Prefeitura do Natal
Edição Número 1.822 - Ano VII - Natal e Mossoró, Sábado, 11 de Fevereiro de 2012.
Capa Colunistas Líria Nogueira

Líria Nogueira

antonialiria@uol.com.br

Pena Aberta

Publicado na Edição Número 0888 - Ano II
Muita calma nessa hora...

Confraternizações para as grandes famílias, onde muitos moram longe, são um teste à parte, no grande percurso da vida à dois. Quem passa por isso vai me entender, venha comigo.
A preparação. Talvez o melhor da viagem. Preparar-se para viajar, imaginar como vai ser, quem vai encontrar, que roupa vai vestir, imaginar o quão divertido vai ser ficar uma horinha inteira sem ter que cuidar do bebê sozinha. Lá sempre terá, por mais anos que se passem, uma ou duas sobrinhas de quinze anos querendo pegar a criança, e um sobrinho mais sensível também, querendo lhe prestar ajuda. Mas esse último menino, por algum motivo, ninguém enxerga, finge que não vê e dá outra ocupação para ele. As malas. Sempre será você a querer passar pela cunhada gostosa, claro. Sempre será você a querer os outros olhando para seu marido e pensando "que cara de sorte!", então veja lá o que vai usar. Caso tenha mais de trinta anos, tenha bom senso. Leve livros, sempre ajudam, caso tenha poucos filhos ou filhos crescidos; no caso de filhos pequenos, passados da casa de mais de um, fica complicado; principalmente se a confraternização for com a família dele. Ou ele não terá tempo de lhe ajudar com o neném ou ajudará, sob pena de ser chamado de mané pelos cunhados.
A chegada. Ora bolas, a mãe trabalhadora dos tempos atuais, rala o ano inteiro na sua profissão e na sua casa. É uma batalha cotidiana. Nos feriados, essa pobre criatura sem vida quer mais é descansar um pouco. Porque as sogras insistem em querer suas noras chegando desesperadas para encarar um fogão? Ou uma pia de pratos? Ou o raio que a parta? As noras não vão querer, minha cara, já fazem isso o ano inteiro nas suas casas e não vão estar dispostas a fazer na sua, para o coletivo. Por conta dessa expectativa inevitável obrigue-se a pelo menos manter sua matilha em ordem, eleja um lugar seguro para os pertences, nada de objetos pessoais no banheiro da sala que todo mundo vai usar. São seus parentes, seus irmãos, mas não são você.
O encontro. Eles passam um ano sem se encontrarem, estão com 40, 50 anos, grisalhos, mancam pela última crise de osteoporose, mas quando se juntam todos, viram crianças. Por situações, podem até mudar a entonação da voz, deixando-a parecida com o dialeto que usavam quando eram jovens, solteiros e... Felizes, diria o gaiato de meu marido. Assim, como se parte daquelas mulheres do encontro não fosse as responsáveis diretas pela melhora do quadro. Da roupa ao resto. Suporte, encare, sorria se achar que deve, mas pelo amor de Deus não critique. São parentes que o amam sinceramente, assim como... Você? Bom, isso não sou eu que pode mensurar. Só posso dizer que festa em família é mesmo um momento de diversão, mas para famílias que se amam, e se são assim é porque foram ensinadas assim, criança aprende o que foi dito para ela. Todos eles foram pequenos um dia e aquela matriarca, enjoadona, que lhe olha do dedo do pé até o pensamento, foi quem lhes ensinou o que são hoje. O jeito é amá-la também. Faz parte do casamento. Sem essa de "eu não vou!". Isso é antiquado, já era. Mulher descolada encara tudo e tira bom proveito das situações.
E ainda fica bem na foto. Feliz Natal!







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