Estudos em cavernas se transformam em exposição de artes plásticas
Publicado no Dia 08/10/2008
Ramilla SouzaFotos: Divulgação

Expositores: Luciano Rocha, Pedro Régis e Clarice Rick
Três pessoas com um interesse em comum. Tanto os artistas plásticos Luciano Rocha e Clarice Rick como o professor universitário Pedro Régis gostam de cavernas, principalmente aquelas com pinturas rupestres. Do gosto em comum os três resolveram realizar juntos a exposição que inaugura a Galeria de Arte do Shopping Orla Sul, "O rupestre sob três olhares", hoje, em Natal.
Clarice tem descendência alemã, é hoteleira e artista plástica especializada na representação de fósseis. Ela já realizou exposições no país de seus antepassados e se diferencia dos outros dois artistas por não ter o trabalho voltado exatamente para as pinturas gravadas nas paredes das cavernas, mas sim para os restos dos animais e seres humanos de algumas centenas e milhares de anos atrás.
Pedro Régis é professor da Universidade Potiguar, jornalista, pedagogo empresarial, especialista em turismo e sempre trabalhou com arte rupestre.
Luciano Rocha, por sua vez, nunca foi especializado em cavernas, mas tinha bastante admiração por elas. Ele conta que teve que pagar uma matéria no curso de Turismo, pelo qual é formado, chamada Arqueologia e que nela obteve algum conhecimento no assunto. Para fazer a exposição, entretanto, ele foi mais longe.
"Pesquisei em documentários, livros, internet e conversei com pessoas especializadas em cavernas européias". A escolha de Luciano, ao contrário da do professor Régis, foi pelas manifestações do velho continente. "Eu retrato mais cavernas européias, com animais que nunca existiram no Brasil, como o mamute ou o cervo. Já Pedro Régis trabalha só com as brasileiras", explica.
Os materiais também diferem entre os três. Enquanto Clarice utiliza objetos que lembram os períodos paleolíticos; Pedro Régis usa em suas composições madeira, pedra e estopa, além das tintas, claro. Luciano faz um misto com a arte contemporânea, usando vidros, sementes e barbante. "Sou cubista contemporâneo e, por isso, trago um pouco das duas artes", justifica.
O que é arte rupestre?Arte rupestre, pintura rupestre ou ainda gravura rupestre, é o nome que se dá às mais antigas representações pictóricas conhecidas, as mais antigas datadas do período Paleolítico Superior (40.000 a.C.) gravadas em abrigos ou cavernas, em suas paredes e tetos rochosos, ou também em superfícies rochosas ao ar livre, mas em lugares protegidos, normalmente datando de épocas pré-históricas.
Há milhares de anos os povos já se manifestavam artisticamente. Desde que o homem passou a conviver em sociedade, criou formas de se expressar e a arte foi, sem dúvida, a primeira delas, vindo inclusive, antes da linguagem. Essas manifestações pareciam estar associadas a significados místicos e crenças mágicas. O pensamento se reforça quando pinturas são encontradas em covas profundas de difícil acesso e sem restos de habitação por perto, o que vem a indicar seu uso na decoração de um santuário.
Usadas também como uma forma de determinar a propriedade, alguns desenhos apresentam técnicas "avançadas" de pintura, dando estilo de profundidade, movimento e policromia. Utilizavam-se dos dedos untados com argila, responsável pelas cores ocre e vermelho, carvão ou óxido de manganês (retirado das rochas) responsável pelas cores negras. Como aglutinante era usado gordura ou sangue de animais.
No Brasil, podemos encontrar registros dessas artes em vários sítios de pinturas rupestres, situados em Minas Gerais, sudeste do Piauí, Bahia e aqui no Rio Grande do Norte.

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