Desaceleração da economia ainda é inevitável, avalia FMI
Publicado no Dia 09/10/2008
É tarde demais para evitar a desaceleração da economia. A constatação é do economista-chefe do Fundo Monetário Internacional, Olivier Blanchard. Segundo previsões da instituição, o Brasil deve crescer 5,2% este ano e 3,5% em 2009 - ainda acima da média mundial, que tem projeção de crescimento de 3,9% em 2008 e 3% no ano que vem.
"A economia mundial entrou em uma fase de forte desaceleração depois de ser golpeada por dois choques muito intensos: a escalada dos preços do petróleo e de outras matérias-primas e a expansão da crise financeira", avaliou Blanchard, em coletiva de imprensa, ontem (8), em Washington. Ele lembrou que os países desenvolvidos não passavam por crise tão grave desde os anos 30.
Informe divulgado na última segunda-feira pelo FMI sobre Perspectivas da Economia Mundial prevê que, até meados de 2009, o crescimento da economias avançadas será próximo de zero - em alguns casos, como Itália, Espanha e Reino Unido, a expectativa é de retração.
Os países emergentes e em desenvolvimento sofrerão menos, mas não estarão imunes. A previsão é de taxas de crescimento bem inferiores às registradas nos últimos anos. "Nenhum país ficará totalmente imune aos efeitos sobre a economia real", afirmou o economista-chefe do FMI, segundo informações do site oficial da instituição.
Blanchard defendeu políticas enérgicas e coordenadas e elogiou a atuação conjunta do Federal Reserve norte-americano, do Banco Central Europeu e dos bancos centrais da Inglaterra, Suécia, Suíça e Canadá. Todos anunciaram, hoje, o corte de juros.
Para o economista, o retorno da estabilidade e da credibilidade dos mercados depende de medidas financeiras sistêmicas, como a recuperação do crédito à aquisição de ativos e injeção de capital.
Também defendeu a adoção de políticas monetárias e fiscais. "Com a aplicação de políticas dessa natureza é razoável esperar que a recuperação do ritmo de crescimento comece em 2009 e ganhe força em 2010", previu.
José Serra
O governador de São Paulo, José Serra, criticou ontem (8) o Banco Central afirmando que o aumento da taxa básica de juros Selic dificulta o país no enfrentamento da crise financeira internacional.
Ele disse que o Brasil não deve seguir os mesmos passos dos outros países no combate às turbulências no mercado mundial.
"Acho que o Banco Central foi muito lento e muito imprudente este ano quando elevou os juros para as nuvens e megavalorizou o câmbio. Agora não adianta olhar para o que passou. A gente tem que olhar para frente e procurar uma saída para a situação, que acho perfeitamente exeqüível", disse ao sair de uma audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto.
Questionado se o Brasil deve reduzir a taxa de juros a exemplo do que fizeram os bancos centrais dos Estados Unidos e de países europeus, Serra afirmou que cada país deve lidar com a crise como achar mais adequado, não há regra geral.
"Quando a economia vai bem, todos os países se parecem. Quando tem crise, é diferente em cada lugar. Não há uma receita geral para ser adotada. O Brasil tem que olhar o seu lado. Uma questão que complicou a situação do Brasil foi a política do Banco Central, com o maior juro do mundo, com o câmbio arrochado, exageradamente valorizado. É evidente que num momento de dificuldade traz problemas porque tende a forçar uma desvalorização da moeda muito acima da média mundial", explicou, acrescentando que o governo deve agir com prudência.
O governador José Serra tratou com o presidente da concessão para a construção de um Ferroanel. A obra vai permitir que o transporte de passageiros por trem, em São Paulo, passe dos 1,5 milhão de pessoas para 4 milhões até 2011, diariamente.
Fonte: Agencia Brasil

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