Edição Número 1.222 - Ano IV - Natal e Mossoró, Segunda-feira, 08 de Fevereiro de 2010.
Capa Colunistas Walter Fonseca

Walter Fonseca

walter@correiodatarde.com.br

Primeira Mão


Está em curso a Operação Bumerangue na política nacional

Gestos significativos feitos por importantes atores da política nacional fizeram sair do âmbito interno do PSDB para o grande palco político que está sendo armado para 2010, aquilo que começa a ser chamada de Operação Bumerangue, nome que está sendo dado à articulação para a volta triunfal da candidatura presidencial do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, retirada, em beneficio de José serra, nos dias que antecederam o final do ano de 2009. Dos políticos importantes envolvidos nesse projeto, destaque para os deputados Ciro Gomes(PSB) e Michel Temer(PMDB).Em contatos telefônicos mantidos com Aécio, segundo noticiou o bem informado jornalista Fernando Rodrigues, o primeiro garantiu que retiraria a sua candidatura em favor do neto de Tancredo Neves e o segundo garantiu a ele garantiu que a sua entrada na disputa mudaria o quadro, sinalizando que o seu PMDB pode desistir da aliança que está em construção com o PT. O crescimento eleitoral de Dilma Rousseff, a sinalização de que a candidatura José Serra chegou ao seu apogeu e começa a cair, a pressão deselegante que o PT tem feito sobre a candidatura Ciro Gomes e o veto que o presidente Lula e o PT estão tentando aplicar sobre o nome de Michel Temer para ser vice de Dilma, formam o caldo de cultura dessa nova e surpreendente operação, que, acontecendo, deverá mudar radicalmente o quadro político nacional em geral e em particular o do RN.


"Se você entrar (na disputa presidencial), o quadro muda".
Deputado Federal Michel Temer(SP), presidente nacional reeleito do PMDB, incentivando o governador tucano de Minas Gerais,Aécio Neves, a entrar na disputa presidencial.

Gostinho de represália

Não terá passado desapercebido ao presidente Lula e ao PT um certo gostinho de represália por parte do deputado Michel Temer, bi-presidente do PMDB e da Câmara Federal, pelo fato de estar sendo praticamente por eles vetado para ser o candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Dilma Rousseff, no incentivo dado em telefonema ao governador Aécio Neves(PSDB/MG), para que o mesmo entrasse na disputa para a Presidência da República(ver frase da coluna).O gesto foi potencializado pela declaração do líder do PMDB na Câmara Federal, deputado Henrique Alves, dando conta de que o PMDB poderá reavaliar a indicação de Temer como vice de Dilma(reavaliar para indicar ou outro nome ou para desfazer a aliança com o PT ?).

O efeito bumerangue no PSDB

Caso venha a se confirmar a substituição do nome do governador de São Paulo, José Serra, pelo o do governador Minas Gerais, Aécio Neves, o PSDB ganhará um novo e grande impulso na disputa presidencial, inclusive com a possibilidade de atrair novos e importantes aliados, como o PSB e o PMDB.Além disso, de uma só vez, garantirá a continuação do partido no comando dos Estados de São Paulo e Minas Gerais, já que Serra é franco favorito para a reeleição e a candidatura presidencial de Aécio puxaria para cima a já favorita candidatura por ele apoiada em Minas.

O efeito bumerangue no PSB

Já no que diz respeito ao PSB em se confirmando o nome de Aécio Neves como candidato presidencial do PSDB e o mesmo atraia o deputado Ciro Gomes para ser seu vice, formando assim a mais forte chapa presidencial no período pós-Lula, o partido além de passar a ter a possibilidade real de vir a ocupar o segundo cargo mais importante da República, terá assegurada,praticamente, a nomeação do seu presidente, Eduardo Campos, para o seu segundo mandato à frente do governo de Pernambuco.

