Vendem-se hotéis em Natal
Publicado no Dia 23/08/2008
Salvina MirandaAlberto Leandro

Que o turismo potiguar não anda bem das pernas, isso todo mundo já sabe. Porém, que os investimentos no setor andam pelo mesmo caminho, aí já é outra história. Desde o início do ano, os lucros no segmento caem. E segundo profissionais do ramo, caso a administração e o controle do turismo não tomem outro rumo, o setor terá ainda mais obstáculos para o desenvolvimento.
A equipe do CORREIO DA TARDE entrevistou alguns corretores imobiliários e descobriu que proprietários de grandes hotéis da capital estão colocando seus empreendimentos à venda. Um dos entrevistados, que não quis se identificar, fala que na região entre a Via Costeira e Ponta Negra, 90% dos grandes hotéis estão à venda.
"Os hotéis da Via Costeira estão quase todos à venda, se não sua totalidade. Uma prova disso é o grupo hoteleiro Blue Tree, que retirou sua franquia da cidade", afirma. Da mesma forma, se o negócio estivesse "bom" o Pirâmide nunca o teria cedido. Um hotel no bairro de Ponta Negra custa na faixa R$ 30 milhões. Já na Via Costeira a variação é entre R$ 50 e 80 milhões.
Outros valores que são marcantes nas localidades são os custos dos Flats. Um metro quadrado do tipo do imóvel custa em torno de R$ 5 mil e, em sua totalidade, o valor geral gira em torno de R$ 300 mil. Porém, para o empresário, mesmo que o bairro venha a crescer mais, "lá não existe infra-estrutura e saneamento básico para suportar o crescimento neste tipo de investimento. È preciso fazer alguma coisa, porque se não como a cidade crescer? Natal só para os natalenses não é sinônimo de desenvolvimento.
Assim, voltaremos à realidade de antigamente", adverte.
Ele fala também que a cidade não é mais vista como ponto turístico em todo mundo. "Os estrangeiros não querem mais vir para o Rio Grande do Norte. O fluxo turístico está baixo. De 24 ou 27 vôos internacionais que vinham para cá semanalmente, hoje, se não me engano, apenas três chegam", declara. Para ele, o turismo nacional também caiu, mas o principalmente foi o "gringo" que trazia uma circulação maior de dinheiro.
A queda no número de turistas estrangeiros é associada ao desinteresse por parte tanto do Governo do Estado e da Prefeitura. "Comprar imóvel ou construir. Era isso que o estrangeiro queria. O gringo chegava e consultava a prefeitura se podia construir ou não, ai a prefeitura dizia que podia. Mas quando ele comprava, a Prefeitura colocava barreiras, o Ministério Público interferia e embargava a obra, isso é desestimulante faz com que o investimento estrangeiro fique inibido ", esclarece.
Para ele, com a desistência de investimento por parte dos turistas, o preço nos imóveis caiu muito. Mas o profissional explica que "as conseqüências negativas disso logo virão, como desemprego, queda nas vendas no mercado, desvalorização da cidade quando vista fora da região". Ele considera que a participação dos governantes na hora de vender a cidade como ponto turístico é zero.
Uma das alternativas para que o fluxo do turismo retome a ser como antes é o investimento na publicidade. "Vender Natal como ponto turístico seria uma saída, mas nem isso existe", revela.
"Investimento turístico está ruim mesmo", confirma diretor da ABIH/RNO diretor da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio Grande do Norte (ABIH/RN), Sandro Pacheco, afirma que o investimento turístico do RN está "ruim mesmo". Ele também associa o péssimo desempenho do setor à falta de investimento no campo da publicidade. "A falta de divulgação dificulta. Uma cidade sem planejamento turístico não vende. Para ele, vender uma cidade é como vender um produto."
"O mercado hoteleiro está em queda diante da baixa do turismo. Mas dentro do turismo existem variantes, como a valorização do real, onde os turistas nacionais buscam outros países para visitar e os turistas estrangeiros não têm mais condições de viajar para o Brasil. Ficou muito caro ser turista no nosso País. A crise está mais assustadora do que se pensa", explica.
Sandro complementa que os proprietários das redes de hotéis estão amargando prejuízo, não só pela falta de clientes, mas por uma série de contas fixas que devem ser pagas, mas que deveriam ser assumidas por parte do poder público. "A readequação da Via Costeira, por exemplo, há muito tempo que deveria ter sido efetivada. Desde 1982 que a via esperava por essa obra", cita.
Ele fala que os custos para manter uma empresa desse porte é preciso muito investimento. "Cada hotel tem que fazer sua coleta de lixo, porque a prefeitura não permite que carros de lixo façam esse serviço para os hoteleiros; nós também temos que cuidar da segurança, não só dentro do prédio, mas também nas redondezas, o que teoricamente deveria ser função do serviço público que não é cumprido; o serviço de ônibus também deixa a desejar, como na Via Costeira não tem linhas suficientes, os donos de hotéis contratam terceirizados para levar os funcionários até um ponto de ônibus", afirma.
Em busca de possíveis soluções para o setorO Ministro do Turismo, Luis Barreto, esteve em Natal no último dia 14 e anunciou a liberação de mais de R$ 120 milhões de reais em recursos para as obras do Programa de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur) no Estado. Segundo ele, esse será um projeto que irá expandir e qualificar o Rio Grande do Norte para ser um grande nome do turismo mundial.
"O Governo tem investido no turismo para expandir o nome do Estado para o mundo", declarou. Ele complementa que com o investimento do Prodetur não só o RN, mas também todo Brasil, lucrará muito no setor. Ele fala que o Governo Lula está "sensível" à Copa do Mundo de 2014, e que está fazendo vários investimentos que trarão muitos benefícios no ano da competição mundial de futebol.
"O Rio Grande do Norte está se qualificando para ser uma porta do turismo internacional" finaliza. Barreto analisa que o Estado está passando por um processo de desenvolvimento e, futuramente será um grande pólo turístico.
Um novo plano de reconstruir o hotel Reis Magos foi entregue do dia 20 de agosto pelo diretor do grupo Pernambuco de Hotéis S.A, Arthur Percínio, na Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb). A reconstrução irá revigorar a orla da Praia do Meio, que há muito tinha sido esquecida.
O projeto, que terá um investimento de R$ 20 milhões por parte da empresa construtora, irá manter as linhas arquitetônicas do hotel, porém com adicional de alguns cômodos. De acordo com o empresário serão adicionados mais 109 quartos. "Ao invés de 130 serão 239. Tem também a construção de um espaço para festas, shows, área de lazer, 21 novas lojas e 230 garagens", explica.
O projeto, que foi apresentado pela em construtora esta semana, ainda aguarda liberação da Semurb. Entretanto, há expectativas que o atual projeto seja aceito, já que toda obra está adequada ao novo plano diretor da cidade.

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