Edição Número 0791 - Ano II - Natal e Mossoró, Quinta-feira, 04 de Dezembro de 2008.
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Clodoaldo Silva ainda estuda a reclassificação funcional

Publicado no Dia 03/09/2008
Divulgação
Clodoaldo Silva adiou para amanhã a decisão se vai ou não se submeter a reclassificação
Um dos maiores ícones do esporte brasileiro, o nadador Clodoaldo Silva, está passando por injustiças dentro do esporte paraolímpico. Depois de aceitar o protesto, de um país ainda não revelado, o Comitê Paraolímpico Internacional solicitou a reclassificação do atleta, que deveria ter ocorrido nesta terça-feira, em Pequim, na China.

Clodoaldo conversou com os responsáveis pela reclassificação e conseguiu adiar a data dos testes para nesta quinta-feira, dia 4, ganhando um tempo para pensar sobre a decisão de entrar ou não na água para fazer o exame e para esperar que a Corte Arbitral do Esporte responda o recurso que foi impetrado no dia 1º, cujo objeto se resume no direito de defesa para o nadador.

"O que me motiva mais são os atletas, adiei a reavaliação por eles. Os atletas são as únicas pessoas que me fazem ficar aqui, caso contrário eu já teria jogado tudo para o alto. Não é por causa das medalhas, mas por causa do exemplo que sou para outros atletas que estão aqui. Se eu tiver que bater a cabeça na borda para conseguir um bom resultado para o Brasil eu vou fazer", declarou chorando o atleta.

Durante os dez anos que compete internacionalmente o atleta já passou por quatro reclassificações. Nas três primeiras, duas em 1999 e uma em 2000, nos Jogos Paraolímpicos, ele foi classificado como S4. Na quarta, em 2006, o IPC, acatou um pedido de protesto da Espanha e subiu a classe do atleta para classe S5.

Depois das assessorias jurídicas do CPB e do atleta entrarem com um recurso no IPC, quando foi alegado erro de procedimento, o órgão máximo do esporte paraolímpico, no mês de abril de 2007, voltou o atleta a sua classe de origem. Após essa decisão, o nadador participou dos Jogos Parapan-americanos e conquistou nada menos do que oito medalhas, sendo sete de ouro e uma de prata, além de bater seis recordes mundiais.

Atualmente Clodoaldo é detentor de seis recordes mundiais, possuí conquistas inéditas, e é reconhecido no Brasil e no mundo como um dos melhores atletas paraolímpicos. Todos os seus títulos foram conquistados enquanto o atleta esteve na Classe S4, a qual o IPC o qualificou durante todo esse tempo de carreira internacional, inclusive o próprio IPC o honrou, no ano de 2005, como melhor paraolímpico do mundo.

Nos últimos dois dias várias informações foram publicadas na mídia, mas somente ontem, dia 02, que o atleta se pronunciou. "As pessoas devem estar se perguntando em casa o motivo para o Clodoaldo Silva não querer fazer a avaliação. Será que é porque ele vai subir de classe, não vai mais ganhar medalha de ouro? Não é nada disso. Eu me recuso a fazer porque eu já fiz quatro avaliações e não preciso mais de nenhuma para nadar no esporte paraolímpico", afirma o nadador.

Entenda o caso:

No final de junho o atleta foi notificado através do CPB que o IPC recebeu e aceitou um protesto para que fosse reavaliado com relação à sua classificação esportiva-funcional. O país que fez o protesto não foi divulgado pelo IPC e até hoje o atleta e seus advogados não têm em mãos o objeto do caso.

O IPC fez um comunicado oficial ao Comitê Paraolímpico Brasileiro, que repassou a informação ao atleta. Clodoaldo Silva tinha, segundo o ofício enviado ao Brasil, duas opções para passar pela junta de reavaliação: uma competição aberta no Canadá, a Can-Am Disability Championship, ou o período oficial de classificações funcionais em Pequim, de 1º a 4 de setembro.

Após reunião com dirigentes do CPB, o nadador respondeu à instituição que não iria fazer a reavaliação por causa da sua contusão nas costas. Junto com a resposta foram enviados laudos médicos, que descreviam a real situação da lesão do atleta. A pedido do CPB, a assessoria do atleta traduziu os laudos e enviou a resposta em inglês, essa por sua vez, deve ter sido encaminhada para o IPC.

Pelas regras do IPC, a reclassificação só deve acontecer com atletas que mudam suas deficiências. A paralisia cerebral que Clodoaldo possuiu não é progressiva, nem regressiva. O atleta melhorou tecnicamente, mas sua deficiência não mudou.

A classificação é um fator de nivelamento entre os aspectos da capacidade física e funcional, a fim de aproximar o grau de dificuldade entre os competidores com diferentes deficiências. Cada modalidade determina seu próprio sistema de classificação, baseado em aspectos funcionais.

O atleta é submetido a uma avaliação por uma equipe de classificadores, que, através de testes de força muscular, mobilidade articular, testes funcionais (realizados dentro da água) e análise de resíduo muscular; determina a classe esportiva do atleta. Tais classificadores são credenciados pelo IPC e têm formação médica, técnica e fisioterápica.

Atualmente Clodoaldo compete na classe S4 (S de swimming, natação em inglês). Sendo de S1 a S10 os possíveis níveis na natação para atletas com deficiências físico-motoras. O número 1 aplica-se ao maior grau de dificuldade e o 10 ao menor. Para se ter noção do que significa a mudança de Classe para o atleta, na S5 ele estará competindo com atletas com menor grau de dificuldades, em sua maioria são amputados, que mexem os membros inferiores e fazem virada olímpica.






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