
Paula Martins
paula@correiodatarde.com.brDicas de Investimento
Publicado na Edição Número 0929 - Ano II
Compra compulsiva: inimiga dos investimentosA história é sempre a mesma. Quando a ansiedade e o estresse estão com a corda toda, nada melhor que fazer uma comprinha no shopping. Só que existe uma grande diferença naquelas comprinhas inocentes e a compra compulsiva. O comprador compulsivo não tem controle sobre o próprio comportamento. Freqüentemente compra produtos que nunca irá usar, em quantidades muito exageradas e às vezes sem ter como pagar. A compra aparece como uma resposta às frustrações e a sentimentos como raiva, solidão e tristeza. Afeta o indivíduo econômica e emocionalmente.
Euforia e depressão
Apesar de sua motivação inicial e euforia momentânea, o comprador compulsivo parece ter pouco prazer com o que compra. Sente culpa e vergonha, tem receio de que alguém descubra que adquiriu coisas desnecessárias ou que nunca usou o que foi comprado. Não podemos confundir com a compra por impulso, que é a compra não planejada.. Ela não resulta em danos para o indivíduo. Na compra compulsiva, as conseqüências são prejudiciais a ele mesmo e podem afetar outras pessoas.
Facilidades
Algumas pessoas têm dificuldades em lidar com as chamadas facilidades para pagamentos, citando as principais: cartões de crédito, débito, cheques, caixas eletrônicos. Tudo isso impulsiona a compra. As transações financeiras virtuais são abstratas e intangíveis para muitos consumidores. Isso leva a perder a noção do valor que de fato está envolvido. Muitas pessoas sequer conhecem o limite de crédito do próprio cartão.
Responsabilidades
Muitos culpam o descontrole do comprador compulsivo na hora de discutir o assunto. Só que a questão deve ser discutida entre todos os elos envolvidos nessa cadeia - como compradores, educadores, famílias, administradoras de cartões de crédito, organizações de proteção e defesa do consumidor - além de assistir e orientar quem apresenta descontrole nas compras. É preciso ser responsável ao comprar.
Controle
A primeira pergunta a ser feita é saber o quanto é dever muito? Segundo a opinião de muitos consultores financeiros, o endividamento é suportável se for de até cinco vezes a renda. A partir daí, é preocupante. O resultado dessa conta é uma forma da pessoa repensar a vida financeira. Para fazer esse cálculo, é preciso simplesmente somar todas as dívidas em aberto - do rotativo do cartão de crédito, do cheque especial, do crediário de lojas - e dividir pelo salário.
Poupança
Um dos princípios da organização financeira é ter dinheiro guardado. Tem uma poupança de até seis vezes a sua renda quem se preocupa em possuir um fundo de reserva para uma situação inesperada ou de emergência. Quem tem um valor guardado entre seis e 12 vezes o que ganha é o poupador. É disciplinado e tem planos para o futuro, pretende alguma coisa com esse dinheiro.
Investidores
Pessoas que têm guardado uma quantia acima de 12 vezes a renda são os chamados investidores. São aqueles inclinados a fazer o dinheiro gerar mais dinheiro. Não estão juntando dinheiro para trocar de carro ou viajar, mas para fazê-lo gerar renda. Já quem tem menos de uma vez o que ganha é do perfil "torra-tudo". Precisamos mudar essa visão e enxergar o investimento como algo que trará renda. Nada melhor que dormir mais tranqüilo.
A economia não lida com coisas e objetos materiais tangíveis, trata dos homens, suas ações e propósitos."
Ludwig von Mises
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