O efeito bumerangue no PMDB

Formada a chapa Aécio Neves/Ciro Gomes e esta venha a receber o PMDB na aliança em torno dela, o partido hoje dividido entre governistas e oposicionistas e publicamente humilhado pelo presidente Lula e pelo PT que não aceitam o nome do seu presidente Michel Temer para ser o companheiro de Dilma Rousseff, só terá a ganhar porquanto surgirá a oportunidade do partido novamente se unir em torno de um projeto único.Tanto no nível nacional, quanto aqui no RN.

Efeito bumerangue sobre a política do RN

No RN, cristalizando-se a situação enfocada em notas anteriores, mudará por completo o quadro político local, porquanto o PSB e o PMDB passariam para o palanque do PSDB/DEM, afastando-se por completo do PT e tornando inviáveis as candidaturas de Wilma e Iberê ao Senado e ao Governo, respectivamente, e produziria a candidatura de Carlos Eduardo(PDT) ao governo com o apoio do PT, com o objetivo de oferecer um palanque à Dilma.O PMDB diria amém porque voltaria à unidade entre Garibaldi e Henrique Alves e Wilma de Faria passaria a ter a desculpa perfeita para trocar a candidatura ao Senado por uma para a Câmara Federal. A Iberê sobraria governar o estado por nove meses e a garantia de um importante cargo federal, no caso de vitória.

O gato de Iberê subiu no telhado

O circulo mais intimo e que detém ainda alguma influência sobre as decisões políticas (cada vez mais equivocadas desde a campanha municipal de natal em 2008) da governadora Wilma de Faria, parece tê-la convencido a iniciar um certo desatrelamento da candidatura de Iberê Ferreira ao governo. O primeiro sinal nesse sentido foi dado na reação da Guerreira ao rompimento do deputado Robinson Faria, quando ela, na tentativa de manter os votos dos aliados de Robinson para o seu projeto de se eleger ao senado, optou por não responder com veemência, como é o seu estilo, e muito menos com a demissão do governo, dos investidos nos cargos de confiança pelo deputado indicados.

O gato de Iberê caiu do telhado

Nos últimos dias, não tem sido pequeno o número de prefeitos e lideranças do interior do Estado que, após conversarem com a governadora e explicar as dificuldades de transferir votos para Iberê porque, segundo os mesmos, "o povo só quer votar em Rosalba", vem dando a entender que Wilma sinaliza na direção de que importante é o voto nela para o Senado, ou seja, caminha para a cristianização do candidato do seu partido. Depois do que aconteceu de Wilma com relação, a por exemplo, Henrique Alves(2002), Francisco José (2004), Rogério Marinho e Micarla de Sousa(2008), alguém duvida?


O perigo mora ao lado
Ontem, passando o 1º. final de semana do atual veraneio na querida Praia do Tibau, o colunista ouviu de um importante interlocutor com mais horas no grupo de uma importante parlamentar governista do que urubu de vôo, que não está descartada a possibilidade da sua líder entrar com uma denúncia de crime eleitoral por propaganda fora do prazo, contra o correligionário João Maia, depois que foi informada e ter visto, através de blogs,do uso do trio elétrico do mesmo, nesse período pré-carnavalesco, nas ruas de Caicó. O clima reinante parece ser o do "guerra é guerra". Imaginem se fossem adversários. Segundo a fonte, se o Ministério Público Eleitoral não oficiar a denúncia, sua líder o fará.


Chapa quente

Para se ter uma idéia do clima nada ameno que permeia o interior do PSB/RN, o colunista destaca duas notícias veiculadas, ontem e hoje, na imprensa do Estado.A primeira, na 3ª página do DN de ontem, sob o título "Wilma se descola de Iberê", afirma que a "governadora começa a buscar lideranças que não necessariamente apóiam o projeto do seu vice".A segunda, postada hoje no blog FatorRRH, sob o título Iberê também pode descolar , alerta que o perigo para Wilma "é Iberê Ferreira, a partir de abril, afastar-se dela e buscar apoios somente para o Governo e entupir os canais operacionais do governo para a campanha da ex.
Iberê pode não se eleger ao Governo. Aliás, pode até nem ser candidato.Mas, sentado na cadeira e com a caneta na mão, tem poder de fogo para deseleger".

