Edição Número 0779 - Ano II - Natal e Mossoró, Quinta-feira, 20 de Novembro de 2008.
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República das Artes quer que novo prefeito escute artistas locais

Publicado no Dia 04/10/2008
Ramilla Souza

Depois de protagonizar a briga pelo espaço da antiga TV Universitária, o casarão da avenida Rio Branco, o Movimento República das Artes se manifesta novamente. Dessa vez os grupos integrantes querem se comunicar com os candidatos à Prefeitura de Natal. Numa carta lançada aos interessados na cadeira de prefeito, os artistas dispõem sobre o que consideram ser uma boa política cultural. Em resumo, o que eles querem é ser ouvidos. "Todos os candidatos têm uma série de propostas para a cultura, mas nenhum consultou aos artistas. Por isso escrevemos a carta", explica o presidente do movimento, João Pinheiro.

A idéia é que a política cultural mude. Entre as propostas, os artistas sugerem que a escolha do presidente da Capitania das Artes e do diretor do Teatro Sandoval Wanderley passe pelo crivo deles.

Na opinião de Lenilton Lima, fotógrafo e integrante do Núcleo de Pesquisa Potiguaçú, deve haver uma proximidade maior entre gestor municipal e classe artística. "O mote da carta é que aja um compromisso com a Cultura de Natal", afirma. A aproximação serviria para que o RN descobrisse qual sua característica cultural mais forte dentre as que se manifestam. Políticas públicas de qualidade fariam com que a identidade do povo fosse ressaltada "Pernambuco tem o frevo, a Bahia o axé, mas nós não sabemos em que nossa cultura se baseia", explica.

Para o fotógrafo o que existe são eventos comerciais que lembram o RN, como o Carnatal e o Festival de Quadrilhas Juninas. "As quadrilhas ganham em figurino, mas perdem em cultura, uma vez que são descaracterizadas", enfatiza Lenilton. "O fato é que existe pouca ligação dos gestores com o que é de raiz. Antigamente se via arte na feira ou nas praças, mas isso acabou. O prefeito tem que abrir o escritório dele para nos ouvir", pontua.

Segundo os artistas, boa parte deles fica de fora do que há de mais forte na política cultural de Natal: a Lei de Incentivo Djalma Maranhão. "Quem não sabe fazer projeto de lei fica de fora. Os sanfoneiros ou bonequeiros que não sabem ler não têm a menor condição de participar. A Prefeitura nem olha para essas pessoas", reclama Lenilton.

Para cobrir esse "buraco", a carta dos artistas sugere que a Djalma Maranhão seja reformulada. "Os autos, por exemplo, não tem que ser incluídos na Lei. Assim a gente tem que concorrer com a própria Prefeitura", critica João Pinheiro. "A lei nada faz mais do que instituir uma nova passagem de pires. Se antes a gente ia passar o pires para os governantes, agora passamos para o empresariado", diz.

Outro ponto enfatizado pela República é que exista uma política de estado, e não de gestor. A mesma questão é colocada pelo Ministério da Cultura, quando lança o Plano de Cultura Nacional. Os artistas norte-riograndendenses fazem coro. "A política de estado deve assegurar a veiculação dos trabalhos. Uma forma de fazer isso seria o desenvolvimento de um turismo cultural, por exemplo", declara o fotógrafo.

Outras propostas são a criação de um fundo de cultura e de um festival de teatro de cultura popular, incentivo aos circos locais, o fim do desconto do Imposto Sobre Serviço (ISS) para os artistas e que não se façam projetos sem consulta à classe artística local.
Até agora só receberam a carta, os candidatos Micarla de Souza, Sandro Pimentel e Dário Barbosa. Os outros foram contatados, mas não deram nenhuma resposta.

A atual gestão, segundo os integrantes da República das Artes, não foi considerada favorável. "Não podemos dizer que nada foi feito, mas foi muito pouco", afirma o presidente. A principal queixa é quanto à falta de comunicação.

Arte no Grito

Atualmente, a República das Artes desenvolve o projeto Arte no Grito, em comemoração aos 88 anos da Feira do Alecrim. A intenção é conter o processo de descaracterização pelo qual passa a feira. O nome do projeto faz referência à "Hora do Grito" ou "Xepa", momento do dia em que os feirantes vendem seus produtos mais baratos. A "hora" é mais ou menos às 16h, mas ela não acontece, no momento, porque as barracas estão sendo fechadas mais cedo, às 14h. Resultado da ausência de compradores.






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