Natalense se revolta contra paralisação em fim de mês
Publicado no Dia 01/10/2008
Salvina MirandaO primeiro dia de paralisação dos bancos na capital potiguar foi marcado por reclamações e filas extensas que atormentavam a vida dos usuários do sistema. Nem os idosos foram poupados de tanto transtorno, já que as filas preferenciais estavam em tamanho equivalente as de caixas normais. Para a aposentada, Maria Ferreira, de 75 anos, os bancários tiveram uma atitude precipitada quando resolveram entrar em greve no segundo dia de pagamento do Estado.
"Geralmente as filas já são enormes no final e início do mês, agora com essa greve, que pegou a gente de supetão, a situação está mais precária ainda", relata. Ela também reclama que o indicativo de greve foi votado em um curto período de tempo, já que a população teve menos de cinco dias para resolver todas as pendências antes que a paralisação.
Outra reclamação é da dona de casa, Victória Moura, que estava na fila de caixa tradicional, com o seu filho de três anos no colo. Ela queixava que mesmo estando com uma criança foi impedida por um funcionário do banco de permanecer na fila preferencial. "Se a situação nesse período já não era boa, imagina agora. Estou muito chateada, mas a fila preferencial é do mesmo tamanho da fila que estou agora", complementa.
A vendedora Elaine Cardoso era mais uma das prejudicadas com a greve, ela conta que tem um cartão de crédito, onde também recebe dinheiro, para desbloquear direto no balcão, mas como só foi informada da paralisação na sexta-feira, foi impossibilitada de resolver o problema. "Já tentei resolver por todos os caminhos, e o pior é o telefone, já que estão todos em greve, pelo menos o atendimento ao cliente pelo 0800 deveria funcionar, mas esse é pior, passei meia hora com uma atendente tentando resolver e nada. Agora estou aqui nessa fila enorme para tentar solucionar o problema o que eu sei que será muito difícil", define.
A greve dos bancários atinge todo o Estado, principalmente as agências públicas, que estão todas paralisadas. De acordo com diretor do Sindicato dos Bancários do RN, Gilberto Moura, apenas o Itaú e o HSBC, que pertencem a iniciativa privada, aderiram ao movimento. "Nesse primeiro momento apenas esse dois entraram em greve, mas acredito que outros bancos também se juntem a nós", fala. Ele complementa que os bancários que não suspenderam as atividades em suas agências, ainda não o fizeram devido a represália dos donos dos bancos. Na quarta-feira passada, os bancários rejeitaram a proposta dos banqueiros e do governo, e decidiram pela greve por tempo indeterminado. A principal reivindicação da classe é o reajuste salarial de 31%.

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