Caixa d'água danificada em escola de Ponta Negra deixa 1.300 alunos sem aula
Publicado no Dia 02/09/2010
Alexsandro CostaAlex Fernandes

Vistoria constatou que falhas na estrutura da caixa d´agua podem causar o desabamento do prédio
Mais de mil alunos da escola estadual José Fernandes Machado, conhecida como "Machadão", localizada no bairro de Ponta Negra, estão sem aulas desde o dia 20 de agosto e não sabem quando e se retornarão à escola.
A estrutura da instituição foi interditada porque a caixa d'água corre risco de desabamento. Há um ano o Corpo de Bombeiros esteve na escola e alertou a Secretaria Estadual de Educação sobre o problema. "Só que o orgão não deu à mínima e agora o Corpo de Bombeiro não teve outra saída a não ser interditar a escola. Isso é um absurdo", desabafou a professora Marlene Torquato.
A vistoria do Corpo de Bombeiros foi realizada há duas semanas e foi constatado que os problemas estruturais poderiam levar o equipamento ao chão. A coluna de sustentação está torta e com tijolos quebrados e, na caixa as rachaduras chegam a três centímetros de dilatação. Na parte interna, a estrutura de metal exposta e corroída compromete a sustentação. Dessa forma, decidiu-se pela interdição. Desde o dia 20 de agosto, os alunos foram liberados das aulas e a Secretaria Estadual de Educação ainda não definiu como o problema será solucionado.
De acordo com o subcoordenador de Manutenção da Secretaria de Educação, Lenilson Neves, a prioridade agora é avaliar a possibilidade de reformar a caixa d'água ou de demolir toda a estrutura. Isso será determinante para saber se os alunos terão de continuar as aulas em outro prédio. "Uma das dificuldades, é que já existe um contrato de reforma para a Escola Machadão em vigor, mas ele não inclui a reforma estrutural da caixa d´água. Iniciamos essa reforma pelas salas mais afastadas para não comprometer as aulas, mas essa interdição atrapalhou nossos planos", diz Lenilson.
A reforma contempla o piso e a pintura da escola e o prazo de conclusão da obra é de 120 dias. A Secretaria irá tentar um aditivo para incluir a reforma da caixa d´água no contrato. A expectativa do setor de manutenção é de que o problema seja resolvido dentro desses 120 dias. "Como já existe um contrato em vigor, não podemos dar início a outro", enfatiza Lenilson Neves.
No "Machadão" estudam alunos do primeiro ano do ensino fundamental até o terceiro ano do ensino médio. Também funcionam alguns programas do Governo Federal, como o Mais Educação, e o EJA - Educação de Jovens e Adultos.
Para a professora Marlene Torquato, os prejuízos com a interdição da escola são enormes, principalmente para os alunos do terceiro ano que se preparam para o vestibular e para o Enem. "Eu fico realmente triste pela situação desses alunos", enfatizou a professora, acrescentando que "Essa é a herança educacional deixada pelo governo de Wilma de Faria".
Outros casosExistem 57 escolas em reforma em todo o Rio Grande do Norte, sendo sete em Natal. Os recursos são do Governo Federal. Em situação semelhante à Escola Machadão está a Escola Estadual Soldado Luiz Gonzaga, também sem aulas por problemas estruturais.
De acordo com Lenilson Neves, uma das questões que dificultam o processo de reforma das escolas no RN é a falta de documentos de posse dos prédios por parte do Governo do Estado. As escolas são do poder público, mas não existe comprovação documental, o que é imprescindível para a liberação de recursos para reformas pelo Ministério da Educação. O problema foi alvo de discussão recente na Assembléia Legislativa. O procurador do Estado, Raimundo Nonato, enviou projeto de lei para a Assembléia, com o intuito de regularizar os imóveis do Estado sem títulos de propriedade. Das 723 escolas existentes no RN, 421 não possuem título, a maior parte delas no interior. Em Natal, são 40 escolas a serem titularizadas.

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