Com um movimento, Chevrolet S10 ameaça Hilux e coloca nova Ranger em xeque
Publicado no Dia 18/02/2012
Eugênio Augusto / UOLDivulgação

S10 2012 LTZ A/T Diesel: cara de mau para a concorrência, tração 4x4 para os obstáculos
A General Motors do Brasil fez uma jogada de mestre ao apresentar, na terça e quarta-feira (14 e 15) no interior paulista, a nova geração de sua picape média, que manteve o nome S10, mas mudou totalmente de estilo e de abordagem. Planejado e desenvolvido no Brasil, o utilitário ficou mais moderno, seguro (ao menos nas versões mais bem equipadas), refinado e chamativo, para atrair um público que não atingia antes. Mas também encareceu em relação à tabela mais recente, partindo de R$ 58.868 (antes custava R$ 7 mil a menos, R$ 51.061) e chegando ao máximo de R$ 132.250 (a mais cara saía por R$ 74.253).
Na última grande mudança da linha S10, em 2008, os preços partiam de R$ 46.990 e chegavam a R$ 109.219.
A descrição completa de preços e equipamentos do modelo, que chega às lojas do país apenas daqui a 40 dias, a partir de 26 de março -- pode ser acompanhada em detalhes com um clique aqui.
O primeiro ganho da filial brasileira é de moral, que está elevado com a matriz e, principalmente, cresceu a ponto de poder ser usado para cutucar as rivais. Durante a apresentação técnica do produto, na quarta-feira, em Indaiatuba (cidade onde a GM mantém seu centro de testes), houve espaço até para fazer troça com a Ford, que fabrica a arquirrival Ranger: em um dos vídeos de divulgação exibidos, o locutor anunciava que os tempos estavam mudando, enquanto se via imagem da nova S10 rebocando uma F-4000.
A nova S10 melhorou o ambiente mundial da Chevrolet local. Se a antecessora, bolada 16 anos atrás com base num modelo quase desprezado pelo mercado americano (a picape média, ou do segmento C, sempre foi uma opção subjugada nos Estados Unidos pelos trucks do segmento D, e só deu certo mundialmente após encontrar um nicho na sudeste asiático, onde vende como água), a atual inverteu o sentido e foi desenvolvida no Brasil, fabricada e vendida em primeira mão na Tailândia e, pasme, gera um buzz para ser oferecida também no mercado ianque.
Junto com a picape, a filial brasileira também exporta executivos: engravatados locais assumem no começo deste ano a presidência da Chevrolet na Coreia do Sul (lar do Cruze, é bom lembrar) e na filial que une os mercados da Argentina e do Uruguai.
Nem é preciso forçar a memória para perceber o quanto tudo parece ter mudado: há um ano, a marca tinha um portfólio completamente defasado; há seis meses, começava a mudar a situação, mas com modelos que ou eram desenvolvidos no exterior (caso do Captiva e do Cruze) ou tinham visual duvidoso (Montana e Cobalt). Claro, ainda há o que avançar. A própria marca insiste que serão mostrados outros seis novos carros neste ano (incluindo inéditos, versões e renovações).
TIMING É TUDOOutro acerto da nova S10 -- talvez o mais importante -- é o de posicionamento no mercado. A antiga S10 foi líder absoluta do segmento durante sua existência. Mas era um reinado com limitações: frotistas, forças policiais e consumidores que precisavam de uma robusta ferramenta de trabalho amavam a versatilidade e a manutenção simples do modelo. Quem buscava algo mais refinado, para transitar do campo para a cidade (de fato, da casa grande para o escritório) fugia para outras marcas.
Assim, enquanto a S10 esbanjava a liderança, a Toyota tornou sua Hilux referência em termos de picape média: mais refinada, tornou-se ainda a preferida do consumidor que podia e queria pagar por mais. No mercado atual, onde o comprador está mais experiente, tem maior poder de compra e, por consequência, está cada vez mais exigente, a ameaça do modelo japonês era real.

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