Edição Número 0779 - Ano II - Natal e Mossoró, Quinta-feira, 20 de Novembro de 2008.
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Cascas de coco

Publicado no Dia 19/09/2007
Taciana Chiquetti

Alberto Leandro
Casca de coco demora doze anos para se decompor no ambiente
A casca de coco representa 5% do total de 622 toneladas de resíduos sólidos coletados diariamente pela Campanha de Serviços Urbanos de Natal (Urbana). As cerca de 30 toneladas de cascas, por dia, são levadas para o aterro sanitário metropolitano, em Ceará-Mirim, como lixo. O problema é que "embalagem" da água de coco leva, em média, doze anos para se decompor.

Assim, o produto que combina perfeitamente com as paisagens potiguares, rapidamente, se transforma em prejuízo ambiental.

Mas esta realidade está mudando no Rio Grande do Norte. Uma usina de beneficiamento de casca de coco está sendo construída em Pium e deve começar as atividades no próximo mês de novembro. A capacidade inicial da empresa é de beneficiar dez toneladas do material por dia. "Já obtivemos a licença do Instituto de Desenvolvimento Econômico e de Meio Ambiente (Idema) para funcionar e estamos buscando o apoio da Urbana para o recolhermos as cascas que ficam nas praias urbanas de Natal e em alguns bairros da cidade, como Alecrim, onde se realizam as feiras livres", conta o empresário Luiz Henrique de Freitas. Ele pretende ainda promover campanhas para sensibilizar os banhistas e os barraqueiros sobre a importância do aproveitamento total do coco. "O coco consumido de manhã, já pode ser transformado em fibra e substrato a tarde", destaca sobre a rapidez do processo, a sócia Gisella Caleffi.

Além de possibilitar maior limpeza nas praias, aumentar a vida útil dos aterros e evitar a necessidade de aguardar mais de uma década para a decomposição, a matéria-prima pode gerar cerca de 45 produtos. O substrato pode, por exemplo, ser usado como adubo na agricultura e a fibra pode ser usada em artesanatos diversos, colchões, estofamento de veículos e vasos que substituem o xaxim, ameaçado de extinção e, portanto, com a exploração comercial proibida, desde 2001, pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama). Os artesanatos vendidos atualmente nos centros de turismo da Praia do Meio e da antiga cadeia, em Petrópolis, têm as matérias-primas vindas de Fortaleza, segundo a vendedora Edinília Silva Alencar. Vários itens são comercializados, como bolsas, toalhas de mesa, cintos, colares, anéis e brincos, feitos a partir do coco. "Se tivéssemos fornecedores aqui em Natal, seria bem melhor", diz.

A solicitação para viabilizar a coleta das cascas na cidade pela usina de beneficiamento, de acordo com a Urbana, ainda está sendo avaliada, mas tem grande potencial para ser autorizada, já que visa conservação ambiental. "Os benefícios são muitos, entre eles, a redução de volume de resíduos no município", salienta a técnica da companhia, Ivanilde Ramos. A primeira unidade de beneficiamento de cascas de coco do Nordeste, com capacidade para tratamento de 30 toneladas por dia, foi instalada em Fortaleza, Ceará, há dois anos, como parte de um projeto da Embrapa Agroindústria Tropical.








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