Prefeitura do Natal
Edição Número 1.822 - Ano VII - Natal e Mossoró, Sábado, 11 de Fevereiro de 2012.
Capa Colunistas Líria Nogueira

Líria Nogueira

antonialiria@uol.com.br

Pena Aberta

Publicado na Edição Número 0781 - Ano II
O circo

Tenho um apego danado a coisas engraçadas. Minha alegria custa baratinho e pode ser comprada por qualquer dois tostões. Na verdade, enxergo fácil o gaiato, o hilário, o boêmio.
O bom humor, desconfio, é culpado pelas coisas darem certo na vida das pessoas. E quem tem é quem procura por ele, não é quem espera que ele venha. Bom humor não cai do céu. O sujeito tem que sentir a graça dos acontecimentos tomar conta dele como um espírito, não que eu já tenha sido tomada por um antes, mas penso que a aproximação é válida.
Os indivíduos portadores de bom humor o carregam como uma cruz, é fato. Também pode ser confundido com alguém fraco das faculdades mentais. Se não, avaliem: certa vez ao final de uma exaustiva reunião, quando já está todo mundo cansado e conversando os finalmentes, eu tive alguma coisa como uma experiências transcendental. Para driblar a fadiga me ausentei de corpo presente da sala e do meu canto comecei a imaginar todo mundo nu. Gerente executivo, secretário de governo, até o prefeito nesse dia entrou na dança. Todo mundo sem roupas na minha imaginação de devassa. Só deixei os adereços, as gravatas e os sapatos com meia, uma graça.
Nada erótico. Só ilusão de circo. E por falar nisso, dia desses recebi de um primo um convite inesperado:
- Quer ir ao circo?
Na minha tesa inocência de adulta nunca mais desde seis ou sete anos tinha voltado minha atenção para os palcos cobertos de lona. Vez que me lembro tinha sido lá no largo do jumbo, que também nem é mais jumbo e nem é mais descampado. "Respeitáveeeeeeel público!!!!!" Naquele dia todas as palavras que ele disse soaram maiúsculas no meu coração e todas as minhas reações tiveram pontos de exclamação no final. Ai, ai o circo... Suspirei, voltei à realidade e dei de cara com meu primo inquieto, esperando eu voltar de lugar nenhum, só de dentro de meus devaneios.
- E ai, vai ou não vai? - perguntou com impaciência.
- Não sei... Acho que hoje não. - respondi me esforçando para fazer uma cara maior de cansaço do que eu realmente estava.
Meninos para o circo passam aos mói. Dizia sempre meu avô que gostava de falar frases inteiras de trás para frente. Aos mói de coentro, as ruma, todos juntinhos, de muito, explico para o leitor que nunca morou no bairro Boa Vista em Mossoró. Aqui parece termos um dialético, que meu avô, modéstia à parte, falava como ninguém. Seguiram para o circo nesse dia a primarada, alguns tios mais animados, tias, agregados, todos num carnaval só. Por maldade, ainda vieram me dizer que o ingresso custava um real, mas que teria desconto de vinte centavos se o representante do respeitável público levasse um gato vivo para o leão comer. Pode? Puxei da imaginação na hora me vendo com todo esse um metro e meio que me é peculiar correndo atrás de gatos para servir de ingresso. Dei risada, mas valeu para o veredito final:
- É hoje não vai dar mesmo.
Nada de circo, nada de gatos, nada de leões, do acontecido só perdurou o bom humor. Tenho para mim que a rotina é uma desgraça, um descontentamento, uma 'descoisaboa', um desgosto, um dissabor. O bom humor salva essas atravacações do di-a-dia. Como se a gente vivesse dentro de um circo bem grande, com palhaços gente boa, com leões querendo engolir a gente, ou quando assumimos o lugar do apresentador, chamando a atenção do povo para ver o que sabemos fazer, ou na pele da bailarina, dançando e sorrindo como se nada no mundo tivesse acontecido de ruim, ou dos trapezistas, ou equilibristas fazendo a feira da semana, ou ainda na pele das estrelas principais.
Até terça que vem.

A Pequena Notável da Difusora!

Esta semana, ouvindo a rádio Difusora de Mossoró, surpreendi-me com a qualidade de sua mensagem natalina. Louis Amstrong interpretando a linda What a Wonderful World e uma delicada voz de criança que nada a deixa a desejar ao conjunto. Ao contrário, a voz da menina é a jóia da mensagem. Um encantadora leitura juvenil enchendo nossos ouvidos e marejando os olhos.

Leitura Para Dar de Presente no Natal

A fuga da família real portuguesa para o Rio de Janeiro ocorreu em um dos momentos mais apaixonantes e revolucionários do Brasil, de Portugal e do mundo. O propósito deste livro, resultado de dez anos de investigação jornalística, é resgatar e contar de forma acessível a história da corte lusitana no Brasil e tentar devolver seus protagonistas à dimensão mais correta possível dos papéis que desempenharam duzentos anos atrás. '1808 - Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil' é o relato sobre um dos principais momentos históricos brasileiros. Aproveite as dicas de Natal e presenteei com livros.

Título: 1808
Autor: Laurentino Gomes
Editora: Planeta do Brasil -1ª Edição







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