Edição Número 0900 - Ano II - Natal e Mossoró, Quinta-feira, 08 de Janeiro de 2009.
Capa Colunistas Líria Nogueira

Líria Nogueira

antonialiria@uol.com.br

Pena Aberta

Publicado na Edição Número 0766 - Ano II
Interino: Antônio Alvino da Silva Filho

Mimetismo humano

Meu colega de trabalho Efésios dos Montes contou-me ser uma pessoa muito feliz. Além das dádivas que recebe da Providência, há cinco anos não ouve as vozes de Galvão Bueno e Fausto Silva. Não que tenha algo contra os apresentadores televisivos, mas por se opor ao que eles representam. Afirmou também que nas horas de lazer foge dos espetáculos que atraem multidões.
O relato de Efésios me fez pensar sobre a mercantilização do lazer. Como se sabe, o homem moderno é um homem de mercado. Preso às leis da economia, trabalha numa era de especialização que lhe impede de perceber a real contribuição de seu esforço para um produto ou serviço. Como consumidor, a vinculação às leis de mercado é mais vigorosa: nas ruas, as pessoas parecem soldadinhos de chumbo: a mesma calça, a mesma blusa, a bolsa grande e prateada, os óculos besourão, o idolatrado celular...
A massificação surgiu e se desenvolveu no ambiente de trabalho, mas alcançou outras atividades humanas. O trabalhador que dá expediente durante a semana e ansiosamente espera pela folga, cai no mesmo ambiente mercantilizado ao se entregar ao lazer.
O sujeito que assiste diariamente ao Jornal Nacional não difere muito do animal mimético. Mostra-se extremamente adaptado ao ambiente atual. Ambiente este caracterizado pela padronização, pela massificação. Num atmosfera assim, não há estimulo para o pensamento. Tudo - produtos e serviços - propositadamente já vem pronto e acabado para a assimilação sem esforço do ser humano-massa. Seu comportamento se integra e se confunde com o grupo, seguindo um modelo. Torna-se mímico para sobreviver socialmente.
Além de mímico, conformista. Afundado numa poltrona da sala, o ser humano moderno assiste às novelas diárias, aos domingões e aos fantásticos semanais, em vez de se elevar com atividades que permitam o resgate de sua individualidade. No momento de ócio, de lazer, também procura - e acha - serviços direcionados à massificação humana. O telespectador não tem reflexão crítica. Perde-a e faz nascer a adesão sem esforço. Surge o homem aderente.
Um indivíduo num estádio de futebol lotado é o mais acabado exemplo da negação do ser humano. O torcedor não tem individualidade. Perde-a e dá lugar a forças cegas e coletivas. Surge o monstro chamado torcida.
Milhões diante das TVs; milhares nos estádios de futebol e nas pistas de Fórmula 1; centenas diante do telão do bar, às quartas-feiras - quando muitos olhares e atenções são direcionados a um único ponto, é sinal da perda da individualidade e da razão crítica. É a sina do homem moderno. A razão resta ludibriada: pensa que está no comando do querer, quando na verdade opera no terreno do aderir. Ocorre o que os pensadores do século XX denominaram razão instrumental. O indivíduo automatiza a razão e tem apenas preferências: não sabe, ou não consegue, explicar por que as têm. "Só sei que é assim", dirá aquele desprovido da razão.
Apesar desse quadro, é possível, sim, recuperar a razão. Algumas pessoas, não muitas, com grande esforço têm conseguido desgarrar-se da teia medíocre. Para retomar a individualidade e, portanto, deixar de ser apenas mais um na multidão, o desertor deve seguir o exemplo de Efésios: optar pelo caminho da arte. A arte autônoma é aquela que não tem compromisso com o mercado, nem visa à massificação. O artista a empreende por pura imaginação e criatividade. É singular o produto dela decorrente: pintura, escultura, literatura. Nesta seara, não há lugar para best-sellers. Este tipo de cultura não atinge multidões, não forma a ola futebolista, não gera capa de revista de famosos, nem comentários fantásticos na segunda-feira no escritório. Gera emoção diferente em cada indivíduo e induz à reflexão. Afasta o conformismo. Tira o cidadão do sofá e da arquibancada.

Natal espartano

A crise financeira entrou no Rio Grande do Norte pela porta da agricultura. Logo entrará no galpão da indústria e, depois, implacavelmente, no salão da loja. A situação exige cautela por parte de todos, em especial dos que programaram gastança no período natalino. Comemoração austera em família é prudente.

Leitura Para Dar de Presente

Para Bella Swan, há uma coisa mais importante do que a própria vida - Edward Cullen. Mas estar apaixonada por um vampiro é ainda mais perigoso do que ela poderia ter imaginado. Edward já resgatara Bella das garras de um monstro cruel, mas agora, quando o relacionamento ousado do casal ameaça tudo o que lhes é próximo e querido, eles percebem que seus problemas podem estar apenas começando.

Título: Lua nova
Autor: Stephenie Meyer
Editora: Intríseca
Número de páginas: 480



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