Um risco n`água

Em abril de 2009, a governadora Wilma de Faria, perante as mais expressivas lideranças empresariais da cidade de Mossoró, assumiu o compromisso de que em 120 dias(inicio de agosto), o aeroporto de Mossoró estaria recebendo vôos comerciais diários.Em 30 de setembro, com pompa e circunstância, ela assinou um "Protocolo de Intenções" com a empresa de táxi aéreo Star Fly, com esse objetivo.Hoje, passados 10 meses, a palavra da governadora não foi cumprida.E muito dificilmente o será até 31/03 quando ela deixará o governo.Na época, o colunista alertou ao governo, através deste CT e diretamente ao secretário estadual de desenvolvimento econômico, Segundo Paula, que a empresa escolhida sequer tinha regularizada a sua licença de operar táxi aéreo, imaginem aviação regional.Como de outras vezes, claro que não foi levado em consideração.

Um risco n`água II

Na mesma reunião de abril no Hotel Garbos de Mossoró, depois de uma belíssima exposição sobre os projetos e volume de investimentos que seriam feitos na cidade e Região ainda em 2009 e em 2010, Wilma de Faria anunciou a inclusão no Orçamento de 2010 dos recursos para a construção do parque da Ilha de Santa Luzia, como o fez com o da Ilha de Santana, em Caicó.Até agora, necas de pitibiribas. Nem para o parque e nem para as transformações anunciadas e prometidas.Esse é o estilo Wilma de governar.

Um risco n`água III

Ainda com relação à Mossoró, em agosto de 2009, Wilma de Faria em companhia da ministra Dilma Rousseff armaram um teatro na cidade e inauguraram um "tal de canteiro de obras" para o início da construção do Complexo Viário da Abolição, tendo inclusive assinado uma ordem de serviço para tal. Decorridos seis meses, nem as marcas do tal canteiro, são visíveis, imaginem as obras.

Almoço com o PP

Hoje, em Natal, o deputado federal Fábio Faria(PMN), se reúne em almoço com o prefeito em exercício e presidente do PP municipal, Paulinho Freire, e os dois vereadores do partido, Albert Dickson e Chagas Catarino.No cardápio, a mudança de comando do partido no RN.O nome com alta cotação para substituir Pepéu,o atual presidente,é o do prefeito de Lages, Benes Leocádio, por indicação do deputado Henrique Alves.Em tempo: Benes e a esposa têm estreitas relações funcionais com a Assembléia Legislativa presidida pelo deputado Robinson Faria, de quem o partido estaria sendo subtraído.A celeuma em torno do PP/RN abalou a amizade antiga existente entre Henrique Alves e Robinson Faria.

O cumprimento de compromissos assumidos (vôos comerciais, Complexo da Abolição e parque da Ilha de Santa Luzia) por Wilma de Faria com a cidade de Mossoró; A administração Fafá Rosado que ameaça com novos cortes de orçamento e demissões de servidores; O grupo do deputado Robinson Faria que está perdendo o controle sobre o PP/RN.

Sinais de que a comunicação político-eleitoral entre o wilmismo e o vice-governador Iberê Ferreira começa a sofrer de preocupantes ruídos; A dúvida sobre qual é o verdadeiro sentido (bom ou ruim para Lula e para o PT?) do recado dado por Henrique Alves de que o seu PMDB pode reavaliar o projeto de ter o seu presidente Michel Temer como vice de Dilma Rousseff; As conversas, no nível nacional, entre PSDB, PSB e PMDB em torno da substituição de José Serra por Aécio Neves na disputa presidencial.



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