Edição Número 0711 - Ano II - Natal e Mossoró, Quinta-feira, 28 de Agosto de 2008.
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Copom eleva juros para 13% ao ano, contrariando indústria e trabalhadores

Publicado no Dia 24/07/2008

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central corrigiu onem (23) a taxa básica de juros (Selic), aumentando-a dos atuais 12,25% para 13% ao ano. A decisão foi tomada por unanimidade e sem viés, conforme nota divulgada pelo Banco Central ao final da reunião do Copom.

Segundo os membros do Copom, que é formado por diretores do Banco Central, foi preciso elevar a taxa para conter o aumento do consumo interno e manter a inflação a mais próxima possível do centro da meta de 4,5% ao ano. É o terceiro aumento da taxa neste ano.

Na última reunião, no início de junho, o Copom havia aumentado a taxa de juros de 11,75% para 12,25% ao ano. Em abril, a alta foi também de meio ponto percentual, com a taxa passando de 11,25% para 11,75%. Também chamada de Selic, porque remunera os títulos depositados no Sistema Especial de Liquidação e Custódia, a taxa básica de juros estava estacionada em 11,25% desde setembro do ano passado.

Em nota, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) destaca que "as altas taxas básicas de juros são contrárias aos interesses da classe trabalhadora", porque o aumento não tem efeito sobre o combate à inflação e que servirá para penalizar ainda mais os assalariados. "Contra a inflação, defendemos menos especulação, menos juros e mais produção", diz a nota.

"A pressão inflacionária sobre os alimentos, que penaliza muito mais os assalariados, deve ser combatida com o fortalecimento do apoio à agricultura familiar, por meio da ampliação da oferta e dos prazos do crédito, garantia de preços mínimos e de assistência técnica, entre outras medidas. Outra frente de combate deve se dar sobre setores que especulam, seja por intermédio de contenção de estoques ou de elevação de preços chamada de 'preventiva', que nada mais é que apostar em inflação futura", defende o presidente nacional da CUT, Artur Henrique.

"Com o objetivo explícito de desacelerar a economia, essa política comprime nosso potencial e atenta contra a manutenção do ciclo de crescimento sustentado. Atrapalha, inclusive, a ampliação da oferta de alimentos e pouca eficácia tem contra a pressão inflacionária sobre o setor, já que as principais causas vêm do mercado externo", assinala a CUT.

Também por meio de nota, a Força Sindical manifesta repúdio ao aumento, classificando-o de "cavalar". "A medida é impopular porque de imediato vai dificultar a campanha salarial de cerca de 3,5 milhões de trabalhadores que já estão negociando reposição das perdas e aumento real de salário com os patrões. Ao mesmo tempo dificulta o investimento das empresas na produção."

Para a Força Sindical, se o governo quer combater a inflação tem de incentivar o aumento da produção de alimentos e reduzir os impostos dos produtos da cesta básica.

CNI

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manifestou ontem insatisfação com o aumento de 0,75% na taxa básica de juros (Selic), decidida pelo Comitê de Política Econômica (Copom). O presidente da entidade, Armando Monteiro Neto, avaliou que o Copom deveria ter mantido o ritmo de aumento da taxa em 0,5%.

"Em um ambiente de incerteza inflacionária, a política monetária gradual é mais eficaz para coordenar as expectativas de elevação dos preços. A alteração dessa postura, com a intensificação do aperto monetário, resultará em maiores danos ao processo de crescimento econômico", afirmou ele, por meio de nota.

Para a CNI, o Banco Central deveria manter o ritmo [de elevação de Selic] e esperar pelas naturais defasagens dos impactos da política monetária restritiva. "A idéia de acelerar o movimento de redução do consumo das famílias, via aumento mais intenso dos juros, não irá gerar os benefícios desejados, uma vez que muito da inflação é originada globalmente, dado o aumento dos preços internacionais dos alimentos", avaliou.

A CNI, de acordo com a nota, defendeu a redução de gastos governamentais para fazer com que a inflação convirja para o centro da meta estipulada para este ano de 4,5%.

"A maior consonância entre as políticas fiscal e monetária - com a elevação da meta do superávit primário - enseja a perspectiva de um ciclo monetário menos duradouro. A maior sintonia dessas políticas será fundamental para a redução da demanda interna, via redução das despesas do governo, uma vez que o consumo das famílias perderá intensidade naturalmente, devido ao encarecimento do crédito e aos menores ganhos na renda do trabalhador com a própria alta da inflação", disse Monteiro Neto.

A próxima reunião do Copom para avaliação da Selic vai ocorrer nos dias 9 e 10 de setembro.

Fonte: Agência Brasil




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