Edição Número 1.222 - Ano IV - Natal e Mossoró, Segunda-feira, 08 de Fevereiro de 2010.
Capa "RN tem capacidade para comportar dua...

"RN tem capacidade para comportar duas ZPE´s"

Publicado no Dia 28/03/2009
Allan Darlyson


Eleito prefeito de Assú nas eleições do ano passado, Ivan Júnior (PP) começa a administração tendo que enfrentar a crise financeira mundial, que atinge em cheio os municípios brasileiros.

Em entrevista ao CORREIO DA TARDE, dando prosseguimento à série Novos Prefeitos, o gestor de Assú definiu as prioridades para sua administração, defendeu a implantação da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) no Vale do Açu, chamada de ZPE do sertão e revelou que pretende retardar a decisão de quem apoiará nas próximas eleições para o próximo ano. Ivan disse que ainda não tem candidatos definidos. Ele disse que escolherá seus aliados políticos de acordo com o trabalho dos políticos pelo município. Confira a entrevista a seguir:

CORREIO DA TARDE: Quando você resolveu entrar na política e com que estímulos?

Ivan Júnior: Ingressar na atividade político-partidária não era minha prioridade de vida. Porém, depois de recebi o convite do então prefeito Ronaldo Soares para exercer a função de secretário de Saúde, atribuição que desempenhei com muito orgulho e agradecido à confiança em mim depositada, passei a ver a atividade política sob outra dimensão, mas sem almejar ser candidato até então. Isto só veio a ocorrer quando meu nome passou a ser lembrado dentro do grupo liderado pelo então prefeito Ronaldo Soares à sucessão de 2008. Naturalmente, depois destes fatos, senti-me estimulado a dar uma contribuição maior à minha cidade e meu povo, razão acabei aceitando concorrer à Prefeitura Municipal com o compromisso de procurar realizar um bom trabalho em prol do município.

Na eleição do ano passado, você enfrentou uma grande estrutura política, que reunia as ditas principais lideranças políticas do Estado e venceu. Como você avalia a vitória nessa campanha eleitoral?

Entendo que o resultado da eleição acima de tudo traduziu um sentimento da maioria da população do Assú de criar uma nova perspectiva administrativa a partir de uma mentalidade que simbolizasse uma nova geração. Nossa vitória em 2008 é também o início de um grande desafio para o futuro do nosso município. Devo ressaltar a liderança e a atuação administrativa do ex-prefeito Ronaldo Soares, em cuja administração começou todo um processo que cabe a nós agora dar seqüência, para que as esperanças depositadas em nós pela maioria do povo do Assú possam ser contempladas. Pesou também o respaldo dos nossos aliados e correligionários que fizeram surgir uma corrente única de propósitos a bem de nosso município. Claro que o momento atual, de uma crise sem precedentes, cria dificuldades para impomos o plano de ação que desejávamos, mas cremos em Deus que o quadro se modificará e poderemos dar as respostas que o povo espera.

Ao assumir a prefeitura, qual a principal dificuldade que você encontrou?

A dificuldade maior, sem sobra de dúvida, é o colapso financeiro que é enfrentado por todos os gestores públicos do País. Veja que esta situação aflitiva tem tornado as Prefeituras impotentes em todos os aspectos. Nossa preocupação é constante para garantirmos a pontualidade das obrigações e compromissos do poder público. Esta adversidade tem engessado a administração. E isso reflete em outros municípios do Estado e do Brasil. Temos atraído um desgaste de grande proporção por conta desta realidade e é necessário muita serenidade para lidar com este panorama e agir com dedicação, obstinação e criatividade para superar tudo isso e poder realizar o trabalho que pretendemos.

Quais foram suas primeiras ações como prefeito, nesses três primeiros meses de administração?

Como eu disse antes, a crise monstruosa que paira por sobre a administração impôs um freio nas ações que havíamos estabelecido para iniciar o governo. Existem algumas realizações, mas que são tímidas em relação ao que havíamos planejado. Lamentavelmente, a realidade nos impõe uma série de restrições. O ano de 2009 pode tornar-se inviável do ponto de vista de investimentos. Para caminhar temos procurado parcerias que possam mostrar uma perspectiva melhor. Hoje, diante da realidade, o que devemos fazer é elaborar um planejamento para tratar do contingenciamento dos custos operacionais a fim de evitar um problema maior.

Que projetos serão prioritários para os seus quatro anos de gestão? ou seja, o que você se sentirá realizado por ter conseguido implantar ou construir, após sua gestão?

Existem inúmeros projetos que pensamos e que enumeramos no nosso Plano de Governo. Poderia citar um exemplo que tem um significado não só local, mas abrange toda a região: o consórcio intermunicipal de desenvolvimento. Este consórcio criaria condições para otimizar a prestação de serviços públicos em vários setores. Há o desejo de implantar um distrito industrial e, neste sentido, estamos em conversações com um grupo empresarial que tenciona implantar uma empresa de lubrificantes em Assú. Aliás, já procuramos o Governo do Estado para que este empreendimento possa ser beneficiado pelo PROADI (Programa Estadual de Apoio ao Desenvolvimento Industrial). Este investimento poderá gerar até 160 empregos no município. Há diversos outros projetos que estão no nosso Plano de Governo, que é a bússola de nossa administração.

