A MPB e Bossa Nova nas vozes de "Os Cariocas" e Eri Galvão
Publicado no Dia 07/10/2008

“Os Cariocas”: pioneiro na criação da Bossa Nova
Não dá para falar em música popular brasileira sem falar nos grandes grupos vocais. Figurando entre os mais antigos em atividade, o grupo "Os Cariocas" não só é um quarteto de grandes vozes, mas um grupo instrumental virtuoso, que ajudou a escrever algumas das mais importantes páginas da Bossa Nova. É este grupo que estará hoje, dia 7, no palco do Teatro Alberto Maranhão dentro do projeto Seis e Meia. “Os Cariocas” chega por aqui sob a batuta de Severino Filho, arranjador, pianista, primeira voz remanescente das primeiras formações do grupo, e mais Eloi Vicente (solo vocal, violonista e quarta voz), Neil Teixeira (baixista e terceira voz), Hernane Castro (baterista e segunda voz). Para abrir a noite, um ilustre membro da família Galvão, o cantor e compositor Eri Galvão, que estará apresentando seu show de homenagem aos 50 anos da Bossa Nova.
Os shows começam às 18h30, e os ingressos estão à venda na bilheteria do Teatro ao preço de R$ 10 (inteira) e R$ 5 (para estudantes, idosos a partir dos 60 anos e professores do município de Natal com identidade funcional).
“Os Cariocas” é considerado um marco na Música Popular Brasileira desde quando seu estilo trouxe uma nova perspectiva para os grupos vocais, uma grande paixão do povo brasileiro. Sua característica inovadora, aliada a arranjos sofisticados e elaborados, foi aclamada por críticos e adquiriu enorme prestígio junto ao público e entre os músicos do Brasil e de outros países. O conjunto ainda foi pioneiro na criação da "Bossa Nova" antes mesmo do batismo e do grande sucesso desse estilo.
Contratados da Philips (agora Universal Music), "Os Cariocas", entre os anos 1962 a 1967, gravaram seis álbuns de grande sucesso, lançando em primeira mão algumas canções que se transformaram em grandes "hits" da Bossa Nova, como "Rio", Menescal e Boscoli; "Samba de uma nota só", Tom Jobim e Newton Mendonça; "Só danço samba", Tom Jobim e Vinicius de Moraes; "Samba do Avião", Tom Jobim; "A minha namorada", Carlos Lyra e Vinicius de Moraes; "Ela é Carioca", Tom Jobim e Vinicius de Moraes; "Inútil Paisagem", Tom Jobim e Aloísio de Oliveira; "Preciso aprender a ser só" e "Samba de Verão", Marcos e Paulo Sergio Valle, entre muitas outras.
Depois de uma longa pausa voluntária, Os Cariocas perceberam que seu trabalho continuava atual, já que suas gravações continuavam a tocar no rádio e o público continuava a procurar pelos seus discos. Assim, decidiram retornar às atividades musicais. A partir daí novos CDs foram gravados: "A Minha Namorada"; "Reconquistar", com participações de Tom Jobim, Ivan Lins, João Bosco, Caetano Veloso e Guilherme Arantes como convidados especiais. Ambos CDs foram agraciados com o Prêmio Sharp. "A Bossa Brasileira", repleto de vários estilos de música brasileira e, é claro, Bossa Nova, completou essa série de CDs.
Mais recentemente a Albatroz Records lançou os CDs "Os Clássicos Cariocas" e "Os Cariocas.com.bossa", contendo novas versões de canções de sucesso das várias fases do grupo. "Bossa Carioca" é o mais recente Cd gravado pelo conjunto, onde são apresentados novos arranjos e novas canções feitas por grandes compositores brasileiros.
Eri Galvão
Eri Galvão está intimamente ligado ao samba e suas vertentes - é julgador de samba-enredo no desfile de Escolas de Samba do Carnaval carioca há 21 anos e faz um show de bossa nova no espaço de resistência da MPB de grande qualidade, o Vinicius Piano Bar, em Ipanema. Para seus irmãos Galvão Filho e Babal, esse é um momento de encontro de amigos e apreciadores da boa MPB e, principalmente, da Bossa Nova.
Aliado à sua atividade como produtor cultural, Eri Galvão é reconhecido como um conhecedor do samba, participando desde 1987 como julgador da Liga das Escolas de Samba - LIESA, no quesito samba-enredo, no desfile das Escolas de Samba do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro. Esteve em Palm Springs-California-USA (1998/2000) assim como em Oslo-Noruega (1999), cantando Bossa Nova. Em setembro/2007 participou do Primeiro Jazz festival da CUNY- City University of New York a convite do trombonista Dick Griffin. Apresenta-se todas as terças e quartas-feiras no Vinicius Piano Bar, em Ipanema, Rio de Janeiro, desde 1995.
A oleta e a recriação das suas informações musicais talvez seja o maior talento desse artista. Com o pé nas suas raízes e o ouvido aberto ao que ocorre de novo na música mundial, Eri Galvão é consciente do seu papel na arte de tocar e cantar. Seu violão tem o ritmo dos trópicos brasileiros, seu canto tem a cor do Brasil. Seu CD é o trabalho maduro de um artista que sabe e acredita no que canta.

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