ao receber uma oferta irrecusável.
Título: O jogo do anjo
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Editora: Suma de Letras Brasi
Número de páginas: 416
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