Como você avalia esse momento de crise financeira, proporcionada pela queda no repasse do FPM?

É uma situação surreal e preocupante. Veja bem: nunca na história da administração pública uma Prefeitura tinha deixado de receber recursos do FPM (Fundo de Participação dos Municípios). Agora, 25% das cidades do Estado, inclusive Assú, tiveram saldo zero nas duas primeiras parcelas do FPM de março. Segunda-feira, dia 23, a Femurn (Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte) promoveu uma reunião de emergência para discutir este problema. Ouvi vários colegas prefeitos falando até em renunciar porque não vislumbram nenhuma condição de governabilidade diante desta situação. Se não houver uma providência será a falência total da administração pública municipal.

Quais serão as medidas tomadas pela administração municipal para reduzir os efeitos da crise?

Orientamos nossa equipe econômica a confeccionar um plano de contingenciamento. Vamos estudar todas as hipóteses e deixar para o último momento as eventuais medidas dolorosas e traumáticas. Não quero tirar o sossego de ninguém, mas, infelizmente, teremos que adotar as providências que forem necessárias para evitar o caos na Prefeitura.

No final do ano passado, a senadora Rosalba Ciarlini apresentou um projeto que prevê a criação de uma Zona de processamento para exportação (ZPE) para o Vale do Açu. Que benefícios essa ZPE, Caso seja implantada, trará para o Município?

Este empreendimento, que nasceu por iniciativa do ex-prefeito Ronaldo Soares e foi produzido pelo consultor inglês Brian Tripler, beneficiará diretamente mais de 50 cidades do Rio Grande do Norte. As primeiras projeções indicam que mais de 50 mil empregos diretos e indiretos surgirão a partir de seu advento. Quero inclusive dizer que o projeto da ZPE do Sertão não cria nenhuma barreira para a ZPE que se pretende instalar em São Gonçalo do Amarante.

Dificilmente, um Estado como o RN comportaria mais de uma ZPE, segundo especialistas. Por quais motivos essa ZPE deve ser implantada no Vale do Açu e não ao redor do Aeroporto de São Gonçalo do Amarante?

Acho que o Estado pode comportar os dois projetos sem qualquer problema. Se este projeto não fosse importante não teria merecido a atenção da senadora Rosalba Ciarlini. Agradeço à senadora por ter abraçado esta causa que, repito, não se limita só ao Assú ou a esta região. É um empreendimento que contemplará mais de 50 municípios e transformará definitivamente a economia do Estado.

Não vejo um projeto como barreira do outro. Se há condições viáveis para termos as duas ZPEs porque razão devemos privar o Estado destes benefícios?

Quem critica a ZPE do Sertão certamente não conhece o projeto. A idéia já foi levada inclusive ao Governo Federal. O prefeito Ronaldo Soares chegou a tratar do assunto pessoalmente com a ministra Dilma Roussef que ficou interessadíssima no assunto. Agora, é preciso que haja sensibilidade de toda a classe política e do Governo do Estado para que darmos um passo atrás, deixando de aproveitar esta oportunidade.

Para as Eleições de 2010, você já tem candidatos preferenciais?

No momento atual enfrentado pela administração seria até irresponsabilidade falar de eleições. Claro que procuramos acompanhar os fatos, mas primeiramente devemos concentrar-nos nas dificuldades que têm impedido de promovermos ações em favor de nosso município e de nossa gente. Vamos esperar que haja definições em torno de nomes para depois nos manifestar. Claro que levaremos em consideração uma série de fatores, um deles, o comprometimento com nosso município. Assú é uma cidade que ainda depende de muitos investimentos. Nosso desejo é reconhecer aqueles que ajudarem nosso governo e nosso município.

Entre os candidatos ao governo e ao senado, quem seriam os seus escolhidos?

Como eu disse, é prematuro falar de eleições agora e muito menos de preferências políticas. Minha preferência será por aqueles que ajudarem o município e a população neste momento de extrema dificuldade. Temos batido a porta de todos no sentido de mostrar a importância de que voltem os olhos para o nosso município. Reconheceremos publicamente todos os que derem a devida atenção ao Assú.






voltar

Acesse aqui
Enquete
Qual seu candidato para o governo do estado em 2010?

Carlos Eduardo
João Maia
Iberê Ferreira
Rosalba Ciarlini
Robinson Faria
Branco/Nulo
Indeciso

Edições anteriores




Conheça a Rits Comunicação & Tecnologia © Copyright Correio da Tarde. Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de
comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização expressa do Correio da Tarde.