Edição Número 1.395 - Ano V - Natal e Mossoró, Segunda-feira, 06 de Setembro de 2010.
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Oposição quer saída de José Sarney e situação teme perda da governabilidade

Publicado no Dia 03/07/2009
A crise no Senado Federal tem provocado reações cautelosas da base do governo Lula (PT). Enquanto a oposição, formada por PSDB e DEM, e o PDT já oficializaram posicionamento em favor do licenciamento do presidente da Casa, José Sarney (PMDB), durante as investigações, os governistas temem a perda do apoio da legenda de Sarney, caso se posicionem favorável à sua saída.

Pela oposição, senador Arthur Virgílio (PSDB) reafirmou ontem (2) que a permanência do presidente do Senado, José Sarney (PMDB), no cargo, resultará no prolongamento da crise e acabará enfraquecendo o próprio Sarney. Ele admitiu, no entanto, que não acredita na possibilidade de Sarney renunciar ao cargo.

"Não acredito na renúncia por parte dele. Seria algo inédito na sua vida pública, porque sempre o vi acumulando poder. É alguém que manda no Maranhão há 40 anos. E não vamos colocá-lo como herói da luta pela redemocratização, porque ele aderiu à redemocratização depois que meu pai foi cassado, depois que tantos de nós fomos presos, espancados nas ruas, alguns espancados nos cárceres. Ele aderiu num momento muito bom, no finalzinho, e conduziu bem o processo democrático", disse o senador.

Arthur Virgílio afirmou que, deixando a Presidência do Senado, Sarney desempenharia dois papéis de grande valia para o país. "O primeiro, ele já fez - quero registrar isso - foi o de conduzir, com bastante habilidade, a transição democrática; o outro, seria se afastar do cargo para que houvesse isenção e profundidade nas investigações de que esta Casa carece para, efetivamente, limpá-la" assinalou.

Para Virgílio, seja quem for o responsável pela implementação das mudanças necessárias, teria que, primeiro, "estar bem distante pessoalmente, afetivamente e politicamente das pessoas que infelicitaram" o Senado. O senador disse que, por um lado, não vê como isso possa acontecer e, por outro, não vê como o presidente Sarney possa fazer mudanças profundas.

Governabilidade

O líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), declarou que, mesmo com posição pessoal favorável ao afastamento temporário do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), não colocará em risco a governabilidade do país. Ao defender o projeto político do PT, Mercadante reconheceu que sua posição como líder é limitada.
"Eu não colocarei em risco esse projeto [político], a opinião do presidente Lula tem muita relevância para mim e para nossa bancada", disse Mercadante em relação às declarações do presidente Lula em defesa de Sarney.

O líder petista sinalizou que a bancada do partido na Casa poderá mudar de posição após o encontro de hoje (2) à noite, com o presidente Lula. "Falarei o que penso para o presidente Lula, mas vou ouvir o que ele tem a dizer com extrema atenção", afirmou.
Na última quarta-feira (1º), os petistas no Senado se manifestaram duas vezes, cada uma delas de forma diferente. Primeiramente, colocaram-se favoráveis ao afastamento temporário de Sarney. Em seguida, recuaram, descartam a possibilidade de licença temporária e adotaram a postura de defesa do peemedebista.

Ontem, o líder petista voltou falar em afastamento, mas, agora, com o pensamento da bancada, e não como posição do partido.

Maioria da bancada governista já aderiu ao "fora Sarney"

Mesmo depois de mais de quatro horas de reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a bancada do PT no Senado ainda não fechou questão se mantém firme a ideia de afastamento do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), ou se dá apoio à permanência do peemedebista no cargo. No entanto, a maioria da bancada governista se manifestou a favor do licenciamento do atual presidente do Senado.

O senador Eduardo Suplicy (SP) foi o único a falar com imprensa após o encontro com Lula que terminou por volta das 1h30 de hoje (3). Segundo o parlamentar, durante a reunião todos os senadores da bancada, exceto Flávio Arns (PR), que não estava presente, expuseram a opinião sobre o assunto ao presidente. A maioria, relatou, foi a favor do licenciamento de Sarney. Suplicy informou ainda que o líder do PT, senador Aloizio Mercadante (SP), deve conceder entrevista coletiva, às 10h, no Senado, para dar mais detalhes do encontro com Lula.

A bancada petista na Casa, formada por 12 parlamentares, já adotou três discursos diferentes em relação à possibilidade de afastamento de Sarney. Primeiro, disse que aconselhou o peemedebista a se licenciar temporariamente do cargo. Depois, pressionada pelo Palácio do Planalto, recuou e descartou a ideia e passou a defende-lo. Em seguida, voltou a se manifestar a favor da saída de Sarney.

Ao longo da semana, PSDB, DEM e PDT se manifestaram oficialmente a favor da licença de Sarney. O PSOL protocolou na Mesa Diretora da Casa uma representação contra o senador que pode resultar na abertura de processo disciplinar por quebra de decoro parlamentar.






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