
09/05/2008
Quem disse que elas não são mães
Publicada na Edição Número 0617 - Ano II
Allan Darlyson
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Augusto Ratis
Edna tem uma ótima relação com toda a família.
No mundo moderno, as mulheres inseridas no mercado de trabalho têm pouco tempo para se dedicarem aos seus filhos. Essa condição faz necessária a contratação de outra pessoa que possa cuidar das crianças enquanto elas trabalham: as babás.
Algumas delas se dedicam tanto que acabam se tornando uma segunda mãe. Nesta quinta reportagem especial sobre as Mães, uma homenagem do CORREIO DA TARDE a todas as mulheres que também exercem a maternidade no sentido mais amplo da palavra.
Foi assim que começou a história de Edina Maria de Sousa, conhecida como Edna, que abdicou da oportunidade de ser mãe para se dedicar à outra família. Ela nasceu em Fortaleza e desde criança teve contato com a enfermeira Francisca Valda da Silva, a quem iria ajudar na criação dos filhos.
Quando Francisca engravidou pela primeira vez, em 1968, de Marcos Vinicius, precisou da ajuda de Edna, que estava em Teresina (PI) e veio ajudar a amiga. Edna gostou de Natal, onde morava a família de Valda, e acabou ficando. Ela ajudou na criação dos três filhos da família.
Edna contribuiu na educação das crianças, que hoje já são adultos bem sucedidos, e também fez parte dos momentos felizes e tristes. Estava sempre lá para aconselhar seus "filhos emprestados", a quem dedicava todo seu amor e carinho.
Enquanto a "mãe oficial" viajava a trabalho, era ela quem tinha que colocar limites, cobrar horários. Foi em muitos desses momentos também que passou noites acordada, ou porque um dos "filhos" estava doente ou na rua, e ela preocupada não conseguia dormir, a exemplo de qualquer mãe biológica.
E mesmo já tendo cumprido muito bem o papel de "segunda mãe" de três, agora Edna já cuida de praticamente uma "neta". Maria Clara, de 4 anos, é a filha de Marcos, o mais velho, e é apaixonada por ela. Quando está doente, só quer saber dela, além de só querer sair de casa para passear em sua companhia. O amor é tanto que a menina chega a emocioná-la, dizendo, desde novinha, que ela é sua grande "amida" ou melhor "amiga" correndo para seus braços.
Mas, mesmo assim, ela humildemente, descarta a idéia de ser uma "segunda mãe" e se considera apenas uma amiga da família.
"Lugar de mãe é reservado. Só existe uma. Eu sou apenas uma amiga da família, que ama muito essas pessoas. Todos me respeitam muito e sinto um carinho imenso e preocupação com eles. Quando a menina sai para a balada fico aflita e mando logo o recado: beba pouco e se for beber não dirija", contou.
Filhos "emprestados" reconhecem dedicação
Os "filhos" de Edna, que são Marcos, Raoni e Elaine, a consideram como uma segunda mãe e vêem nela um exemplo de dedicação e carinho, por ser alguém que não tem laços de sangue, mas que criou uma ligação afetiva tamanha, que chega próximo do sentimento que eles têm pela própria mãe.
Raoni Bruno, 21 anos, reconhece toda a dedicação e empenho de Edna na sua criação e não tem dúvidas ao responder: "Ela é uma segunda mãe pra mim", sentimento também compartilhado pelos irmãos, que comemoram o fato de não terem apenas uma mãe como é comum nas famílias brasileiras, mas, sim, duas. Uma de sangue e outra de coração.
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