Prefeitura do Natal
Edição Número 1.822 - Ano VII - Natal e Mossoró, Sábado, 11 de Fevereiro de 2012.
Capa Colunistas Líria Nogueira

Líria Nogueira

antonialiria@uol.com.br

Pena Aberta

Publicado na Edição Número 0795 - Ano II
O advogado da diaba

Sem mais delongas, a conversa hoje é sobre Internet. Esse instrumento do cão, essa diaba, essa coisa extremamente necessária à vida nos dias atuais.
Nasci em uma época em que o acesso à rede de computadores era restrito, extremamente restrito. Eu diria que restrito ao ponto de nós, moradores do Boa Vista, vizinhos do Rabo da Gata, fronteiriços do Lagoa do Mato(é contigo, Antonio Francisco!), nunca termos ouvido falar. Talvez devido a essa imperdoável ignorância vivíamos como meninos de rua, lambuzados de catarros uns dos outros, esfregando nossas barrigas nas calçadas e brincando de "conzinhadinho" no quintal da casa de qualquer uma de nós. Teclado, só os das máquinas de datilografia, instaladas todas na União dos Artistas, onde aprendíamos o que se pode do asdfg. Lamentável, realmente lamentável. Veja por exemplo que os flertes eram táteis. A gente olhava, via, e só depois batia um papinho que podia ser depois da missa na Praça do Alto da Conceição.
Graças a Deus nada disso é mais necessário, nem visível. Pulamos a cerca desse vexame à medida que nos aproximamos da rede internacional de computadores, facilitando em muito a vida de todos nós. Em aspectos variados, devo ressaltar. Ora mais que afronta à nossa capacidade de acondicionamento, aquelas enciclopédias enormes, vendidas de porta em porta, com suas encadernações opulentas demais para o tamanho da biblioteca que não tínhamos. Para que aquilo? Só para a gente perder um tempo danado folheando suas páginas coloridas e vendo com a ponta dos dedos muito mais do que o procurado? É com alívio devido que não as encontro mais. Em casa nenhuma. Em seu lugar, encontra-se com ordinária facilidade uma tela onde se digita no Google a dúvida cautelar.
Eu acho justo.
A gente tem que acompanhar o mundo e na negativa dessa ação tem quem tome à nossa frente, é ou não é? A carreira por um lugar ao sol hoje passa pela estrada da internet. Aliás, julgo que só se vai por ela. Fomos mais uma vez banidos do mundo da liberdade, quando não temos outra alternativa, a não ser enveredar por ela. A braba. A bicha. A hipinotizante internet.
Como profissional da saúde, acompanho também que a rede de computadores consegue modificar hábitos nas pessoas e as adoece também.
Em 1979 (eu era pequenininha, viu gente?) assisti pela Tv Tupi, que era especialista em reproduzir filmes de ficção científica, um filme chamado A Geração de Proteu. Para aproximar o nostálgico leitor, lembro que entre as atrizes estava a esfuziante Julie Christie, cuja performance me marcou muito. Naquela época seria bem improvável que alguém fosse inseminado por um computador. Hoje é.
Vejo crianças, adolescentes e adultos grávidos da internet. Parindo com elas muitas horas de ilusão e desencantamento com a vida, e vejo também muitos deles doentes como se um vírus virtual tivesse infectado suas mentes vazias, sem ocupação. Defendo que campanhas para restrição do fumo, do álcool, das drogas ilícitas, obtivessem a inclusão da restrição do uso do computador. Tipo: use com moderação, ou quinze minutos de conversa real com humanos, a cada hora no computador. Não sei. Vamos deixa nossos filhos dar conta disso...

Festa de Santa Luzia

Sendo os mossoroenses testemunhas dessa grandiosidade, direciono o convite aos nossos irmãos do Estado. E como esse vespertino diário é muito é visto também pela internet, estendo aos internautas, fazer o quê. Falo do aquecimento citadino que toma Mossoró nesses dias de Festa de Santa Luzia. É uma delícia vivenciar uma festa de quermesse, típica de cidade pequena, nessa enxerida Mossoró. Estamos todos em rebuliço, cheios de orgulho e esplendor. Venha visitar Mossoró, está linda!

Leitura Para Dar de Presente no Natal

Lúcia Rocha me despertou para a divulgação de obras potiguares. E hoje lhes apresento essa história bem contada de uma moradora de rua que ascendeu ao cargo de gente. Com uma narrativa breve sem cansar o leitor, Lúcia Rocha consegue nos prender por todo o roteiro do livro. É tenaz quando pincela romance, é magnífica quando se antecipa as famosas leis da atração, tão comentadas nos dias de hoje. Dica sem erro para potiguares que querem apreciar o que o sertanejo tem, mesmo que esteja sendo espectador de uma história tão pungente quanto esta, que se passa em São Paulo. Vale a pena conferir.

Título: A Catadora de Sonhos
Autor: Lúcia Rocha
Editora: coleção Mosoroense
Edição: 01







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