Edição Número 0779 - Ano II - Natal e Mossoró, Quinta-feira, 20 de Novembro de 2008.
Capa Cultura Confirmado: Zuenir ventura, Ariano Su...

Confirmado: Zuenir ventura, Ariano Suassuna, José Miguel Wisnik e Washington Novaes

Publicado no Dia 01/10/2008

A Bossa Nova, a emblemática geração de 1968 e a obra de Machado de Assis serão alguns dos principais focos literários da terceira edição do Encontro Natalense de Escritores - ENE -, confirmado para ocorrer entre os dias 27 e 29 de novembro, na praça Augusto Severo, em frente ao Museu de Cultura Popular, na Ribeira. O evento, organizado pela Capitania das Artes, é considerado um dos mais importantes projetos de discussão da literatura nacional aberto à população.

O escritor e jornalista Zuenir Ventura é um dos nomes já confirmados, e lançará no ENE o livro "1968 - O Que Fizemos de Nós", uma espécie de segunda parte da obra "1968 - o ano que não terminou", lançado há 20 anos e que já vendeu 400 mil exemplares. Neste segundo "1968", Zuenir revela continuidades e rupturas entre o movimento cultural na década de sessenta e a geração atual. Além do lançamento, Zuenir participará da pré-abertura do ENE na quarta-feira, dia 26, e de um debate ao lado do escritor Ignácio de Loyola Brandão, na sexta-feira.

Para lembrar os 50 anos da Bossa Nova, a poesia será revisitada através de convidados cuja relação com o movimento ajudará a moldar a colcha de retalhos da poesia bossanovista neste meio século. Estão confirmados os nomes do poeta, compositor e professor de literatura da USP José Miguel Wisnik, do escritor e articulista da Folha de S. Paulo Arthur Nestrovski e da cantora e compositora Paula Morelenbaum, ex-grupo Céu da Boca, casada com o instrumentista, arranjador e maestro Jaques Morelenbaum

Machado de Assis e outros temas

Considerado por críticos literários do Brasil e do exterior como o maior expoente das letras nacionais e um dos maiores da língua portuguesa, Machado de Assis também ganhará foco nesta edição do ENE, em uma das mesas que terá como convidado o escritor e Imortal Milton Hatoum.

Literatura e política, poesia, cultura popular, jornalismo e meio-ambiente também serão abordagens concorridas dentro do III Encontro Natalense de Escritores. O jornalista gaúcho, atual coordenador do programa da TV Cultura "Repórter ECO" e ex-secretário do meio-ambiente do Distrito Federal Washington Novaes, é um dos nomes também confirmados para participar de mesa na sexta-feira, ao lado de Ignácio de Loyola Brandão.
Também um dos mais talentosos escritores da nova geração, o paulista Chico Mattoso, está confirmado para debate no primeiro dia, ao lado de outros escritores contemporâneos. A programação literária do ENE será encerrada em tom de aula-espetáculo com a presença do escritor paraibano Ariano Suassuna. O III ENE reunirá em torno de 50 escritores, entre potiguares e convidados de outros estados, além de personalidades nacionais que transitam pela literatura, divididos em 12 mesas debatendo literatura em todas as suas vertentes e, principalmente, interagindo com a platéia.

1968 40 anos depois

Mesmo depois de 20 anos de seu lançamento, a obra mais famosa de Zuenir Ventura continua tendo boa uma vendagem entre os brasileiros. A explicação para o fato pode ser encontrada na espécie de fascínio que a época ditatorial tem sobre a mente de grande parte dos brasileiros. O tema parece nunca sair de moda e abrande todos os tipos de arte (literatura, cinema, exposições fotográficas, etc.).

O livro é uma fascinante reconstituição dos acontecimentos de 1968 no âmbito do país. Os heróis dessa geração que queriam virar o mundo pelo avesso, seus dramas e paixões, suas lutas e vitórias estão descritos em um relato que serve perfeitamente para quem quer entender o Brasil contemporâneo.

No livro, Ventura faz uma reconstituição do ano de 1968, quando no dia 13 de dezembro, sexta-feira, foi editado o AI-5. Contudo, a obra não se restringe a esse fato: contextualiza-o numa época de heróis e de carrascos, de seus dramas e paixões, de suas lutas, suas vitórias, suas derrotas. Não se trata, exatamente, de um livro de história; é, na verdade, um romance que parte da realidade: o retrato de uma geração.

Acima de tudo, Zuenir mostra que a história de 1968 não termina aí. Ela, na verdade, começa. O AI-5, tradução dos acontecimentos políticos, culturais e sociais do período, durou dez anos, muito mais do que os cinco ou seis meses previstos por Costa e Silva; seus efeitos mudaram gerações, a de então e as que viriam.
"O ano que não terminou" volta à tona com o lançamento do mais novo livro de Zuenir Ventura "1968 - O que fizemos de nós". Se no primeiro livro Zuenir Ventura já fazia uma análise dos acontecimentos daquela época para o país, desta vez, 20 anos depois, ele vai ainda mais fundo na contextualização dos fatos.

O primeiro capítulo trata nada mais nada menos do que da vida dos filhos daqueles militantes e intelectuais que viveram a ditadura (vale lembrar que Ventura era jornalista do Pasquim, jornal responsável pelas maiores chacotas da ditadura militar). Em pleno 2008 é possível ter conhecimento do que acontecia internamente com aquelas crianças e adolescentes que tiveram que visitar os pais na prisão, deixar (em alguns casos muitas vezes) o país em que viviam e ter que esconder a própria identidade porque o pai havia decidido ir contra à situação vigente.

Dois dos hoje adultos citados são os filhos do próprio Zuenir, Elisa e Mauro. Em um dos trechos, o autor explica os sentimentos de sua filha. "Quando ela ia me visitar no quartel da PM Caetano de Farias, no centro do Rio, eu, para tranqüilizá-la, dizia que estava muito bem ali na prisão, podia até jogar basquete com Ziraldo durante os banhos de sol. Só muito tempo depois soube que essas revelações provocavam nela um efeito paradoxal e lhe faziam muito mal. Ela concluía que eu havia feito uma opção voluntária entre a nossa casa e a prisão. Se eu me dizia tão satisfeito, era porque preferia a cadeia a voltar para junto dela, do irmão e de minha mulher."

O novo livro conta com depoimentos inéditos de Caetano Veloso, Fernando Henrique Cardoso, José Dirceu, Fernando Gabeira, Franklin Martins, entre outros.






voltar
Publicidade
Rits Comunicação & Tecnologia
Enquete
Você acha que a crise econômica mundial afetou a vida dos mossoroenses?

Sim
Não

Impresso
Edição Número 0779 - Ano II

anuncie
Edições anteriores




Conheça a Rits Comunicação & Tecnologia © Copyright Correio da Tarde. Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de
comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização expressa do Correio da Tarde.