Prefeitura do Natal
Edição Número 1.822 - Ano VII - Natal e Mossoró, Sábado, 11 de Fevereiro de 2012.
Capa Colunistas Líria Nogueira

Líria Nogueira

antonialiria@uol.com.br

Pena Aberta

Publicado na Edição Número 0789 - Ano II
A perda do meio

Desprezo o termo careca, assim como desprezo o termo peitos caídos. São igualmente nefastos do ponto de vida existencial. Nenhum agrega informação alguma ao que já está posto: a calvície e os peitos caídos. Portanto, hoje gostaria de lançar mão de todo potencial de meu hemisfério cerebral esquerdo e, usando da argüição lógica, dizer que por favor, se não dispor de criatividade suficiente para mudar os termos, ao menos valorize as peculiaridades de cada um. E isso inclui, calvícies e peitos caídos.
Sobre a calvície. O homem só é menos homem quando perde uma coisa: caráter. Cabelos, massa muscular, virilidade e vergonha na cara estão disponíveis no mercado tradicional a qualquer tostão. Espanta-me, assim como me espanta essas minhas aflições mamárias, que os homens tenham uma preocupação capilar sem fundamento e a ela dediquem tempo, e dinheiro a fim de repará-la da melhor maneira possível. É tão falsa a idéia de que os cabelos lhe retardarão a velhice, como é falsa a decisão do silicone.
E alguns ainda conseguem piorar seu próprio estado de abnegação quanto à aparência apelidando-se de carecas. Isso não é engraçado. Desculpem, mas não é nem fálico. E caso a perda progressiva dos fios lhe inquiete a ponto de auto-flagelar-se, faça-o com classe, porque isso sim atrai mulheres. Um homem com classe e elegância independe de pêlos, cabelos e outros agregados perceptíveis ao tato. Portanto, liberte-se disso, essa impressão de total desilusão que lhe apetece às primeiras quedas não lhe pertence, deixe essa sensação ir embora e abrace com todo o seu ser a verdade, que é uma só: oferte-se como homem e não como uma simples cabeça sem cabelos, no duplo sentido da palavra, se é que me entende.
Quanto às mulheres e suas mamas de exclusão. Ah, as mulheres... Somos tão invocadas com esses peitos - e aqui bem cabe a expressão usada por Rita Lee quando ela se reportava às incontáveis cirurgias plásticas femininas no retardamento da velhice, que viramos bárbies de facaria, lindas e remontadas. Endurecidas pelo plástico luxuoso do silicone, chupadas e socadas pela cânula impiedosa da aspiração, ou lipo. E... Ei, quem está falando comigo, o que disse? Hein?
- O que disse?
- Disse que quem desdenha quer comprar...
- Não entendi.
- Entendeu, sim.
- Está dizendo que estou traumatizada com meus peitos?
- Hum, hum.
- Ora mais é muito sem cabimento, onde estamos meu Deus?!
- Na sua consciência, você evocou seu hemisfério esquerdo.
- Não percebe que se você entra assim no meu artigo, bota abaixo o que escrevi? Tá doido? E minha credibilidade?
- Está na sua verdade.
- Minha verdade é o que penso.
- Nem sempre, a verdade está no que se acredita. E quanto aos peitos, minha filha, nós sabemos que o desespero é grande.
- Mas era só o que faltava ô...
- O que quero dizer é que é muito fácil apontar soluções para fragilidades alheias... Aceite os temores dos outros, aceite seus peitos caídos, deixe a simpatia por calvos para lá, nada disso importa. Aliás todas essas perdas do meio não são importantes, virgindade, cabelo, isso não é relevante.
- O que importa, então?
- Só a existência no momento presente, escolher este como um momento perfeito. Só isso importa.

O Restaurante Seleto e o encapamento de livros na Poty

Sexta passada conheci o Seleto em Mossoró. Comida fina e vinho bom com jeitão de Pub. Agrado para gostos variados já que o som era à base do Alfredo e os Caras. No mesmo dia fui apresentada por Cimara, da Poty, o seu serviço de encapamento automatizado de livros. Uma grande máquina que deixa nossos volumes protegidos do tempo e das avarias cotidianas. E ambos os lugares, valores mais convidativos. Alegro-me de ver as opções de Mossoró.

Leitura Para Dar de Presente no Natal

Caso você esteja realmente interessado em agradar uma pessoa pertencente a área da saúde, o livro é este. Mas se você quer "botar para cima" aquele seu conhecido que esteve à beira da morte, o livro também é este. O caso não se enquadrando em nenhuma das situações citadas, ainda assim essa leitura torna-se adequada, à medida que uma neurocientista descreve como se recuperou de um gravíssimo derrame cerebral. A leitura em certos pontos é bem específica e a autora faz algum esforço para reprimir os termos técnicos, possivelmente pensando no leitor leigo. Vale a pena conferir e você encontra, com facilidade, na Poty Livros.
Título: a Cientita que Curou Seu Próprio Cérebro
Autor: Jill Bolte Taylor
Editora: Ediouro
Edição: 01







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