"Não podíamos perder a oportunidade"
Publicado no Dia 26/08/2008
Paula MartinsRaul Pereira

"Não podíamos perder a oportunidade". A frase é da senadora Rosalba Ciarlini (DEM), falando sobre a vitória com a aprovação da emenda ao projeto de Lei de Conversão 18/2008, que trata do Plano Nacional de Viação, incluindo o ramal Mossoró - Souza, entre as ferrovias que serão construídas pelo governo federal.
Durante almoço ontem com jornalistas da área econômica, mesmo que o assunto principal tenha sido a ferrovia, Rosalba Ciarlini também falou que, mesmo sendo membro da Comissão do Senado para Assuntos Econômicos, a senadora não tem sido procurada pelos representantes da área econômica do governo estadual. Mas ela acredita que pode haver uma integração maior com o governo para a viabilização de projetos importantes para o Estado. "Como temos um representante do RN, Garibaldi Alves Filho, na presidência do Senado e uma governadora aliada do presidente Lula, poderíamos fazer mais pressão para viabilizar bons projetos para nosso estado", argumenta.
No encontro com a imprensa, ela também falou sobre diversas questões relativas ao desenvolvimento econômico do Rio Grande do Norte. Vamos conferir algumas.
Ferrovia TrasnordestinaDe acordo com a emenda da senadora Rosalba Ciarlini a nova estrada de ferro irá de Macau até Souza, na Paraíba, passando por Mossoró, fechando um circuito com a Transnordestina. "Essa ferrovia é de fundamental importância para nosso Estado porque permitirá o escoamento da produção de sal, frutas, calcário, cimento e outros produtos", argumentou. Rosalba reconhece que a aprovação da emenda não é garantia de que a obra vai acontecer ou não. Mas, segundo ela, "essa vitória é um ponto de partida".
Há mais de dois anos, o presidente Lula viu o início das obras de construção da Ferrovia Transnordestina, que, quando estiver pronta ligará os portos de Suape, em Pernambuco, e Pecém, no Ceará, às áreas de produção agrícola e mineral do Maranhão, do Piauí, de Pernambuco e do Ceará. Para isso, serão investidos R$ 4,5 bilhões, dos quais R$ 3 bilhões com recursos oriundos da União Federal, R$ 500 milhões emprestados pelo BNDES e R$ 500 milhões de recursos próprios da empresa concessionária - a Companhia Ferroviária do Nordeste, pela Companhia Siderúrgica Nacional. A Transnordestina terá 1.500 quilômetros de extensão. Só que a obra anda a passos de tartaruga.
ZPE do SertãoSobre o desenvolvimento Zona de ZPE de Açu, também chamada ZPE do Sertão, a senadora disse que tudo depende muito da execução do projeto do ramal da ferrovia Transnordestina diante da necessidade de escoamento dos produtos. Ela lembrou também que, para evitar a evasão de produtos exportados por Estados vizinhos, o governo deve investir em infra-estrutura, em especial no Porto de Natal e no Aeroporto Internacional de Cargas de São Gonçalo do Amarante.
A consolidação da Zona de Processamento de Exportação (ZPE do Sertão), que já foi aprovada pela Comissão de Desenvolvimento Regional do Congresso Nacional através da apresentação do projeto pela senadora, agora precisa do empenho do restante da bancada federal do Rio Grande do Norte para aprovar a proposta na Câmara dos Deputados e em seguida conseguir a sanção do presidente Luis Inácio Lula da Silva.
Ainda conforme o estudos, toda a produção de ferro, mármore, granito, sal e frutas seria escoada em grandes balsas, saindo de Porto do Mangue e embarcando em grandes navios nos portos do Suape e do Pecém, no estado do Ceará.
TurismoA senadora avalia que para o turismo local se desenvolver, planejamento é essencial. "Acho que o RN é pouco divulgado", ressalta. Sobre a crise comentada pelo representante do setor hoteleiro do Rio Grande do Norte, através de material divulgado no último sábado no CORREIO DA TARDE sobre vários hotéis e pousadas que estão à venda, Rosalba reconhece que os empresários precisam de mais incentivos e divulgação. Ela lembrou ainda que devemos criar condições para levar adiante o projeto do terminal turístico no Porto de Natal.
EmpregoDe acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), do Ministério do Trabalho, referentes ao último mês de julho, 4.343 vagas com carteira assinada foram abertas em 2008. Com este saldo, fruto da diferença entre admissões e desligamentos, o Rio Grande do Norte bateu o próprio recorde de abertura de postos formais de trabalho desde o ano 2000. Em termos proporcionais, a variação no estoque de trabalhadores em julho foi de 1,38%, superior às médias nordestina e nacional, de 0,95% e 0,67%, respectivamente.
Para a senadora, os resultados podem ser ainda melhores, principalmente na agricultura. Ela argumenta que o Estão tem um grande potencial de desenvolvimento nesse setor, mas "os recursos emergenciais prometidos, autorizados em Medida Provisória, para recuperar a infra-estrutura produtiva destruída pelas enchentes, precisam da pressão da nossa bancada para serem liberados". Com os R$ 98 milhões prometidos para o RN, muitos empregos podem ser preservados e criados.Outro fator gerador de emprego, na opinião de Rosalba, é o incentivo ao desenvolvimento das micro e pequenas empresas. que movimentam a economia local.

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