Edição Número 0791 - Ano II - Natal e Mossoró, Quinta-feira, 04 de Dezembro de 2008.
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Maternidade continua em situação precária

Publicado no Dia 03/05/2008
Conceição Guilherme e Nara Andrade

Raul Pereira
Apesar de instalada UTI Neonatal, na Casa de Saúde Dix-sept Rosado
As discussões relacionadas à necessidade de instalação de uma unidade de tratamento intensivo neonatal aqui em Mossoró se arrastam por mais de cinco anos. No entanto, no final do ano passado o assunto ganhou força com a morte de alguns bebês encaminhados para Natal e a realização de uma série de audiências realizadas para definir a instalação dos equipamentos.

Após várias discussões, a única unidade de atendimento Neonatal da cidade foi instalada na Maternidade Almeida Castro, integrada a Casa de Saúde Dix-sept Rosado e administrada pela Associação de Proteção à Maternidade e à Infância de Mossoró (Apamim).

O Ministério Público passou a cobrar agilidade por parte dos responsáveis quanto à instalação, chegando, inclusive, a estabelecer prazo para o início dos atendimentos. No entanto, este prazo não foi respeitado. Por causa disso, as crianças que apresentavam complicações pós-parto tinham que ser encaminhadas para centros mais avançados como das capitais mais próximas.

O número de óbito chamou atenção da sociedade e do poder público. As famílias com maior poder aquisitivo passaram a optar por realizar o parto em Natal ou em Fortaleza. Para os que não tinha condições, a opção era arriscar na sorte e expor as crianças aos riscos de complicações e ausência de aparatos para o tratamento. Como em alguns casos era necessário encaminhar os bebês que apresentavam problemas para outras cidades, muitos vieram a óbito devido à demora no atendimento adequado.

Após inúmeras cobranças do Ministério Público, através da Promotoria de saúde, para início do funcionamento, a UTI Neonatal foi inaugurada sob críticas envolvendo, principalmente, a funcionalidade dos equipamentos que especialistas afirmavam não ser adequados para recém nascidos e sim aptos para o tratamento de crianças com mais de seis meses de vida.
O promotor responsável pelo processo de instalação da UTI Neonatal, Guglielmo Marcondes Soares, intensificou a cobrança para início dos atendimentos, já que a necessidade era mostrada pelo número de óbitos em Mossoró.

No primeiro semestre do ano passado, no período de cinco meses, das 108 crianças prematuras nascidas na Casa de Saúde Dix-sept Rosado, 93 crianças vieram a óbito, ou seja, 86,1% bebês prematuros não tiveram chances de sobrevivência por falta da UTI Neonatal.

Funcionamento da Maternidade Almeida Castro após a instalação da UTI

A Unidade dispõe de apenas quatro leitos, número que não atende a demanda de recém nascidos com complicações. Desde o início do funcionamento, os quatro leitos sempre ocupados.

Um caso, entre tantos, comprova a precariedade em torno do funcionamento da Unidade. Há dezesseis dias, Taniele de Fátima Martins de Andrade, 20, deu a luz a duas meninas, que apresentaram complicações pós-parto e precisaram ser encaminhadas para leitos de tratamento intensivo neonatal. Devido a pouca quantidade de leitos, as meninas não encontraram tratamento na cidade, precisando ser transferidas. Segundo a família, os médicos disseram que nenhuma UTI Neonatal das cidades mais próximas, tinha vagas. Resultado: as gêmeas vieram a óbito por não resistirem à espera pelo atendimento. "Isso aconteceu porque a gente é pobre, se fosse o filho de um rico eles arrumavam espaço, pode ter certeza", declara a avó das gêmeas, Rita de Cássia Martins de Andrade, 41.

O fato é uma demonstração de que, mesmo com o funcionamento da UTI Neonatal em Mossoró, os bebês que precisam de atendimento específico, continuam expostos a riscos.

Denuncia contraria declarações de médico que atender na Casa de Saúde

Toda equipe de cirurgia, por exemplo, uma cesareana, deve ser realizada com a presença de um anestesiologista, um cirurgião titular, o auxiliar médico, uma instrumentadora e uma circulante. No caso da Almeida Castro, segundo informações de uma fonte do Correio da Tarde, que preferiu ter sua identidade preservada, mas que conhece a realidade da Casa de Saúde, tem cirurgião que realiza cirurgias sozinho, com o apoio de apenas uma auxiliar de enfermagem. Realidade que contraria a resolução do Conselho Federal de Medicina, que proíbe essa prática. Apesar dessas declarações, o médico Manoel Nóbrega, funcionário do Hospital, afirma que a maternidade possui toda a estrutura para o atendimento dos pacientes e que em caso de fiscalização não seria encontrada nenhuma irregularidade. Por outro lado, a fonte declara que, todo plantão de maternidade tem que obrigatoriamente ter 2 plantonistas médicos obstetras. Além disso, toda maternidade, principalmente a credenciada como maternidade para gestação de alto risco, tem que existir durante 24 horas: raio x, laboratório, ultra-sonografia e neonatologista. A situação revela o quanto à obstetrícia de Mossoró precisa de melhorias. O pré-natal, por exemplo, deixa muito a desejar (na rede publica), a maternidade, considerada referencia em Mossoró, precisa de atenção.






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