Prefeitura do Natal
Edição Número 1.822 - Ano VII - Natal e Mossoró, Sábado, 11 de Fevereiro de 2012.
Capa Colunistas Líria Nogueira

Líria Nogueira

antonialiria@uol.com.br

Pena Aberta

Publicado na Edição Número 0783 - Ano II
Só porque nós somos três...?

Sejamos francas. Empregada doméstica é um... É necessário para a ordem do lar. Eu, por exemplo, exploro outra mulher, pagando-lhe mensalmente um salário e meio para que ela faça em minha casa o que me impeço de fazer porque estou trabalhando fora para, entre outras coisas, pagá-la.

Por várias vezes me permiti sonhar com a possibilidade de não precisar que outra pessoa adentrasse a intimidade de meu lar, apossando-se dos detalhes mais privados de minha vida, não porque ela quer, mas porque a situação exige. Estou casada há dez anos, por nossa casa já passaram uma infinidade de Dinhas, Mazés, Nenéns, Zezinhas... Pessoas ótimas, dignas de terem suas próprias ajudantes, em suas próprias casas. Mas não têm. Nem casa própria, nem ninguém que as ajude e na iminência de encontrar uma pessoa disposta a isso, tratam de botar os pés pelas mãos.

Ajudou-nos Mazé. Maravilhosa, digníssima. Das que esteve conosco em nossa casa, foi a única que chegou com o segundo grau completo. Estava mais para governanta do que para empregada, tal era seu talento para resolver coisas. Desenrolada, independente, econômica, um senso de preservação, que só vendo. Durante os dois anos que passou conosco, a índia barroca que trouxemos de Pernambuco, feita pelo filho do Mestre Vitalino, não sofreu um arranhão. Mas, pobre índia, não teve igual sorte nos anos subseqüentes. Mazé sabia dirigir, resolvia problemas de banco, despachava visitantes inconvenientes, e, pasmem! Adorava crianças. Meu filho, recém-nascido na época, preferia seu colo ao meu.

Foi a única flor no deserto neste mundo cheio de pratos quebrados, roupas queimadas e contas de telefone estouradas, sem ninguém saber quem foi. Ah, querida Mazé, I Love You (também sabia o básico do inglês). Vocês devem estar se perguntando porque tão nobre criatura sucumbiu de nossa casa, dada as qualidades expostas de seu trabalho. O óbvio se deu. Ela recebeu uma proposta que era o dobro do que ela recebia com a gente, para trabalhar para uma única pessoa em um apartamento quarto e sala. E nós somos três aqui em casa. Ela está com essa sortuda senhora desde que nos abandonou, há seis anos. E de lá, se eu fosse essa senhora, ainda faria um acordo de eu mesma trabalhar para ela, em regime inaceitável, só pelo fato de tê-la por perto.

Depois de Mazé o mundo virou no que virou. É um sem fim de desperdício de cera, sabão em pó, é um não-deu-tempo-fazer, não-deu-tempo-passar, é um chegar em casa tendo minha calçada visitada por homens que não sei quem são, tendo minha porta aberta bem assim, na frente deles. "São meus chapas, dona Líria." Me explicam, sim, está certo, mas não são meus. Não sei quem são, e me sinto muito desconfortável em vê-los, tão à vontade no que é meu.

Mazé, não. Era fantástica em todos os sentidos. No trabalho, ela era exatamente como tem que ser qualquer profissional: discreta, pro-ativa, de bem com a vida. Ela tinha sido casada com um professor universitário com mestrado e tudo, eram divorciados. E quando um dia lhe perguntei porque tanta disposição ao trabalho doméstico, se muitas no lugar dela não daria um prego em um prato de papa, ela me respondeu com sua alegria de costume: "é um serviço como outro qualquer, não me traz vergonha nenhuma." Dá-lhe, Mazé!

Cinema em Mossoró

O galo cantou que o espaço para cinema na cidade, estaria em vias de negociação com uma grande empresa de entretenimento. A hesitação dos empresários em investir na sétima arte em Mossoró, leva-nos a questionar que passado nefasto tivemos nós, para merecer tanta incerteza. Vai dar certo, senhores, yes, nós gostamos de cinema, e muito.

Leitura Para Dar de Presente no Natal

Para o leitor que sabidamente gosta de vinhos: interessa-lhe saber o que são procianidinas? E no que elas podem melhorar à sua saúde, interessa? Neste livro, o leitor aprenderá sobre as propriedades das procianidinas, que são polifenóis abundantes no vinho tinto jovem. Essas substâncias melhoram a função dos vasos sangüíneos, o que é essencial para prevenir a doença coronariana, manter a saúde do cérebro e de todos os outros órgãos, além de ajudar a prevenir determinados tipos de câncer. Excelente dica para quem quer presentear qualquer confrade na Confraria dos Vinhos.

Título: A dieta do Vinho
Autor: Roger Corder
Editora: Sextante
Edição: 01







Leia os artigos das outras edições...

06 de janeiro de 2009
30 de dezembro de 2008
23 de dezembro de 2008
16 de dezembro de 2008
09 de dezembro de 2008
02 de dezembro de 2008
18 de novembro de 2008
11 de novembro de 2008
04 de novembro de 2008
28 de outubro de 2008
Edições anteriores




© Copyright Correio da Tarde. Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de
comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização expressa do Correio da Tarde.